O estalo seco do ferrolho de bronze girando por dentro da fechadura ecoa no corredor deserto como o golpe final de uma guilhotina. E eu? Permaneço estática, com a mão ainda suspensa no ar e os dedos trêmulos, encarando a madeira maciça da porta que Riccardo acabou de fechar na minha cara. O impacto das palavras dele ainda reverbera nos meus ouvidos, pesando mais do que o chumbo.
Ele não me deu tempo de reagir. Não me deu o direito de me defender, de gritar ou de jogar na cara dele a hipocrisia