O quarto do hospital mergulhou em um silêncio absoluto.
Era como se até o ar tivesse congelado.
Leonardo, que segundos antes ainda estava furioso com os responsáveis, ficou rígido no mesmo lugar.
Em sua mente, uma única frase ecoava repetidamente: Não me diga que, depois de todos esses anos, você acabou levando a encenação a sério. Você… não acabou gostando dela de verdade, né?
Apaixonado por Juliana?
Impossível.
Ele rejeitou o pensamento imediatamente.
Negou aquilo com tanta rapidez que parecia querer apagar completamente aquela estranha emoção que surgia no fundo de seu peito.
A pessoa de quem ele sempre gostou foi Cecília.
E Juliana?
O que ela era?
Nada além de uma ferramenta que ele usou para se aproximar e se vingar.
Mas, se realmente não sentia nada por ela…
Por que tinha ficado tão furioso ao ver aqueles homens sobre o corpo dela?
Quando Cecília foi abordada por outros homens no passado, ele nunca reagiu com tanta impulsividade.
O próprio pensamento o deixou em silêncio.
Os amigos trocaram olhares entre si.
Pareciam aliviados.
Um deles deu uma tapinha no ombro de Leonardo e falou em tom descontraído:
— A gente já estava achando que você tinha se apaixonado por ela de verdade. Seria ridículo acabar se envolvendo por causa de um jogo de vingança. Se a Cê soubesse disso, ia chorar até morrer.
Leonardo não respondeu.
Apenas reprimiu aquela emoção estranha dentro de si e disse friamente:
— Eu nunca vou gostar da Juliana. Nem nesta vida.
Só então os outros pareceram tranquilos.
— Certo, certo. Já que está tudo resolvido… — Disse alguém, sorrindo. — Ela também deve acordar logo. A gente vai indo.
Um a um, todos deixaram o quarto.
Quando o silêncio voltou completamente, Leonardo caminhou lentamente até a beira da cama.
Baixou o olhar para Juliana, ainda inconsciente.
O rosto dela estava pálido, e as sobrancelhas levemente franzidas, como se nem mesmo dormindo conseguisse encontrar paz.
Sem perceber, os dedos dele se moveram e tocaram de leve o rosto dela.
Mas, no instante em que a pele dela encostou em seus dedos…
Ele puxou a mão de volta bruscamente.
Como se tivesse sido queimado.
Leonardo se virou e caminhou até a janela.
Tirou um cigarro do bolso, acendeu e deu uma tragada profunda, tentando usar a nicotina para entorpecer os pensamentos caóticos que giravam em sua mente.
Quando Juliana acordou novamente, havia apenas Leonardo no quarto.
Ele estava sentado ao lado da cama, segurando um copo de água.
Ao perceber que ela tinha aberto os olhos, perguntou em voz baixa:
— Como você está se sentindo? Ainda dói?
Juliana não respondeu.
Apenas virou o rosto para o lado, evitando o olhar dele.
Nos dias seguintes, Leonardo permaneceu no hospital cuidando dela.
Mas, de vez em quando, saía para atender telefonemas.
E sempre que voltava, havia em seu rosto um traço sutil de ternura, quase imperceptível.
Juliana sabia muito bem para quem eram aquelas ligações.
Provavelmente ele estava tentando acalmar Cecília.
Agora que pensava nisso…
Quando eles ainda estavam juntos, ele também fazia isso com frequência.
Saía para atender telefonemas, dizendo sempre que era algo importante.
Mas ela nunca tinha desconfiado.
Só agora percebia que, do outro lado da linha…
Sempre esteve Cecília.
A porta do quarto se abriu.
O médico entrou para trocar o curativo dela.
Juliana levantou o olhar e percebeu que não era o mesmo médico de antes.
Diante dela estava um jovem médico bonito, de aparência gentil.
Ela ficou um pouco surpresa.
— Meu médico responsável não era você, certo?
O jovem sorriu levemente. Seu tom era calmo e educado.
— É o meu professor. Eu sou estagiário dele. Hoje ele está fazendo a ronda nos outros quartos, então vim no lugar dele para trocar seu curativo.
Juliana assentiu levemente, sem dizer mais nada.
O jovem médico começou a trocar o curativo dela.
Seus movimentos eram cuidadosos e delicados.
Mas o rosto dele estava sempre ligeiramente corado.
Quando terminou e já estava prestes a sair, hesitou por um instante.
Então, reunindo coragem, perguntou:
— Eu… posso pedir seu contato?
Juliana ficou surpresa.
Ela ainda nem tinha tido tempo de responder…
A porta do quarto se abriu de repente.
Leonardo entrou.
Seu olhar percorreu o jovem médico de cima a baixo, frio e cortante.
A voz saiu carregada de advertência:
— Ela tem namorado. Não dá para perceber? — Ele deu mais um passo à frente. — Ou você quer perder até essa vaga de estágio dando em cima de paciente?