318. Eu estava mudando
Gabrielle Goldman
Durante a maior parte da minha vida, fui assistida por psicólogos. E digo isso no plural porque foram inúmeros, substituídos sistematicamente toda vez que eu transgredia alguma regra. Como se o problema estivesse na abordagem deles, na metodologia ou na paciência limitada. Como se trocar o terapeuta fosse mais eficiente do que aceitar o que eu não queria ser consertada.
Engraçado como sempre preferiram atribuir a culpa aos profissionais. Seria tão mais simples admitir que eu era o problema. Que minha rebeldia era intencional, que, na maioria das vezes, eu fazia tudo deliberadamente como forma de punição a eles, por terem ousado me irritar com seus olhares compreensivos e vozes suaves. Eu odiava aquela falsa serenidade, aquela mania de querer traduzir minhas ações como sintomas de uma dor oculta. Não era dor, era escolha.
Meus pais jamais souberam julgar minha personalidade. Nem mesmo John, por mais que tenha tentado moldar parte de mim como se esculpis