Muito rapidamente, aquelas mensagens foram apagadas.
Como se nada tivesse acontecido.
A mão de Juliana, segurando o celular, tremia levemente.
Um frio profundo tomou conta de seu peito, como se água gelada tivesse sido derramada dentro dela.
Até respirar parecia difícil.
Então era isso.
A queda na piscina.
A febre.
Até o remédio que ela tomou.
Tudo tinha sido parte de uma vingança cuidadosamente planejada.
E os remédios que Leonardo lhe deu…
Não passavam de mais uma forma de fazê-la sofrer ainda mais.
Pouco tempo depois, o celular dela tocou.
Era Leonardo.
— Onde você está? Por que não está em casa?
A voz dele era baixa, com um traço quase imperceptível de urgência.
Juliana respirou fundo, tentando manter o tom o mais calmo possível.
— Minha febre piorou muito. Vim para o hospital.
Do outro lado da linha houve um breve silêncio.
Então Leonardo disse:
— Estou indo agora.
— Não precisa. — Ela o interrompeu. — Vou terminar o soro e ficar mais um dia internada. Você anda ocupado ultimamente, então pode cuidar das suas coisas.
Leonardo ficou em silêncio por alguns segundos.
De repente, perguntou:
— Você olhou o celular?
Então era isso.
Ele tinha ligado com medo de que ela tivesse visto as mensagens.
Juliana mentiu:
— Não. O médico disse que eu quase morri de febre. Nem tive tempo de olhar o celular.
Do outro lado da linha, o silêncio voltou.
Quando Leonardo falou novamente, havia algo estranho em sua voz — uma emoção difícil de identificar.
— Enquanto eu estiver aqui, nada vai acontecer com você.
A mão de Juliana se apertou em torno do celular.
Uma tristeza profunda se espalhou por seu peito.
Enquanto ele estiver aqui.
Mas todas as dores que ela sofreu… não foram causadas justamente por ele?
Algum tempo depois, Juliana recebeu alta.
Assim que saiu do hospital e estava prestes a chamar um táxi…
De repente, um grupo de homens surgiu por trás dela.
Sem dizer uma palavra, alguém tapou sua boca e seu nariz com força.
Ela nem teve tempo de lutar.
Sua consciência se apagou quase imediatamente.
Quando Juliana voltou a abrir os olhos, percebeu que estava deitada em um quarto de hotel mal iluminado.
Suas mãos e seus pés estavam amarrados.
Ao redor da cama, vários homens de aparência suspeita a cercavam, todos com sorrisos repugnantes no rosto.
— Olha só… Acordou? — Disse um deles, rindo. — Não precisa ter medo. A gente vai cuidar bem de você.
Enquanto falava, ele estendeu a mão para puxar a roupa dela.
— Quem são vocês? Me soltem! Me soltem!
Juliana lutou com todas as forças.
Mas ela já estava fraca e não tinha como competir com eles.
Tentou empurrá-los, chutá-los, jogar qualquer coisa que encontrasse à mão. Gritou desesperadamente por ajuda.
Nada adiantou.
Quando percebeu que aqueles homens estavam prestes a arrancar todas as suas roupas, um desespero profundo tomou conta de seu coração.
As lágrimas começaram a cair sem controle.
Justo naquele momento…
A porta do quarto foi arrombada com um chute.
— SUMAM DAQUI!
A voz de Leonardo ecoou pelo quarto como um trovão, carregada de uma fúria aterradora.
Assustados com a presença dele, os homens se levantaram às pressas e fugiram, tropeçando porta afora.
Juliana estava encolhida sobre a cama, tremendo da cabeça aos pés.
Ela ergueu o olhar para Leonardo.
Pela primeira vez…
Viu urgência e pânico nos olhos dele.
— Ju…
Ele caminhou rapidamente até a cama.
Sua mão tremia enquanto tentava abraçá-la.
Mas Juliana reagiu como um animal assustado.
Recuou bruscamente, afastando-se dele.
Seus olhos estavam cheios de medo.
A mão de Leonardo parou no ar.
Uma dor atravessou rapidamente o olhar dele.
Juliana ainda tentou dizer alguma coisa.
Mas, de repente, tudo escureceu diante de seus olhos.
E ela desmaiou novamente.
Não se sabe quanto tempo havia passado quando Juliana começou a despertar lentamente.
Sua consciência ainda estava turva.
Do lado de fora, vozes podiam ser ouvidas no quarto do hospital.
Falavam baixo, mas ainda assim era possível perceber a irritação contida na conversa.
— Por que vocês não me falaram desse plano de vingança? — Era a voz de Leonardo.
— Você não quer terminar logo essas noventa e nove vinganças para ficar com a Cê? — Respondeu um dos amigos, num tom despreocupado. — A gente viu que você estava ocupado demais, então resolveu adiantar o serviço por você.
— Eu não mandei vocês arranjarem gente para abusar dela!
A voz de Leonardo subiu de repente.
A raiva em seu tom era tão intensa que parecia prestes a explodir.
Os outros ficaram assustados.
— Ué… Qual é o problema? — Alguém retrucou, incrédulo. — A gente não combinou desde o começo que ia se vingar dela sem piedade? Por que você está tão irritado?
Leonardo não respondeu.
Apenas chutou a mesa de centro com violência, derrubando tudo no chão.
Por que estava tão irritado?
Nem ele mesmo sabia.
Durante todos esses anos, Juliana sempre correu atrás dele.
Sempre brilhante, como um pequeno sol, seguindo-o sem parar.
No dia em que ele aceitou ficar com ela…
Ela ficou parada no mesmo lugar, incrédula.
E então chorou de alegria.
Aquilo ainda estava gravado na memória dele.
Ele nunca tinha visto Juliana daquele jeito.
Mas agora…
Ela estava deitada ali.
Como uma rosa murcha, sem vida.
E ele não sabia porquê.
Mas aquilo o deixou em pânico.
Ele não queria vê-la assim.
Quando ela olhou para ele com aqueles olhos fracos, sem força…
Seu peito sentiu uma dor estranha e incômoda.
Percebendo o silêncio prolongado de Leonardo, os outros começaram a notar algo estranho no ar.
Depois de alguns segundos, alguém falou, assustado:
— Léo… isso não está certo. Não me diga que, depois de todos esses anos, você acabou levando a encenação a sério.
— Você… não acabou gostando dela de verdade, né?