Mundo de ficçãoIniciar sessão
• Luna
Olho ele vomitar pela sétima vez só agora a noite e suspirei, meu filho estava morrendo e eu não podia fazer nada, ou melhor não tinha oportunidade de fazer nada, como dizem né? Favelada, preta, quem vai me dar uma oportunidade de emprego? Se pá já rodei esse rio de janeiro inteiro atrás de um emprego e nada.
__ mamãe. - resmungou chorando - ta doendo, não aguento mais.- chorou me abraçando e eu chorei junto.
Meu neném só tem cinco anos e já é intolerante a lactose e íliaco, não pode ingerir nada de glúten, só que infelizmente não temos condições de comprar as coisas certas pra ele comer e as vezes ele acaba sofrendo desse jeito como hoje.
__ eu sei meu amor, mamãe vai dar um jeito, eu prometo. - abracei ele, pegando ele e levando para o quarto deitando na cama.
Sempre fui sozinha na vida, meus pais? Dois viciados de merda, sempre me usava para conseguir dinheiro para usar drogas, desde pedir dinheiro no asfalto a me vender por dinheiro, já fui muito abusada para eles conseguir o que queriam, em um desses abusos veio o Jota há cinco anos atrás.
Quando tinha meus dezessete anos descobrir minha grávidez e não pensei duas vezes e fugir daquele inferno que eles chamavam de casa, morava na penha e fugi para o jacarezinho, muito longe? Não mas aqui eu sei que eles não entram de tanto que estavam devendo antes de eu fugir.
Cheguei aqui e peguei alguns bicos como cuidar de crianças, fazer faxinas e tals, até o jota nascer, porém depois que ele nasceu ficou um tanto difícil porque não tinha com quem deixar ele e ai acabava levando e não é todo mundo que aceita isso né?
Perdi alguns bicos por conta disso, mas até aqui o Senhor nos ajudou.
__ filho, vamos comer uma sopinha de legumes para ficar bom logo e tomar o remedinho de alergia? - ele assentiu meio triste e eu fui pegar a sopa.
Olhei vendo que só dava para ele comer, mas tudo bem, ele estando com a barriga cheia é o que importa, coloquei a sopinha dele no prato e levei junto com o remedio e a água para o quarto, ele tem que tomar esse remedio duas vezes ao dia para tentar controlar a alergia ao glúten, porém não funciona muito, porque o que adianta controlar a alergia e comer coisa errada não é?
__ que cheirinho bom mamãe, chega a dorzinha passou. - ele falou felizinho na cama.
__ então senta pra comer, se não eu como tudo hein. - brinquei e ele sentou batendo palmas, pense em um menino pra gostar de sopa.
Coloquei um desenho no celular e dei pra ele enquanto ia dando a sopa.
__ mamãe porque não temos uma televisão? - começou com as perguntas difícil.
__ mamãe já te explicou Jota, não temos dinheiro pra isso, mas em breve vamos ter, tudo bem? - coloquei sopa na boca dele pra ver se ele para de falar.
Ele assentiu e ficou assistindo, do nada alguém b**e na porta e eu me assusto, será o dono do morro para cobrar o aluguel que está atrasado dois meses? Meu Deus isso não por favor.
__ Jota, não saí daqui ok? Come tudo direitinho ai e vai assistindo, mamãe já volta - ele assentiu assistindo sem me dar atenção.
Saí do quarto fechando a cortina que tinha e abrir a porta vendo meu amigo Thalles, vulgo Th.
__ que susto, pensei que era o dono do morro cobrando o aluguel atrasado. - falei puxando ele para dentro de casa.
Ele coçou a nuca sem graça.
__ qual foi lu, tenho uma notícia muito agradável pra tu não. - falou sem graça.
__ o que foi Th? - falei aprensiva.
__ Perigo foi preso se ligou? E quem vai ficar levando as notícias e fazendo a visita íntima dele é tu mermo. - falou de uma vez e eu olhei pra ele sem entender. - qual foi pô, tu sabe que ele não gosta de quem fica devendo a ele e tu ta devendo mil da casa, ele vai pagar pelas visitas e tu vai deixar ele informado, papo de um ano só, até eu me organizar pra tirar ele de lá.- ele falou sem graça, se pá ta sendo obrigado a fazer isso.
__ claro que não Thalles, eu tenho um filho pra cuidar, não posso ficar ligada a um cara que ta preso por tráfico. - falei nervosa.
__ confia em mim namoral, melhor tu não contrariar se ligou? Vai passar rápido e ele vai pagar dez conto por cada visita, vai te ajudar com o cria e a casa pô, sei que tu ta na merda. - falou me puxando para um abraço.
__ eu não quero Thalles. - falei chorando já.
O Thalles eu conheci quando o Jota tinha um ano e eu levei para a faxina que eu ia fazer na casa da mãe dele, ai ele e a mãe dele se apaixonou no meu bebê, e até hoje somos amigos.
__ eu não posso fazer nada se ligou? Sou só o gerente, ele é o chefe, eu pedi pra pagar pô, tu ficou na neurose ai, agora se fudeu valendo, também não queria tu nessa não, minha irmãzinha. - falou todo serinho me soltando.
__ e quando começa isso em? Ai caralho com quem vou deixar o Jota? - falei nervosa.
__ domingo pô, relaxa que hoje ainda é segunda - ele falou deitando no sofá, folgado é ele.







