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CAPÍTULO 3 — TRÊS LEIS, UM DESTINO

A chuva fina caía sobre a cidade como um véu cinzento quando desci do ônibus na parte antiga da cidade. Segurava o diário de Agnes contra o peito como um escudo enquanto procurava o endereço que havia encontrado nas páginas finais do livro.

A loja escondia-se entre um beco escuro, sua fachada pintada de negro, com apenas um discreto símbolo de um olho dentro de um triângulo pintado na porta. A placa acima dizia simplesmente: "O Covil das Sombras".

O sino acima da porta tilintou suavemente quando entrei. O interior era tão escuro quanto eu esperava, cheirando a incenso, ervas secas e algo metálico — sangue, talvez? — que fez um arrepio percorrer minha espinha.

Prateleiras abarrotadas exibiam frascos com ingredientes com nomes como: "Pó de Lua" e "Lágrimas de Sereia". Um gato preto observou-me fixamente de cima de um balcão, seus olhos amarelos seguindo cada um dos meus movimentos.

— Busca algo específico, jovem? — Uma voz rouca e doce como mel envenenado ecoou das profundezas da loja.

A feiticeira emergiu das sombras, tão velha quanto o tempo, com cabelos prateados que caíam até seus pés e olhos que pareciam conhecer todos os segredos do universo. Ela usava um vestido negro que sussurrava contra o chão de madeira enquanto se aproximava.

— Sim. — Respondi, tentando parecer mais confiante do que me sentia. — Preciso de um boneco voo doo.

Seus olhos estreitaram, examinando-me como se lessem minha alma.

— Para que propósito?

— Para... — Engoli seco, minhas mãos suando. — Para um feitiço de ligação.

Ela soltou uma risada baixa e desdenhosa.

— Vinte anos de idade e acha que está preparada para lidar com forças ancestrais? A universidade não te ensina sobre consequências, moça.

— Eu sei o que estou fazendo. — Menti, segurando o diário com mais força.

A feiticeira moveu-se graciosamente até uma prateleira alta, pegando uma pequena figura de pano negra, costurada com fios vermelhos.

— Isto não é um experimento acadêmico. Uma vez que o sangue é derramado, o laço é eterno.

— Eu compreendo as implicações. — Disse, alcançando minha carteira.

— Duvido. — Ela retrucou, segurando o boneco fora do meu alcance. — Feitiços de sangue não são apenas uma via. Eles criam um ciclo. O que você enviar, voltará para você três vezes mais forte. A obsessão que você invocar irá consumir o alvo... E depois consumirá você.

— Estou ciente dos riscos. — Declarei, meu coração batendo forte. — Ainda assim, preciso disso.

Ela suspirou, como se já tivesse tido esta conversa com muitos jovens arrogantes antes.

— Muito bem. Mas lembre-se das três leis: primeiro, o boneco deve conter algo do alvo. Segundo, cada agulha que você cravar nele, cravará também em sua própria alma. Terceiro... — Seus olhos escureceram. — Uma vez que o feitiço é iniciado, só pode ser quebrado com morte ou loucura.

Paguei com mais da metade da minha mesada, quando suas mãos ossudas entregaram o boneco, uma estranha energia percorreu meus dedos.

— Ele é seu agora. — Sussurrou a feiticeira, seus dedos envolvendo meus pulsos com força surpreendente. — Mas reflita: você realmente quer ser amada por alguém que não tem livre-arbítrio?

Saí da loja com o boneco escondido sob meu casaco, a pergunta da feiticeira ecoando em minha mente. A chuva havia parado, mas o céu continuava cinzento.

Quando cheguei em casa, meus pais nem notaram minha chegada. Subi correndo para meu quarto, tranquei a porta e coloquei o boneco em minha cama. Ele parecia inócuo, apenas um boneco de pano, mas eu podia sentir o poder pulsando nele.

Abri o diário de Agnes na página certa. As instruções eram claras: eu precisaria de um objeto pessoal de Dorian, um fio de seu cabelo... e meu próprio sangue.

No departamento de literatura no dia seguinte, não consegui prestar atenção em nada além dele. Quando ele se inclinou sobre minha mesa para discutir meu trabalho, meu coração disparou. Seu cabelo cheirava a shampoo de menta e livros antigos.

— Professor... — Disse eu, minha voz saindo mais suave do que eu pretendia. — Você tem um fio de cabelo... Aqui.

Ele tocou o próprio cabelo, distraído, enquanto eu estendia a mão e, com movimentos rápidos, peguei um fio prateado que brilhava em sua têmpora.

— Obrigado, Lara. — Ele disse, sem suspeitar, enquanto eu fechava os dedos em torno do meu tesouro.

Naquela noite, com a lua cheia brilhando através da minha janela, preparei o ritual. Coloquei o fio de cabelo dentro do boneco, costurando-o com linha vermelha, exatamente como o diário instruía.

Peguei minha faca ritualística, um presente de aniversário de dezesseis anos de vovó Agnes, e fiz um corte raso em minha palma. O sangue escorria quente e vivo, e eu o deixei pingar sobre o coração de pano do boneco.

— Que ele me queira... — Sussurrei, e cravei a primeira agulha no peito do boneco. — Como eu o quero.

Uma dor aguda perfurou meu próprio peito, mas eu sorri através das lágrimas. A feiticeira tinha razão — o feitiço já estava me afetando. Mas eu não me importava. Pela primeira vez na vida, eu sentia que tinha controle sobre algo.

E naquele momento, o controle valia qualquer preço.

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