O roubo do projeto

Isabelle

Depois que resolvi dar uma chance para Edu, estamos vivendo uma verdadeira lua de mel. Ainda custo acreditar que ele pediu exclusividade na nossa relação. Passamos o sábado nos amando e nos reconectando. Hoje é domingo e estamos aqui, assistindo meu dorama favorito enquanto conversamos.

— Pensei que poderíamos viajar para Angra, uma ilha só para nós dois. Você de biquíni o dia todo… parece um sonho realizado — diz Eduardo, acariciando meus cabelos.

— Você gosta muito de Angra, pelo jeito — respondo sorridente.

Esses momentos de paz estão renovando minhas forças. Eu não acreditava mais em nós dois. Hoje coloco fé na gente, no nosso amor, na nossa história. Edu me olha nos olhos e confessa:

— Foi em Angra, depois da reunião com aquela marca de cerveja, que tivemos nosso primeiro encontro. Foi lá que eu te beijei pela primeira vez. Angra sempre vai me lembrar nós dois, Belle.

Ao ouvir isso, me jogo em seus braços e o encho de beijos. Toda a incerteza que eu tinha quanto a nossa volta foi embora. Agora eu tenho certeza que podemos fazer dar certo. Edu sente por mim o mesmo que sinto por ele, e esse sentimento é mais forte que tudo.

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Na segunda-feira, ao chegar na empresa, percebo tulipas vermelhas sobre minha mesa. Corro para ver o cartão, imaginando ser de Edu. Mas me enganei: as flores foram enviadas por Caio. Ao ler o bilhete, não consigo evitar o sorriso:

“Aceite essas flores como agradecimento por ter sido minha parceira de dança. Lembre-se: eu acredito no seu potencial — e minha empresa também, pé de valsa.”

— Isabelle, venha à minha sala, por favor.

Só então percebo Edu de cara fechada na porta. O acompanho e, assim que entro, ele me encurrala contra a porta. Seu olhar poderia incendiar a sala.

— Quem te mandou flores, Belle?

— O Caio. Ele só queria agradecer por sexta-feira. Eu dancei com ele.

— Porra nenhuma, Belle. Esse cara quer você. Quer você como profissional e como mulher. Mas você é minha, Belle. Ninguém pode tocar em você, ouviu?

Ele me beija. Não é um beijo carinhoso, é um beijo de posse. Ele me reivindica e eu me permito ser dele, deixo que mate sua fome de mim, enquanto a minha também é saciada.

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Mais tarde, vou até a sala de André para falar sobre um processo que tenho quase certeza que Liz errou. Mas o encontro caído no chão, sem conseguir respirar, lágrimas escorrendo pelo rosto. Me desespero, penso em pedir ajuda, mas sua voz me interrompe:

— Isa, não chame ninguém… eu… eu só preciso… tempo.

Procuro uma forma de ajudar. Vejo no celular dele uma matéria sobre uma menina desaparecida. Talvez tenha sido o gatilho. Então começo a cantar uma canção de ninar, acariciando seus cabelos. Aos poucos, ele se acalma.

— Obrigado, Isa. Desculpa por isso.

— Não se desculpe, André. Todos temos nossos momentos. Quer falar sobre isso? Vi a matéria no seu celular. Foi o gatilho?

— Foi sim. Minha irmã mais nova foi levada de casa ainda bebê. Isso destruiu nossa família. Sempre faltou um pedaço de nós. Ler o depoimento daquela mãe me levou de volta àquele momento. Quando achamos que nunca mais seríamos inteiros… e não fomos até…

— Até o quê? — pergunto curiosa.

— Isso é assunto para outro dia. Isa, essa canção de ninar que você cantou? De onde você conhece?

— Eu não sei, eu sempre a cantei. Acredito que seja minha primeira lembrança.

Digo isso um pouco emocionada e percebo que André também se emociona. Ficamos nesse transe, até que André nos tira dele.

— Vamos falar das merdas que a incompetente da Liz fez.

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Resolvo falar com Liz. Temos uma apresentação hoje e ela não passou nada do projeto para a equipe.

— Liz, boa tarde. Gostaria de saber se não quer se reunir antes com a equipe e nos mostrar o projeto. Seria bom não irmos no escuro para a reunião com o cliente. Assim, se for necessário, conseguimos te cobrir.

— Você deveria se enxergar, Isa. Acha mesmo que uma profissional renomada como eu precisaria de uma qualquer? Não se preocupe. Tenho tudo muito bem feito. Hoje vocês terão uma aula.

Ela se retira sem olhar para trás. Gustavo, assim como eu, não acredita no que viu.

— Essa garota é muito soberba. Você deveria ter caído fora daqui quando Caio te deu oportunidade. Tá insalubre ter que trabalhar com essa mimada incompetente.

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Estamos na sala de reunião, uma sala ampla e moderna, tons de bege e branco tomam conta do ambiente, elegante e imponente como os donos, todas as reuniões com os clientes são feitas neste espaço, ele fica na parte mais alta do prédio. Estamos sentados em uma grande mesa, Liz está de pé, de frente para a tela interativa. Ela inicia a apresentação para o cliente e toda a equipe:

— O slogan da campanha será “Mais sabor, mais momentos, mais você”. A ideia é focar no público-alvo e na necessidade individual de cada um, mostrando que para cada necessidade existe um lanche disponível para satisfazê-la.

Quando ela termina, sinto um peso no peito, sinto que estou presa em um pesadelo, nada parece real, não consigo acreditar no que vejo e ouço.Toda a ideia que eu tive está ali, apresentada por outra pessoa. Eu a ofereci, porém nossa diretora se recusou sequer a olhar o que eu tinha feito. Ela disse que não precisava. Liz não é apenas despreparada e incompetente. Ela é traiçoeira. Roubou meu projeto.

Tenho vontade de gritar, de chorar, de bater naquela ladra. Não consigo acreditar que ela teve coragem de me roubar, de fazer algo tão sujo e escancarado. Ela quer tudo de mim: meu cargo, meu amor, minhas criações.

A dor é dilacerante, mas logo dá espaço para outro sentimento, mais forte e visceral. A raiva toma conta de mim e me coloca de volta ao controle das minhas emoções. Eu sempre fui pisada por todos, mas isso não vai ficar assim. Isso acaba hoje.

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