Mundo de ficçãoIniciar sessãoEu fiquei grávida de novo naquele dia, e o August decidiu largar o jogo de vez, dizendo que ia trabalhar sério para sustentar nossa família. Aquilo me emocionou tanto que comecei a chorar. Com as mãos tremendo, entreguei para ele todo o dinheiro que juntei durante um ano de bicos. Duas notas caíram no chão. Eu as peguei e corri atrás dele, saindo de casa. Mas, ao chegar na boca do beco, vi uma cena que nunca imaginei, aqueles mafiosos que viviam vindo cobrar dívidas estavam lá, todos respeitosos diante dele. Foi aí que percebi que toda aquela pobreza dele era só fingimento. — Chefe, amanhã a gente precisa ir de novo na porta da sua casa cobrar você? August estava sentado num Lincoln enorme, respondendo com desprezo: — Não precisa. — Ele olhou para o anel no dedo e soltou um suspiro leve. — Depois de tantos anos, já deu pra provar que o amor dela por mim é verdadeiro. Antes, ela trabalhou duro pra pagar minhas dívidas e até perdeu uma filha por causa disso. — Já fiz ela sofrer demais. Está na hora de contar quem eu sou de verdade, pra ela não precisar mais se matar de trabalhar. Só que, do lado, a Ivy, amiga de infância dele, fez bico e reclamou: — Ainda não! Não é hora de revelar nada. E se ela for igual às outras, que só queriam o seu dinheiro e a fama de chefe da máfia? — Melhor esperar mais um pouco, ver se ela realmente vai querer ter esse bebê. August concordou, pensativo: — Tá bom, vamos fazer do seu jeito. Afinal, ela já está comigo há tanto tempo, não vai me deixar assim fácil. Naquele instante, apertei o dinheiro na mão e virei de costas, chorando sem conseguir me controlar. August, esse amor cheio de mentiras... eu não quero mais!
Ler maisDepois daquele dia, August não desistiu de mim.Todos os dias, eu recebia cartas e presentes dele, desde a hora que saía para o trabalho até quando voltava à noite, ele sempre encontrava um jeito de fazer tudo chegar até mim.Mas, todas as vezes, eu jogava tudo no lixo, sem a menor hesitação.As feridas do passado não se apagam com palavras bonitas. Eu sabia muito bem que, entre nós, já estava tudo acabado.Só que August parecia não entender isso.Um dia, ao voltar do trabalho, mal saí do elevador e já o vi parado na porta do meu apartamento.Trazia um enorme buquê de rosas nas mãos, o rosto cheio de esperança.— Casey, eu...Antes que terminasse, peguei as flores e joguei direto no lixo ao lado.— Quer mais alguma coisa? Se não, por favor, vá embora. — Falei, gelada.— Casey, por que você não pode me dar mais uma chance?A dor era visível no olhar dele, mas não havia nenhum sentimento em mim.— August, entre nós não existe mais nenhuma possibilidade. — Falei friamente, com toda a firm
Depois de deixar o August, fui parar numa cidade desconhecida no sul do país.Apesar de estranhar o clima e a comida daqui, depois de abandonar tudo do passado, voltei a sentir esperança na vida.Com o pouco dinheiro que me restou desses anos, aluguei uma casinha simples, mas aconchegante.Logo consegui um emprego de auxiliar de escritório ali perto, o salário não era grande coisa, mas era suficiente para me sustentar.Todas as manhãs, quando saía para trabalhar, o dono da floricultura do prédio, o River, sempre me recebia com um sorriso acolhedor.Ele era bonito, simpático, tinha uma energia leve e um jeito gentil e carinhoso.O sorriso dele era como um raio de sol iluminando meu coração, trazendo de volta um calor que eu nem lembrava mais como era.No começo, eu só respondia com um sorriso educado, afinal, quase não nos conhecíamos.No fim do dia, ao voltar pra casa, River me entregava uma margarida.— Casey, deve ter sido um dia puxado, né? Toma, essa flor é pra você. Espero que gos
August voltou para casa tomado por uma mistura de raiva e arrependimento.Entrou batendo a porta com força, completamente dilacerado pela dor e pela fúria.Ivy ainda não tinha ido embora; ao ouvir o barulho, correu para recebê-lo:— August, você voltou! E a Casey? Ela não veio com você?Tentou fingir preocupação, mas no rosto dela havia um traço de satisfação maldosa.August lançou um olhar gelado para Ivy e não respondeu.— August, o que houve? Não me diga que aquela vagabunda da Casey se recusou a voltar? Eu sabia! Ela só te deixou porque agora você tá sem dinheiro!Vendo que August continuava calado, Ivy começou a me atacar sem filtro, certa de que ele, como sempre, daria razão a ela.Mas, de repente, August explodiu de ódio. Levantou a mão e deu um tapa tão forte em Ivy que ela caiu no chão.— Cala a boca! — Rosnou ele, entre os dentes. — Quem é você pra falar da Casey?Ivy ficou atordoada, segurando o rosto inchado, olhando para August em choque:— August… você me bateu?August sa
August acordou de ressaca.Massageou as têmporas doloridas, na noite anterior, havia bebido para tentar esquecer, mas só conseguia pensar no meu rosto frio e distante.Sem encontrar o próprio celular, pediu emprestado o de um amigo para me ligar, e só então percebeu que eu já tinha desligado o telefone.Uma sensação de pânico, como nunca sentira antes, tomou conta dele.Saiu às pressas, voltando pra casa, e durante o caminho minha imagem não saía da cabeça dele.Não conseguia entender como aquela mulher que sempre lhe dizia sim, de repente, se tornou tão decidida e distante.Ao chegar, começou a preparar tudo para me pedir desculpas.Flores, bife, joias… cuidou de cada detalhe, querendo reconquistar meu coração.Mas, ao olhar em volta, pela primeira vez realmente notou o quanto aquele lar estava deteriorado.Os móveis usados estavam todos marcados, a tinta das paredes descascava, revelando o tijolo por baixo.Na varanda, a roupinha de bebê manchada balançava ao vento, chamando atenção
Último capítulo