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Capítulo 01: O Passado Ainda Assombra

Hoje seria um dos dias mais importantes da minha vida. Eu estava prestes a finalmente me tornar presidente da empresa do meu pai. Esse sempre foi o meu objetivo: assumir a Stylus Thompson, companhia construída pela família Thompson e fortalecida por Heitor Thompson ao longo dos anos.

Depois de tanto tempo sonhando, eu estava apostando.

Ajustei o blazer branco mais uma vez e sorri ao notar como ele combinava perfeitamente com meu escarpim azul-marinho. Passei o batom vermelho observando meu reflexo com satisfação.

Hoje, a empresa passaria para meu nome. E, claro, eu provavelmente estarei preparado para fazer minha melhor expressão de surpresa quando sambasse na cara de Hilary Cowper, a inútil da empresa que só sabia dar em cima de homens ricos — inclusive dos meus irmãos.

— Você está linda, irmã — elogiou Sophie.

— Obrigada, maninha.

Sophie era a mais estilosa da família. O amor dela por roupas e tecidos praticamente definia sua personalidade.

— Não acha que está arrumada demais para um dia normal de trabalho? -Benjamin provocou.

— Hoje não é um dia normal — revirei os olhos. — É hoje que o papai vai me passar a presidência de Stylus Thompson.

Benjamin arqueou a sobrancelha.

— Uma presidência? É sério que você ainda não desistiu disso?

— Por que eu desistiria?

— Porque você já tem um Morel Thompson. E a Stylus é um legado de família. Se o papai fosse passar para alguém, seria para o primogênito. Ou seja, Edward.

— Todo mundo sabe que eu nasci primeiro.

— Corrigindo: o primogênito homem.

Revirei os olhos, mas parei ao notar minha mãe quieta demais.

— Mãe, você sabe de alguma coisa?

Ela se falou devagar.

— Você está radiante, querida.

—Mãe.

Ela suspirou.

— Acho melhor você conversar com seu pai.

— O Edward já está na empresa — Benjamin comentou.

Meu estômago afundou.

— Por que ele estaria lá?

— Porque ele quer essas ações tanto quanto você.

Poderíamos até ter dividido o mesmo útero, mas éramos opostos em tudo. Enquanto eu me esforçava para seguir os passos do papai e me tornar uma empresa respeitada, Edward vivia como se o mundo fosse uma festa interminável. Responsabilidades nunca foram o forte dele.

— Ele nunca quis essas ações.

— Agora quer.

Meu sangue ferveu.

— O que vai fazer, Eloise? —Disse Sofia.

Sorri de um jeito que todos conhecem.

— Eloise, por favor, seu pai está em reunião! — pediu minha mãe.

Saí da mansão sem perder tempo e avistei o motorista que esperava do lado de fora. Entrei no carro e ordenei que Andrews fosse o mais rápido possível. Vinte minutos depois, eu já estava diante de Stylus Thompson.

Desci do carro num movimento único e caminhei em direção ao elevador com passos firmes e apressados. Dentro dele, algumas pessoas conversaram sobre algo aleatório, mas quando me viram... silenciaram imediatamente. Eu adorava saber que tinha esse tipo de poder sobre as pessoas. Quando as portas se abriram, fui direto para a sala do meu pai.

Empurrei a porta com tanta força que quase a arranquei do lugar.

— Eloísa! — Papai arregalou os olhos, claramente surpreso e visivelmente frustrado. — Isso é jeito de entrar na minha sala? Estou em reunião!

Ignorei os homens sentados à mesa.

— Você não pode passar as ações para o Edward.

— Eloise, esse não é um bom momento para discutirmos isso — ele disse com a voz tensa, tentando manter uma postura profissional diante dos convidados. — Podemos falar depois da reunião?

— Não! — cruzei os braços. — Vai ser agora! Você não pode passar as ações por ele. – continua.

Edward falou calmamente.

— Pelo simples fato de que você nunca quis essas ações! — retruquei, mordendo a língua para não verbalizar a vontade absurda de jogá-lo do décimo segundo andar.

