O jovem médico ficou visivelmente intimidado pela postura de Leonardo. Pediu desculpas às pressas e praticamente saiu do quarto às pressas.
Leonardo caminhou até Juliana com o rosto fechado. Havia um leve traço de irritação em sua voz.
— Da próxima vez que aparecer um cara desses, diga logo que você tem namorado. É tão difícil assim?
Juliana o encarou em silêncio. Por dentro, não conseguiu evitar um certo sarcasmo.
Ele mesmo já tinha deixado claro que, nesta vida, jamais iria gostar dela.
Então… De onde vinha aquela súbita possessividade?
Alguns dias depois de receber alta do hospital, Leonardo apareceu com uma proposta inesperada. Queria levar Juliana a um encontro de antigos colegas.
Ela sabia muito bem que, no passado, ele sempre desprezara esse tipo de reunião. Nunca demonstrava o menor interesse em ir. Se agora estava sugerindo aquilo por conta própria, certamente havia algum motivo por trás.
E de fato havia.
Assim que chegaram ao local do encontro, Juliana avistou Cecília imediatamente.
Leonardo mantinha uma postura fria e distante com ela, como se entre os dois não houvesse qualquer proximidade.
Mas quando alguém realmente gosta de outra pessoa…
É impossível esconder completamente.
No meio da reunião, Juliana foi ao banheiro.
Quando voltou, encontrou o grupo no meio de um jogo de verdade ou desafio.
Cecília havia perdido e precisava responder a uma pergunta íntima.
Ela parecia claramente constrangida. Abriu a boca para responder, mas antes que dissesse qualquer coisa, Leonardo pegou o cartão de sua mão.
— Eu aceito o castigo no lugar dela.
Disse isso com frieza.
A pergunta no cartão era:
[Quem é o objeto da sua fantasia sexual? Diga apenas as iniciais do nome.]
O grupo começou a provocar, rindo.
— Ah, essa é pesada. Mas pra ele é fácil. Ele tem namorada. Devem ser as iniciais dela.
Leonardo ficou em silêncio por um instante.
Então respondeu com naturalidade:
— C.O.
O coração de Juliana afundou de repente.
As pontas de seus dedos começaram a tremer.
C.O.
Cecília Oliveira.
Ela não conseguiu continuar ali.
Virou-se e foi embora.
Assim que saiu do clube, enviou uma mensagem para Leonardo.
[Não estou me sentindo bem. Vou voltar para casa primeiro.]
Juliana ficou parada na calçada. Levantou a mão para chamar um carro por aplicativo quando, de repente, ouviu uma voz familiar atrás dela.
— Ju.
Ela se surpreendeu. Virou-se e viu Leonardo vindo rapidamente em sua direção.
— Por que você saiu? — Perguntou ela.
Ele franziu levemente a testa. Havia um traço de urgência em seu olhar.
— Você disse que não estava se sentindo bem. O que aconteceu? Onde está doendo? Eu te levo ao hospital.
Juliana o observou em silêncio. Uma mistura confusa de emoções surgiu dentro dela.
Ela balançou a cabeça e respondeu com calma:
— Estou bem… Só um pouco tonta. Você não vai continuar jogando?
— Você é minha namorada. Se minha namorada diz que está passando mal e vai embora, o que eu ainda estaria fazendo lá?
Depois de dizer isso, ele estendeu a mão e tocou a testa dela, como se quisesse verificar se estava com febre.
Juliana o encarou, incapaz de entender.
Ele não tinha vindo justamente por causa de Cecília?
Então por que saiu correndo atrás dela só por causa de uma mensagem?
Mas ela não perguntou.
Também já não havia mais motivo para perguntar.
Pouco antes, seus pais haviam mandado uma mensagem dizendo que quase todos os trâmites já estavam resolvidos. Depois de amanhã, ela poderia ir embora dali e finalmente se afastar de tudo aquilo.
Leonardo percebeu que a testa dela não estava quente. Só então pareceu relaxar.
Não fez mais perguntas.
Apenas disse em voz baixa:
— Vamos para casa.
De madrugada, Juliana dormia entre o sono e a vigília. Em meio àquela sonolência, ouviu vagamente alguém falando ao telefone na varanda.
Ela abriu os olhos.
Com cuidado para não fazer barulho, levantou-se da cama e caminhou devagar até lá. Ao se aproximar, viu Leonardo parado na varanda, fumando.
O celular dele estava no viva-voz, apoiado no corrimão ao lado.
A voz do outro lado era baixa, mas quando ela chegou perto o suficiente, conseguiu ouvir claramente o que diziam.
— Léo, a nonagésima nona vingança tem que ser pesada. Vamos pensar em algo cruel. Depois de amanhã não é o aniversário de vocês dois? Você diz pra Juliana que preparou uma surpresa. Venda os olhos dela e leva até aquela minha mansão abandonada. Quando chegarem lá, você inventa uma desculpa pra sair. Assim que você sair, a gente põe fogo do lado de fora, tranca a porta e deixa ela presa lá dentro. Que tal?
Outra voz concordou imediatamente, animada:
— Boa! Ela vai ficar sem saída, batendo na porta feito louca.
— Isso. Deixa ela sentir o gosto do desespero.
Do outro lado da linha, várias gargalhadas explodiram ao mesmo tempo. Era evidente que todos achavam a ideia excelente.
Ao imaginar aquela cena, as veias na testa de Leonardo saltaram levemente.
Sua voz saiu baixa, carregada de irritação.
— Não. Eu não concordo.