Mundo de ficçãoIniciar sessãoA música continuava alta, as vozes se misturavam e as luzes do bar passavam pelo rosto das pessoas.
Mas Vincent percebeu uma mudança nela. Kira ainda sorria. Ainda parecia a mesma. Só que agora houve um pequeno atraso nos movimentos, uma tentativa quase automática de esconder que a bebida tinha pesado. Ele observou enquanto ela pegava o copo novamente. Antes que levasse aos lábios, ele segurou delicadamente sua mão. — Chega. Kira olhou para ele, surpresa. — Isso foi uma ordem? Um leve sorriso apareceu no rosto dele. — Um conselho. Ela olhou para o copo e depois para ele. —Não para, você tem que se divertir mais. Você tem certeza que não nasceu com uns cinquenta anos? Vincent soltou uma risada baixa. — Por quê? — Porque às vezes você parece um senhor preocupado com a vida de todo mundo. Proibindo tudo Ele balançou a cabeça. — Eu só estou vendo que você já passou do seu limite. Kira tentou negar. Mas quando levantou rápido demais, o próprio corpo entregou a verdade. —Acho que você tem razão, estou perdendo a minha coragem Vincent segurou seu braço. Dessa vez ela não reclamou. Só ficou alguns segundos olhando para ele. — Eu odeio quando estou errada. — Eu percebi. Ela sorriu de canto. — Não seja, convencido. —Não estou sendo. Eu sou Observador. A resposta fez ela rir. E por alguns segundos ele ficou apenas olhando aquele sorriso. Porque era diferente. Não parecia uma máscara.Parecia legítimo — Vamos sair daqui. Kira olhou para os amigos. — Eu devia avisar a eles. Se eu sair assim eles iram sentir minha falta — Avise. Ela ficou surpresa. Talvez esperasse que ele decidisse por ela. Mas ele apenas esperou.. Ela foi até a mesa, explicou que iria embora e voltou alguns minutos depois. Os amigos se despediram, mas nenhum deles se ofereceu para levar ela embora Vincent já estava esperando. Do lado de fora, o ar frio fez Kira respirar mais fundo. — Melhorou? Ela assentiu. — Um pouco. Ele abriu a porta do carro. Ela parou antes de entrar. Por um instante pareceu querer dizer alguma coisa. Talvez um agradecimento, se ele não estivesse ali, como as coisas seguiriam. Os amigos que estavam com ela não se importavam com ela, como ele que nem tinha tanta intimidade Vincent percebeu. Mesmo assim, não perguntou. Só esperou. E isso chamou a atenção dela. —Vincent Ele parou e olhou para ela por cima do teto do carro —Sim Ela olhou para ele —Eu não costumo fazer isso —O que? Ela olhou para o carro — Entra no carro de estranho. Ele riu Ela completou —Nem deixar alguém cuidar de mim a expressão dele suavizou — As vezes é bom deixar outra pessoa cuidar de vez em quando Ela se sentiu confortável ao lado dele, como se tirasse um peso do peito Porque ele não tentava arrancar dela coisas que ela não estava pronta para entregar.Nao fazia perguntas que ela não queria responder . Não agia de forma que fazia ela querer fugir Ele só estava preocupado em ajudar uma pessoa que ele mal conhecia por assim dizer Kira entrou no carro. E pela primeira vez naquela noite, ela não sentiu que precisava fingir que estava tudo bem.. E apesar dela não demostrar, não estava bem. Mas naquele momento ela só precisava seguir o fluxo na direção que o Vincent estava levando E quando o carro começou a andar, ela percebeu que a sensação mais estranha daquela noite não era ela estar indo para o apartamento dele Era confiar nele