Edward deu um sorriso torto enquanto girava uma caneta entre os dedos, claramente se deliciando com o caos.

— É verdade, eu nunca quis — disse ele. — Mas repensei o assunto e agora eu quero. É o meu dever como primogênito Thompson.

— Nós dois sabemos que sou a mais velha!

Ele se moveu devagar.

— Você nasceu cochilando doze minutos antes de mim. Que diferença isso faz?

— Faz toda diferença! E eu desvio ter te forçado com o cordão umbilical!

Meu pai fechou os olhos por um instante.

— Mais uma vez... Esse não é o momento pra isso, estamos em reunião — papai falou tentando cortar uma breve discursão que ainda estava por vim. Mas falhei.

— Eloise, aceite — Edward provocou. — Eu sou o herdeiro homem.

— Isso é ridículo!

Um dos investidores se manifestou constrangido.

— Senhor Thompson, talvez seja melhor retomarmos amanhã.

Os outros concordaram e saíram rapidamente.

Assim que a porta se fechou, meu pai explodiu.

— VOCÊS DOIS PERDERAM O JUIZO?!

Até eu me assustei.

— Eloise, você invadiu minha reunião, reuniu e fez investidores importantes irem embora!

— Eu estou lutando pelo que é meu!

— Isso não é lutar, é perder o controle!

Edward cruzou os braços, satisfeito em me ver levando bronca.

— E VOCÊ, EDWARD! — meu pai designado para ele. — Depois de anos sem ligar para a empresa, resolve querer as ações justamente hoje?

Edward abriu a boca, mas papai o interrompeu.

— Nem respondo.

Ele respirou fundo.

— Vocês são adultos, mas idade como crianças brigando por brinquedo.

— Isso não é um brinquedo — rebati.

— Então tenham maturidade!

O silêncio tomou a sala por alguns segundos.

—Sentem os dois. Agora!

Revirei os olhos, mas obedeci.

Meu pai passou a mão no rosto antes de falar:

— Eloise, por enquanto você fica apenas como acionista. Edward assumirá temporariamente a presidência.

Edward comemorou imediatamente.

— Isso não é justo! – explodir. — Eu me dediquei anos a isso!

— Você ainda não está preparado.

Apontei para Edward.

— E ele está? Edward não entende nada de finanças!

— Ele receberá treinamento.

— Isso é ridículo!

— É, irmãzinha, eu venci — Edward provocou, dando uma tapinha na minha cabeça.

Aquilo foi uma gota d'água.

Sai da sala antes que fizesse algo pior. A porta bateu atrás de mim com força.

Eu odiava como tudo sempre girava ao redor de Edward. Enquanto eu precisava estudar sozinho, ele sempre teve alguém para observá-lo.

Talvez fosse isso que mais dose. Eu sabia que teria sido o melhor presidente. Mas nunca parecia suficiente. Quando eu estava prestes a atravessar a rua, um carro freou bruscamente na frente.

Meu coração disparou. A porta se abriu violentamente. Por um segundo, descobri que estava vendo errado.

Mas era ele.

José.

O mesmo olhar doentio.

O pânico tomou meu corpo inteiro.

Corri pela calçada desviando das pessoas, mas ele me alcançou rapidamente e segurou meu braço com força.

— Te encontrei — a voz dele soou exatamente como nos meus piores pesadelos.

— Me solte!

— Eu avisei para você não agir como uma vadia.

Ele prendeu meus braços para trás, me imobilizando.

— Socor—

— Se gritar, vai ser pior.

O medo quase me paralisou.

Quase.

Aproveite uma pequena abertura e certifique-se do cotovelo nos testículos dele.

Joseph grunhiu e me soltou.

Empurrei-o com toda força e corri em direção à Stylus Thompson.

— Eloísa! — ouvi a voz de Edward.

Ele veio correndo na minha direção, claramente preocupado.

O meu colapso me atingiu tão forte que as pernas quase falharam.

Esquecendo completamente a raiva que senti dele, eu joguei em seus braços.

— Ó José... — minha voz saiu trêmula. — Ele está em Los Angeles.

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