Ricardo - O Mafioso.
Sempre soube que a minha vida não seria fácil, então me preparei de todas as formas para viver lutando. Me considero um campeão implacável, capaz de ultrapassar os mais difíceis obstáculos porque tenho coragem para fazer literalmente qualquer coisa para chegar onde desejo. Sou culto, calculista, estrategista e observador ao extremo. Uso tudo à minha volta a meu favor.
Meu lema é: avançar até conseguir o que desejo, independente do que isso gere ou custe. E por isso me meti nessa enrascada.
A vida seguia melhorando a cada novo dia. Poder e território aumentando, negócios lucrativos sendo firmados um após o outro, rios de dinheiro entrando, mulheres à minha disposição e um conselho sobre controle até que eles começaram a achar que estou ficando velho demais para permanecer solteiro.
Eu sou um homem de 35 anos que elevou e muito a nossa máfia desde que matei o meu pai e assumi o poder. Sim, eu fiz isso e não carrego nenhum remorso. Nunca o amei e hoje entendo bem o motivo. Ele simplesmente foi o homem mais desprezível que tive o desprazer de conhecer, e depois que descobri o que ele fazia com a minha própria mãe esse desprazer só aumentou.
Lembranças….
Tinha 26 anos quando entrei pelos portões no meio da noite depois de uma troca de tiros intensa para impedir que tomassem um dos nossos pontos de vendas. Meus irmãos mais novos, Rafaele e Roberto tinham decidido se enfiar em uma boate suja qualquer, mas eu segui para a casa para deixar nossa mãe despreocupada. Estava contente porque tinha conseguido matar um dos inimigos que mais estava nos dando dor de cabeça nos últimos meses, então subi as escadas quase que correndo a fim de contar a novidade.
Eu devia ter notado que algo estava errado porque a casa estava silenciosa demais para o horário, nem os empregados encontrei pelo caminho, mas a adrenalina ainda corria em minha veias então apenas segui meu caminho, ansioso para encontrar a minha mãe já que sabia que provavelmente meu pai estaria dentro de algum dos nossos casinos clandestino.
O que eu não contava é que algo tenebroso acontecia naquele momento no lugar que deveria ser um santuário. Ao chegar no corredor ouvi os primeiros gritos feminino, eles estavam levemente abafados, deixando claro que alguém estava sendo contida contra vontade.
Meu instinto me deixou em alerta, me fazendo desacelerar e caminhar devagar, tentando identificar de onde eles vinham e quem poderia ser. No primeiro momento achei que era alguma empregada, mas conforme caminhava pelo corredor ouvir a voz desesperada e de choro da minha mãe implorando:
—Já chega Gerônimo, eu não aguento mais!
Meu sangue ferveu quando a compreensão me atingiu. O homem que devia protegê-la estava fazendo o oposto. Sentindo meu coração acelerar ao máximo corri ao seu encontro disposto a tudo para livrá-la. Por instinto, simplesmente pus a porta do seu quarto a baixo com um chute forte que deixou a madeira pendurada apenas pelas dobradiças da parte de baixo.
Eu sabia que algo de errado acontecia, mas não imaginei que veria a cena mais cruel da minha vida acontecendo justamente com a minha mãe.
—Cala boca sua puta velha! Você é minha para fazer o que eu quiser…
O homem que se achava indestrutível ainda falava quando se assustou com o barulho e a minha entrada repentina. Ele estava estuprando a mulher que deveria amar e proteger. A minha mãe, a mulher que mais amo na vida.
Ela estava com a saia suspensa, deitada de bruços sobre a cama, com o rosto contorcido pela dor, chorando e implorando para que ele parasse. E ele atrás dela, deitado sobre o seu corpo, segurando os seus braços, impedindo que ela se movesse, com as calças nos tornozelos, se movendo como um jumento velho descontrolado, sorrindo como um vencedor por estar mostrando o seu domínio e força. Tratando-a como um lixo, machucando-a sem dó e isso me atingiu tão profundamente que perdi a linha.
Os dois se assustaram com o barulho, mas ela me olhou com uma mistura de súplica e medo por mim, como se estivesse confusa por não saber o que quer. Já ele, ficou claramente chateado por ser interrompido e como sempre esbravejou se achando no seu direito.
—Que porra está fazendo? Saí daqui antes que eu te mostre quem é o dono dessa casa.
Naquela época eu já sabia que ele não prestava, que não a amava, que era repugnante e asqueroso, de uma forma baixa até mesmo para um mafioso, mas ainda tinha a inocência de achar que ele ao menos oferecia o mínimo de respeito a ela dentro do nosso teto. Mas naquele momento a minha ficha caiu.
‘Ou eu mesmo dava um jeito e ponto final nisso ou minha mãe continuaria sofrendo a cada nova oportunidade que ele tivesse.’
Em segundos soube o que faria, partir para cima dele com toda a fúria que existia em mim. Segurei-o com facilidade, tirando seu corpo de cima dela que rapidamente se moveu envergonhada, procurando uma posição menos reveladora, se cobrindo como podia.
Meu pai gritou, se debateu, tentou se soltar e para apagá-lo, soquei seu queixo com um gancho de direita que ele nem viu que recebeu. Em seguida seu corpo caiu do chão como uma madeira oca de árvore pobre, desacordado e inerte. E eu me aproximei da minha mãe, pronto para ampará-la como ela merecia e precisava.
Naquela noite eu cuidei dela como nunca antes, sendo o suporte que ela precisava enquanto me contava o terror que foi todos os anos do seu casamento. Nós estreitamos ainda mais os nossos laços, eu jurei protegê-la. Jurei nunca estuprar nenhuma mulher, sumiu com meu pai e me tornei o nosso don da nossa casa.
Eu sou o tipo de homem que adora uma carnificina, mas acho que a tortura é uma arte que precisa ser apressiada de forma continua e com calma. Por isso sempre faço questão que ela seja muito longa e seja feita da forma certa para aproveitá-la ao máximo. Com esse pensamento, comecei a dar uma grande lição nele que durou longos anos depois que o prendi no meu lugar especial, onde o torturei das mais variadas formas possíveis durante todos os dias em que esteve em seu cativeiro, e como realmente acho que devemos sentir na pele a dor que causamos no outro, deixava alguém estuprá-lo como quisesse até enjoar em todas as noite. A única regra era não matá-lo.
Quando eu percebia que ele estava próximo de falecer, realizava um tratamento para recuperar um pouco da sua saúde, apenas para prolongar o seu sofrimento.
Essa foi a vingança que mais me trouxe prazer e satisfação na vida, saber que eu fui o responsável por fazê-lo sofrer até seu último suspiro me traz a paz que eu preciso para dormir tranquilamente todas as noites quando coloco a cabeça no travesseiro. Ainda lembro dos seus gritos ecoando na pequena sala de paredes brancas, manchadas de sangue - seu sangue.
Fim das lembranças …