Victor despertou com o alarme do celular. Piscou algumas vezes, ainda grogue, antes de virar o rosto para o lado. Foi então que viu o bilhete sobre o travesseiro. Pegou o papel e começou a ler. O maxilar foi travando linha por linha.
“A mulher que só serve para aliviar um homem não tem obrigação de esperar ele acordar com um sorriso no rosto e um café maravilhoso à mesa.
Mas o santo não é tão ruim quanto parece: a empregada deixará um café preparado, te aguardando.
E quanto às suas palavras… a recíproca é verdadeira.
Vê se aprende a ser homem. De princesos, a sociedade já está cheia.”
Victor amassou o papel com força. Levantou-se de supetão e foi até o banheiro, jogando o bilhete na lixeira. Deu dois passos… parou.
Voltou.
Pegou o papel novamente e o desamassou devagar, como se o gesto contrariasse o próprio orgulho. Caminhou até o quarto, apanhou a carteira largada sobre a poltrona e guardou o bilhete ali dentro. Só então entrou no banheiro para tomar banho e ir embora.
Na quitinete