— Hum... — Ele levantou a mão. — Deixa eu terminar. Eu passei um século sendo torturado. Abusado. Quebrado. E quando finalmente encontrei alguém que me fazia sentir *humano* de novo... eu corri. Porque foi mais fácil fugir do que enfrentar a dor.
— Você tinha todo o direito de estar furioso—
— Talvez. — Ele concordou. — Mas não tinha o direito de te abandonar. De te fazer sentir como se você fosse... descartável. Porque você não é. Você nunca foi.
Lágrimas desceram pelo meu rosto.
— Eu sinto muito. Por ter mentido. Por ter te traído. Eu nunca quis te machucar.
— Eu sei e está tudo bem… — Ele segurou minha mão. — E eu te perdoo. De verdade.
Olhei para Kai.
— E você?
— Eu nunca tive nada pra perdoar. — Ele sorriu tristemente. — Você não me deve nada, Ayla. Nunca deveu. Eu que... eu que preciso aprender a deixar ir.
— Kai...
— Esquece. Deixa pra lá. — Ele se levantou. — Está tudo bem. Eu vou ficar bem. Só... preciso de tempo. E distância. Mas vou estar aqui. Sempre. Te protegendo. Como p