Capitulo 7

O gosto ainda é ruim, o álcool ainda queima minha garganta, mas já está ficando mais aceitável. Lucian ainda está ali, me olhando com uma preocupação velada e um tipo de companheirismo silencioso.

— Então... — começo, pensando em uma forma de puxar assunto. — Você vem sempre aqui? — Tento parecer humorada.

Ele solta um risinho, parecendo um pouco mais descontraído.

— Muito mais do que seria possível a uma única pessoa vir. — Sua voz soa com algum tipo de mistério; não era exatamente uma resposta, no entanto. — E você?

— Minha primeira vez, acredita? — respondo com ironia, tomando mais um gole da minha bebida.

— E o que está achando até agora? - Ele pergunta, parecendo estar curioso, mas não sabia se era maliciosa ou casual.

Acho que a bebida está começando a fazer efeito.

— Está referindo a festa ou ao local? - Pergunto, perdida no assunto.

Ele parece pensar um pouco antes de dizer:

— Os dois.

— Ah... — Penso um pouco, olhando para minha bebida. — A festa está legal, me surpreendeu. Estava esperando algo bem mais cheio de frescura do que uma balada chique. No entanto, o local é um tanto sofisticado para mim, não estou exatamente acostumada.

— É mesmo? — ele pergunta com um tom humorado, um tanto desconfiado. — Achei que estivesse aqui porque tinha sido colocada na lista da festa.

Entendi exatamente o que ele estava querendo dizer. Em festas em locais privados, e principalmente da alta sociedade, a entrada é só para conhecidos, contatos, famosos e ricos. Quase me engasguei de novo ao perceber que eu estava parecendo uma intrusa.

— Estou, na verdade — digo, e depois aponto para Mady, que ainda dançava animadamente na pista com o outro barman. — Ela foi convidada e eu estou como sua acompanhante.

Lucian olha para a pista e depois para mim. Abre um sorriso, compreendendo meu humor horrível; então, ele vem para mais perto, se inclina no balcão sobre o braço, ficando mais próximo e deixando aqueles olhos verdes intensos me analisarem.

— Entendi. Então está aqui para acompanhar sua amiga em uma festa de riquinhos esnobes enquanto tenta superar algo ruim?

Pisco lentamente, sem acreditar que ele entendera tão rapidamente a situação, o que me fez parecer um tanto clichê demais. Em outras situações, isso teria me deixado completamente sem graça, mas eu já tinha bebido o suficiente para não recuar. Me inclino também sobre o balcão, ficando muito próxima. Nossos rostos ficaram a um palmo de distância; ele não recuou, nem eu.

— Talvez. Estou errada em tentar aproveitar um pouco? — pergunto, desafiadoramente.

— Longe disso. Na verdade, eu acho que você está certa — ele responde em um tom um pouco mais baixo, mais rouco, fazendo um arrepio de satisfação subir por minha espinha. — Se você me permitir, eu até posso ajudá-la a se divertir um pouco mais.

Pela forma como seu olhar se prendeu no meu, não precisei de explicações sobre o que estava acontecendo ali: a malícia em seu olhar, a provocação e o desejo em sua voz. Eu fiquei três anos sem saber o que era um flerte, mas não quer dizer que eu morri. Me aproximo um pouco mais e digo em voz baixa:

— Achei que você não estivesse procurando diversão — o provoco, lembrando das palavras que ele disse a Mady.

Ao me ouvir, seu sorriso se abriu ainda mais e ele encurtou ainda mais a distância entre nós, deixando apenas dois centímetros. Eu podia sentir sua respiração, calma e segura, batendo em meu rosto.

— E não estou — ele fala, com a voz quase em um sussurro. — Eu estava esperando por você.

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