Na manhã seguinte, Helena acordou antes de Dante.
A claridade atravessava as cortinas em faixas suaves, espalhando-se pelo quarto como se nada tivesse acontecido. O mundo tinha essa crueldade. Continuava bonito mesmo quando uma vida começava a desabar por dentro. O sol tocava os lençóis brancos, o criado-mudo, o relógio caro de Dante esquecido ao lado do celular, a aliança no dedo dele repousada sobre o travesseiro.
Helena ficou deitada por alguns minutos, imóvel, olhando para o teto.
O marido