Mundo ficciónIniciar sesiónCélia ficou tão enfurecida ao ouvir as palavras de Liliane que começou a tremer. Ela apertou ainda mais o braço da morena, cravando as unhas nela com tanta força que feriu a pele. Liliane, com uma rapidez impressionante, agarrou o braço de Célia, que não teve tempo de reagir. Antes que pudesse perceber, foi jogada contra a parede do corredor. O impacto a arremessou ao chão.
O barulho do impacto chamou a atenção de quem estava por perto, e logo algumas pessoas correram para ver o que estava acontecendo. O tumulto atraiu a atenção dos outros alunos que estavam no pátio; uma jovem retirou o celular e começou a transmitir ao vivo. Célia se levantou, cheia de raiva, encarou Liliane e gritou, com os olhos vermelhos de fúria: — Eu vou te mandar para o hospital! Você me pegou desprevenida, mas agora vou te aleijar! Cinco garotas se aproximaram; eram as seguidoras de Célia, que vieram apoiar sua musa. Liliane permaneceu em silêncio, ouvindo as ameaças sem responder. Célia olhou para uma das meninas e disse: — Transmita ao vivo no meu blog para o mundo ver eu quebrando os ossos dessa bolsista idiota o que ela queria era humilhar Liliane. Aqui é uma faculdade para pessoas da alta sociedade, não para pobretona como você que não tem onde cair morta. — Disse ela com desdém acho um grande erro o CEO da Corporation, Mitchell, ter dado trinta bolsas para esse povo pobre; com isso, desqualificou a nossa faculdade. Liliane, ainda com os olhos cheios de lágrimas pela conversa que tivera com Deyse, olhou para Célia. Isso fez todos interpretarem que ela estava com medo. Mas , Liliane disse em alto e bom tom: — O fato de haver trinta bolsistas nesta faculdade não é desonra, mas símbolo de honra. Vocês sabem por quê? Bom, se ninguém responde, vou dizer: porque só recebem essas bolsas os que têm capacidade para passar. Eles estão aqui porque mereceram, com sua dedicação e determinação. Esses bolsistas só tiram notas boas; eles receberão seus diplomas porque lutaram e estudaram. Eles não compraram seus diplomas! Agora me digam: onde está a desonra desses estudantes? O valor de um bolsista vai muito além da simples concessão de uma bolsa de estudos. Ele representa a oportunidade, a luta e a determinação de jovens que, muitas vezes, enfrentam desafios significativos para alcançar seus sonhos. Quando uma instituição oferece bolsas, ela não apenas democratiza o acesso ao ensino superior, mas também reconhece e celebra a diversidade de histórias e experiências que cada aluno traz consigo. Os bolsistas são frequentemente movidos por uma força interna que os impulsiona a superar obstáculos. Eles sabem que estão em um espaço que pode mudar suas vidas e que têm a responsabilidade de honrar essa chance. Portanto, é comum vê-los se destacando academicamente, dedicando-se com afinco aos estudos e se envolvendo em atividades extracurriculares. Essa dedicação não apenas enriquece suas próprias vidas, mas também contribui para o ambiente acadêmico como um todo, promovendo um clima de cooperação e aprendizado mútuo. Além disso, os bolsistas são exemplos de resiliência e inspiração. Eles mostram que as barreiras sociais e econômicas podem ser superadas com esforço e comprometimento. Ao se formarem e conquistarem seus diplomas, eles não apenas transformam suas próprias realidades, mas também abrem portas para futuras gerações. Cada diploma obtido é uma vitória coletiva que desafia estigmas e preconceitos. É fundamental reconhecer que cada bolsista traz consigo um potencial imenso. Eles são agentes de mudança em suas comunidades, desafiando estereótipos e provando que o talento e a competência não estão restritos a classes sociais específicas. O valor dos bolsistas está intrinsecamente ligado à construção de uma sociedade mais justa e igualitária, onde todos têm a chance de brilhar. Assim, ao celebrarmos os bolsistas, devemos lembrar que eles não são apenas beneficiários de um programa; são protagonistas de suas histórias e pilares fundamentais na transformação do cenário educacional e social. Valorizar sua presença nas instituições é reconhecer a importância da inclusão e do mérito, reafirmando que todos merecem a oportunidade de sonhar alto e realizar seus objetivos. As palavras de Liliane tocaram o coração das pessoas que estavam ali, enchendo os bolsistas de orgulho. No entanto, isso apenas acendeu a ira de Célia, que interpretou as palavras de Liliane como uma humilhação por ter tirado notas baixas. Em um acesso de raiva, ela partiu para cima da jovem, deu um soco, mas Liliane desviou deixando ainda mais irada ela agarrou nos cabelos da morena e puxou com força. Mas Liliane, não estava disposta a se deixar intimidar. Com um movimento rápido, deu uma joelhada e um soco no nariz de Célia, fazendo-a soltar os cabelos. Aproveitando a oportunidade, girou o corpo em um movimento rápido acertou Célia três vezes seguidas à medida que o corpo rodopiava. Todos arregalaram os olhos, surpresos ao descobrir que a jovem que sofria bullying todos os dias sabia lutar. Quando Célia caiu no chão, Liliane se aproximou e abaixou diante dela e disse com firmeza: — Preste bem atenção no que vou te falar: a partir de agora, eu não quero ver você intimidando mais ninguém. Eu fechei os olhos por muito tempo, Célia. Eu não queria me intrometer na sua vida nem na dos outros alunos, mas hoje eu não estou mesmo com paciência para aguentar desaforos. Ela continuou: — Espero que você entenda que ninguém é melhor que ninguém. Sempre há alguém que pode te superar ou me superar, guarde isso como lição. O silêncio tomou conta do lugar enquanto as palavras de Liliane ecoavam na mente dos presentes. Aquela cena não era apenas uma luta física; era uma declaração de resistência contra a opressão e o preconceito. E naquele momento, todos perceberam que a verdadeira força não reside apenas nos músculos, mas também na coragem de se levantar contra as injustiças. Sem esperar resposta, Liliane saiu andando pelo corredor, e à medida que andava, as pessoas batiam palmas. Ela sentou-se em um banco isolado no jardim, fechou os olhos e respirou fundo, sussurrando para si mesma: — Desculpa, vovó. Eu prometi que não brigaria com mais ninguém. Mas não dá para fechar os olhos diante de tanta injustiça. Eu já deveria ter dado um basta na tirania de Célia. Eu sinto muito, — disse ela, lamentando. Quando abriu os olhos, se deparou com os olhos de Jacob. Ela não demonstrou reação nenhuma. Ele sorriu e perguntou: — Posso sentar aqui com você? — Não — respondeu Liliane. — Por que não? — insistiu ele. — O que você quer, Jacob? Durante cinco anos estudamos na mesma sala e você nunca dirigiu a palavra a mim. Agora quer falar comigo? Você esqueceu no verão passado o que fez comigo?






