Helena percebeu primeiro na ausência de ruído.
Não silêncio absoluto.
A cidade ainda respirava carros, passos, vozes, música distante, chuva batendo em janelas e trens cortando a madrugada.
Mas algo havia mudado profundamente:
as pessoas já não pareciam tão desesperadas para preencher todos os espaços vazios.
Ela percebeu isso numa manhã muito cedo, antes do centro acordar completamente. Caminhava pelas ruas ainda úmidas da noite anterior quando viu algo que antes pareceria improvável demais pa