Quase engasguei com o próprio ar.
Levantei num pulo, pegando a taça como se fosse um escudo.
— Eu… eu já estava indo embora — gaguejei, pronta para fugir dali.
Mas a voz dele veio como gelo rachando:
— Para.
Meu corpo travou na hora.
Ele caminhou até mim, com passos firmes, e parou tão perto que eu senti o seu perfume amadeirado, bom, se misturar com o cheiro de sorvete.
— Se vira.
Engoli em seco e lentamente virei de frente pra ele. Ajustei meus óculos com a ponta do dedo, tentando parecer calma, e encarei seus olhos frios.
Ele ficou me olhando um tempo que pareceu longo demais.
— Eu sei que foi a Laura quem colocou sal no sorvete da Aline — disse, sem expressão nenhuma.
Meu coração acelerou, mas fiquei quieta.
— Eu quero uma babá que corrija minha filha — ele continuou — não alguém que acoberte as travessuras dela. Você não tem qualificação nenhuma pra isso.
A pancada veio seca, bem no orgulho. Respirei fundo.
— Conversei com a Laura depois — respondi baixinho. — Ela tá entendendo