Laura congelou. O corpo dela ficou rígido, como se algo tivesse se quebrado por dentro. O olhar se transformou em pedra, opaco, sem qualquer resquício de entrega.Ela se desvencilhou dos braços dele com violência.
Empurrou o peito de Edgar com força, obrigando-o a dar um passo para trás. O ar faltou por um segundo, como se precisasse se recompor antes de falar. Quando abriu a boca, não havia mais hesitação. Só intenção, ela estava destruída e queria destruí-lo também.
— Assim como eu matei o nosso primeiro filho… — disse devagar, cada palavra escolhida para ferir — …se eu engravidasse de você de novo, eu faria a mesma coisa.
O silêncio caiu como um impacto físico. Edgar ficou imóvel. Não houve reação. Foi como se tivesse levado um tiro no meio do peito. O rosto perdeu a cor, os olhos se arregalaram, a respiração falhou. Ele tentou dizer algo, mas não saiu som algum. A garganta travou. O corpo não respondeu.
— O mais irônico nisso tudo é você dizer que me perdoou. — ela disse, com a voz