Laura ficou em silêncio por alguns segundos depois que Olívia e Ísis se acomodaram no quarto.
O olhar dela vagava pelo teto, como se estivesse puxando lembranças de um lugar antigo demais para ser tocado sem cuidado.
— O pai do Edgar começou a trabalhar na mansão quando éramos crianças… — disse, enfim, com a voz baixa. — O senhor Joaquim.
Olívia e Ísis se entreolharam, atentas.
— Ele era o jardineiro. — Laura continuou. — Um homem simples, educado, sábio. Sempre falava com orgulho do trabalho dele. Dizia que não tinha vergonha nenhuma de ser jardineiro… mas que o filho dele seria médico. — um sorriso triste surgiu. — Que o Edgar tinha obrigação de ser inteligente e educado, porque era negro, pobre… e o mundo não ia perdoar isso.
Ela respirou fundo.
— Edgar e eu brigávamos o tempo todo. Ele implicava comigo sem parar. — balançou a cabeça, quase rindo. — Me chamava de Felícia. Era insuportável.
Ísis ergueu levemente o olhar, curiosa.
— E o Liam? — perguntou.
— O Liam ria. — Laura respon