Cap.11

Quase engasguei com o próprio ar.

Levantei num pulo, pegando a taça como se fosse um escudo.

— Eu… eu já estava indo embora — gaguejei, pronta para fugir dali.

Mas a voz dele veio como gelo rachando:

— Para.

Meu corpo travou na hora.

Ele caminhou até mim, com passos firmes, e parou tão perto que eu senti o seu perfume amadeirado, bom, se misturar com o cheiro de sorvete.

— Se vira.

Engoli em seco e lentamente virei de frente pra ele. Ajustei meus óculos com a ponta do dedo, tentando parecer calma, e encarei seus olhos frios.

Ele ficou me olhando um tempo que pareceu longo demais.

— Eu sei que foi a Laura quem colocou sal no sorvete da Aline — disse, sem expressão nenhuma.

Meu coração acelerou, mas fiquei quieta.

— Eu quero uma babá que corrija minha filha — ele continuou — não alguém que acoberte as travessuras dela. Você não tem qualificação nenhuma pra isso.

A pancada veio seca, bem no orgulho. Respirei fundo.

— Conversei com a Laura depois — respondi baixinho. — Ela tá entendendo
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