Letícia não deu atenção à provocação. Virou para ir embora.
Ao perceber que ela ia sair, Nicole franziu a testa.
Quando estava prestes a continuar provocando ela, uma figura familiar surgiu no corredor.
Um pensamento rápido cruzou sua mente.
Sem hesitar, puxou Letícia pelo braço e a arrastou para dentro do tanque da fonte.
Nenhuma das duas sabia nadar.
Dentro da água, se debatiam desesperadamente, gritando por socorro.
As feridas no corpo de Letícia se abriram novamente. O sangue se espalhou pela água.
A água gelada invadiu suas narinas, fazendo ela tossir sem parar.
A dor era tão intensa que ela já não tinha forças para lutar.
Seu corpo começou a afundar.
Quando estava prestes a sufocar, viu Samuel correr até ali e pular na água.
Ele nadou passando por ela.
Nem sequer olhou.
Muito menos tentou salvar ela.
Apenas abraçou Nicole e a levou para fora.
Com os olhos vermelhos, Nicole se jogou nos braços dele.
Ao olhar para Letícia, que ainda afundava, fingiu preocupação:
— Letícia me empurrou sem querer... Ela é minha única irmã. Você pode salvar ela também?
Ao ouvir aquilo, Samuel olhou para a água com um olhar gelado.
— Nicole, não precisa mais defender ela. Ela fez isso de propósito. Quis matar você. Pulou na água só para fazer cena. Já que ela não aprende, então que fique ali para esfriar a cabeça.
Aquelas palavras atravessaram o coração de Letícia como uma lâmina.
O rosto ficou arroxeado, os ouvidos zuniam, e toda a força do corpo se esgotava.
A consciência começou a se dissipar, e a visão ficou turva.
Antes de perder os sentidos, ela ainda viu Samuel carregando Nicole para longe...
E então desmaiou.
Não sabia quanto tempo passou.
Letícia despertou com um arrepio causado pelo frio.
Encolhida, abriu os olhos e viu os pais à sua frente, com expressões sombrias.
— Você perdeu completamente a noção? Teve coragem de empurrar a Nicole na água? Estava tentando matar ela para ficar com o Samuel?
— Vou deixar uma coisa bem clara: enquanto estivermos vivos, isso nunca vai acontecer! Você não se compara à Nicole. Não é digna do Samuel. É melhor aceitar a realidade e parar de alimentar essas ilusões!
Diante daquelas acusações, Letícia sentiu o corpo gelar por completo. O desespero tomou conta do seu olhar.
Toda a dor que ela havia reprimido por tantos anos finalmente explodiu.
— E ela é digna dele? Se vocês não tivessem mentido, o Samuel nunca olharia para ela! Vocês tiraram de mim o que era meu e entregaram para ela... não sentem vergonha?
Ao ver que ela ainda ousava responder, Célia ficou furiosa.
O rosto dela ficou vermelho, e Roberto levantou a mão, dando um tapa no rosto de Letícia.
— Nós somos seus pais! Sua vida e tudo o que você tem fomos nós que demos! Se quisermos tirar de você ou dar para a Nicole, fazemos como bem entendermos! Quem você pensa que é para questionar?
— Se você ousar contar a verdade, então veja o que vamos fazer com você...
Antes que terminasse de falar, a porta do quarto foi aberta.
Samuel entrou, com a testa franzida.
— Que verdade?
Ao ver ele de repente, os pais se assustaram. As palavras saíram truncadas.
— Estávamos apenas dando uma lição na Letícia, pedindo que ela confessasse por que empurrou a Nicole na água.
— Isso mesmo. Ela não quer admitir. Já não sabemos mais o que fazer com ela.
Os dois trocaram um olhar e desviaram do assunto.
Samuel não pensou muito.
O olhar dele, frio como gelo, se voltou para Letícia.
— Se ela ainda não quer admitir o erro, então tranquem ela no necrotério. Só soltem quando ela reconhecer a culpa.
Roberto achou a ideia excelente e chamou os seguranças imediatamente.
Letícia cobriu o rosto inchado.
Os olhos estavam vazios, sem qualquer emoção.
Ela sabia que resistir só traria um castigo pior.
Por isso, não reagiu.
Deixou que a arrastassem dali.
O necrotério era tomado por um frio sombrio.
Ela apenas conseguiu abraçar o próprio corpo, tremendo sem parar.
Em meio àquele frio, Letícia se lembrou dos dias na mansão dos Barros, quando, nas noites de tempestade, ela e Samuel se abraçavam para se aquecer.
Naquela época, ele tirava o casaco e colocava sobre os ombros dela.
Segurava a mão dela, envolvia ela em seus braços, repetindo várias vezes para que ela não tivesse medo.
As lembranças doces se misturavam com a realidade gelada, torturando sua mente.
O tempo passava lentamente.
Com fome e frio, sua consciência começou a se apagar.
Até que viu a porta se abrir.
Samuel entrou, com o rosto frio e o olhar afiado.
— Já ficou trancada por um dia e uma noite. Aprendeu a lição?
— Eu aprendi... aprendi completamente.
Encolhida, Letícia respondeu com a voz rouca.
Ao ver a satisfação no rosto dele, ela se levantou com dificuldade e saiu dali, murmurando no fundo do coração:
Ela errou...
Errou ao acreditar na promessa de que ficariam juntos.
Errou ao se apaixonar por ele.