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2 - O contrato das lágrimas

Na casa de Henry Dawson, o clima estava tenso. A corporação Dawson havia sofrido um golpe devastador: dez milhões de reais foram roubados, causando uma crise financeira sem precedentes. Desesperado para manter a empresa em funcionamento e garantir o pagamento dos funcionários, Henry buscou empréstimos nos bancos, mas todos se recusaram a ajudá-lo, cientes da gravidade da situação.

Em sua angústia, Henry decidiu procurar Donald, o CEO da corporação Johnson, na esperança de conseguir um contrato para um novo projeto. No entanto, sua abordagem foi recebida com um não imediato. A desconfiança pairava no ar, e Henry sabia que sua reputação estava em jogo. No passado, ele havia salvo o avô de Donald, e confiando na amizade que construíram, decidiu buscar a ajuda do homem mais velho.

Ao chegar à mansão dos Johnsons, foi recebido calorosamente. A empregada conduziu Henry até Dominic.

— Oi, meu bom amigo! A que devo a honra da sua visita? — perguntou Dominic com um sorriso.

Henry não perdeu tempo e foi direto ao ponto:

— Eu confiei no gerente da minha empresa e esse desgraçado fugiu levando dez milhões e roubando meu projeto. Com isso, enfrentei sérios problemas financeiros e, por mais que eu tente economizar, não consigo cobrir esse valor. Os investidores estão me pressionando e tentei buscar empréstimos, mas nenhum banco se dispôs a ajudar.

— Procurei o Donald também, mas ele me expulsou. Por isso vim até você.

Dominic olhou para o amigo com uma expressão ponderada e fez uma pausa antes de responder:

— Quanto você está precisando para o projeto?

— Dois milhões — respondeu Henry.

— Eu não estou mais à frente dos negócios desde a minha enfermidade. O Oscar também não está. Mas posso te ajudar com o dinheiro... com uma condição.

Henry sentiu um fio de esperança ao ouvir isso e perguntou imediatamente:

— O que você quer que eu faça? Eu faço qualquer coisa para recuperar meu respeito.

Dominic hesitou por um momento antes de falar:

— Soube que você tem duas filhas belas. Quero a mão de uma delas em casamento para meu neto. Não posso partir deste mundo sem vê-lo casado com uma moça de bem.

Com um misto de alívio e determinação, Henry respondeu:

— Terá minha palavra.

Os dois assinaram um contrato que deixava claro que Henry honraria o compromisso de dar uma das filhas em casamento. No entanto, quando chegaram ao nome do rapaz, Henry ficou atordoado: era Chase, o filho bastardo e desprezado da família. O único que se importava com ele era o avô, mas nem mesmo ele conseguiu impedir que Chase fosse expulso da família.

Ele estava tomado pelo temor, consciente de que aquele casamento não traria honra à sua filha. A sociedade não a veria com bons olhos, e as fofocas seriam inevitáveis. O semblante de Henry se entristeceu, um detalhe que não passou despercebido pelo velho senhor Johnson.

Chamando um de seus subordinados, ele perguntou: "Qual é a sua conta, Henry? Vou lhe mandar o dinheiro." Com lágrimas escorrendo pelo rosto, Henry escreveu um número em um pedaço de papel, despediu-se do amigo e saiu, seu coração pesado.

Assim que pisou no pátio da mansão e estava prestes a entrar no carro, uma notificação do banco apareceu em seu celular. Ao abrir, quase desmaiou ao ver 20 milhões na conta. Com o coração acelerado, correu para a empresa e mandou uma mensagem para sua esposa, compartilhando a novidade, mas também o preço que teria que pagar.

Ele se via obrigado a entregar Amara, sua filha mais velha. Deyse tinha apenas 25 anos e estava terminando sua faculdade de medicina. Amanda contou à filha sobre o arranjo, e Amara ficou radiante com a notícia, espalhando pela cidade que se tornaria a nora da família Johnson.

No entanto, quando Amara viu os convites de casamento e o nome do noivo, o desespero tomou conta dela. Os rumores sobre Chase ecoavam pela cidade: ele morava em uma mansão mal-assombrada, onde supostamente abatia suas vítimas. Diziam que usava uma máscara negra de demônio para realizar sacrifícios humanos, e que sua casa era sombria e fétida. Durante a noite, gritos de desespero podiam ser ouvidos; falavam até de uma serra elétrica que ele usava para despedaçar suas vítimas.

Amara acreditava que se casaria com Donald, um homem alto e bonito, CEO da corporação Johnsons. Nunca poderia imaginar que seu destino seria atrelado a alguém sem status e sem futuro. Desesperada, correu para os braços da mãe, chorando como uma criança.

Amanda sentiu compaixão pela filha; não era segredo que Amara era sua favorita. Já Deyse era resultado de uma gravidez indesejada e havia sido educada em um colégio interno religioso com o único objetivo ensinar as mulheres a serem boas esposas.

Movida por um impulso protetor, Amanda pegou o carro e partiu em direção a faculdade de Deyse.

Chegando na faculdade, Amanda avistou Deyse sentada em um banco, absorta na leitura de um livro.

— Oi, querida! — disse ela ao se aproximar. Deyse sorriu, pensando que a mãe havia vindo por sentir saudades. Levantou-se para abraçá-la, mas Amanda se afastou.

Percebendo a hesitação da mãe, Deyse perguntou, constrangida:

— O que você veio fazer aqui?

— Por acaso não posso vir te visitar, filha ingrata? — respondeu Amanda com um tom cortante.

O coração de Deyse se entristeceu. Durante anos, ela havia tentado conquistar o carinho da mãe, mas parecia que a cada dia o coração da mulher se tornava mais duro.

— Todo esse tempo a senhora nunca veio me visitar — replicou Deyse. — Fez questão de me mandar para um colégio interno só para não ter contato comigo. E hoje está aqui... O que a senhora quer, mãe?

— Eu vim te comunicar que seu pai arrumou um casamento para você. Prepare-se para ir embora! Você está perdendo tempo aqui e jogando dinheiro fora. Já disse isso ao seu pai, mas ele não me escuta.

Deyse sentiu uma onda de desespero ao ouvir as palavras duras da mãe.

— Eu não vou casar, mãe! Só tenho 25 anos! Não pretendo casar agora; quero focar nos meus estudos e na minha carreira!

Um tapa ecoou pelo ar.

— Sua ingrata! Você sabe da situação da empresa? Seu pai vem se afundando por sua culpa! Ele economiza há mais de um ano para pagar seus estudos. E agora que tem a chance de quitar as dívidas e voltar a ter prestígio na sociedade, você quer negar isso a ele?

Amanda tirou um documento da bolsa e entregou nas mãos de Deyse.

— Veja! Seu pai não pode ficar bravo ou ter emoções fortes. Ele tem problemas cardíacos; pode morrer! É isso que você quer?

Segurando o exame nas mãos, Deyse chorou angustiada. Ela não podia deixar seu pai sofrer daquela forma.

— Tudo bem, mãe... eu caso logo depois da formatura — respondeu com a voz embargada.

— De que adianta uma formatura que não vai servir de nada? Você não vai exercer essa função!

— Mas tenho um mês para você voltar para casa e se casar com a família Johnson — insistiu Amanda.

Deyse ficou chorando enquanto sua mãe saía radiante de felicidade. Para Amanda, sua filha preferida jamais seria esposa de um deformado.

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