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Prisioneira do CEO de Gelo
Prisioneira do CEO de Gelo
Por: Jhenny M.
Capítulo 1: O Chão Desaba

~~ Jade ~~

O zumbido do laboratório sempre foi o meu porto seguro, o único lugar onde eu conseguia silenciar a dor que eu carregava no peito há três anos, mas naquele dia, o silêncio foi quebrado de forma brutal. Aproximei meu crachá do painel controlador de acesso, e o monitor apitou recusando a minha credencial, foi quando duas sombras de terno escuro se projetaram na minha frente.

— Suas credenciais foram revogadas, Dra. Vasconcelos. Por favor, afaste-se do terminal e nos acompanhe — a voz do segurança soou fria, mecânica.

Pisquei, atordoada quando olhei para os dois homens parrudos me encarando como se eu fosse uma criminosa, e os acompanhei, sendo conduzida até o escritório do RH.

— Senhorita, sente-se por favor.

Obedeci, ainda observando-o sem entender.

— A senhorita tem 15 minutos para recolher as suas coisas e se retirar da empresa. Aqui está a sua carta de demissão por justa causa.

— O que??? Demissão???  Do que você está falando? Eu estou no meio de um procedimento. Se eu parar agora, vamos perder tudo! — Eu argumentei, mal raciocinando, preocupada apenas com a fórmula que vinha pesquisando há anos.

— A senhorita está fora do projeto, Jade — a voz arrastada do Henrique, o gestor do RH, cortou o ar. Ele jogou uma pasta com relatórios impressos na mesa de inox. — O servidor central sofreu uma varredura nas últimas doze horas. Sessenta por cento dos dados da sua pesquisa de regeneração sináptica foram copiados e deletados, e o rastro digital aponta diretamente para o seu login e a sua senha pessoal.

Senti o sangue fugir do meu rosto, minhas pernas fraquejaram, e precisei me apoiar na mesa para não cair. 

— Isso é mentira! Eu passei os últimos anos da minha vida trancada aqui! Por que eu roubaria o meu próprio trabalho?

— Para vendê-lo ao maior lance — Henrique cruzou os braços, me olhando com nojo. — Descobrimos que a Apex Biologics, nossa maior rival, acabou de patentear um protocolo preliminar idêntico ao seu nos Estados Unidos. 

— Mas como? Isso não é possível! Esse protocolo é criação exclusiva minha, eles não podem…

— Até que se prove o contrário, a senhorita é a responsável por violar o sigilo. Está demitida por justa causa, e o departamento jurídico já está movendo uma ação penal contra você por espionagem industrial. Recolha seus pertences e saia do prédio, antes que saia algemada.

Saí da sala de cabeça baixa, o choro entalado na garganta, ainda sem  acreditar no que estava acontecendo. Então, segui até o laboratório, sentindo os olhares de julgamentos sob mim, até que Valentina, uma colega de trabalho e grande amiga, se aproximou.

— Amiga, você não fez isso… Fez?

— Claro que não! — Minha voz subiu um tom, fazendo com os demais me olhassem. — Tem algo errado… Isso não faz sentido, eu jamais colocaria anos de trabalho, a esperança de salvar o meu irmão em jogo…

Valentina contraiu os lábios, como se o que visse a seguir pudesse ser ainda pior.

— Jade, eu ouvi rumores… Bom… Parece que o Renato se demitiu. Você sabe algo sobre isso?

O nome de Renato, meu namorado, ecoou na minha mente como uma bomba.

— Não… Quando? Ele também está sendo acusado?

— Que eu saiba não… Só achei estranho e por ser seu namorado, imaginei que ele tivesse comentado algo.

— Senhoria, seu tempo acabou. — O segurança que me monitorava de longe cortou o assunto, a voz grave e intimidadora.

— Eu preciso ir agora, antes que chamem a polícia. Amiga… — A encarei segurando suas mãos, suplicando por ajuda. — Se descobrir algo mais, me avisa, por favor.

Ela assentiu, os olhos cheios de lágrimas. Saí da empresa carregando uma pequena caixa de papelão com alguns pertences pessoais, ainda sendo encarada pelos demais funcionários, sentindo-me uma verdadeira criminosa.

Ainda no caminho do estacionamento, liguei imediatamente para Renato, para tentar entender o que havia acontecido e porque não tinha me falado nada, mas ele não atendeu.

Uma vez dentro do carro, as lágrimas finalmente cederam as barreiras, e engatei num choro silencioso, ainda tentando processar tudo que havia acontecido.

Logo que cheguei, minha mãe me recepcionou com um ar preocupado.

— Voltou cedo, filha. O que houve? Que cara é essa? Aconteceu alguma coisa?

Olhei para ela soltando a caixa sobre o sofá, meus lábios estremeceram, então procurei abrigo em seus braços.

— Eles me demitiram, alguém armou pra mim… Eu perdi tudo… Todo o meu trabalho, anos de dedicação… Acabou tudo mãe… Acabou tudo…

Sem falar nada, mamãe apenas me abraçou, permitindo-me drenar aquela dor sufocante.

— E eu acho que sei quem foi. — murmurei, a voz falhando entre os soluços.

— Quem, minha filha?

— O Renato.

Renato... O homem que dormia na minha cama. O namorado que me abraçava quando eu chorava pelo meu irmão. O cientista com quem dividi minhas anotações e planos, porque confiava cegamente nele. Tudo tinha sido uma farsa, ele me usou, roubou o projeto da minha vida, vendeu para a concorrência e me deixou para trás para levar a culpa, só podia ser isso.

— Ele me deu um golpe… — sussurrei, as lágrimas queimando meus olhos. 

Duas horas depois, eu estava caída no chão do meu quarto, encarando o teto. Eu estava sem emprego, com o nome manchado e correndo o risco de ser presa. Mas a pior dor era pensar no meu irmão caçula, João Pedro, internado em estado vegetativo. Sem o salário e o plano de saúde da Vance, como eu pagaria os cuidados dele? 

O pesadelo piorou na manhã seguinte. Eu mal havia pregado os olhos quando o meu celular tocou, e a voz trêmula da secretária da presidência me deu um ultimato:

— Dra. Jade? Você precisa vir à empresa imediatamente. Giovanne Vance, o CEO global, acabou de pousar no Brasil. Ele assumiu o caso pessoalmente... E exigiu a sua presença em trinta minutos. Se você não vier, a polícia federal vai bater na sua porta.

O "homem de gelo"... O bilionário implacável que comandava a sede de Boston estava no Brasil por minha causa. Limpei o rosto, vesti minha melhor roupa e engoli o choro. Se eu ia cair, que fosse lutando.

Trinta minutos depois, empurrei as portas duplas da sala da presidência.

Sentado atrás da imensa mesa de vidro, estava ele. Giovanne Vance vestia um terno cinza-chumbo impecável, o cabelo escuro estava alinhado, e quando ele levantou a cabeça, seus olhos, de um azul gélido e cortante, cravaram-se em mim. Havia uma aura de autoridade perigosa e furiosa ao redor dele. No momento em que nossos olhos se cruzaram, o ar sumiu dos meus pulmões.

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