Mundo ficciónIniciar sesiónCamila caminhava pelos corredores de pedra com as pernas trêmulas. Não era apenas o impacto do que fora dito que a deixava sem prumo, mas a própria beleza de Mahesh. A imagem do peitoral musculoso sob o linho branco e a virilidade que ele emanava sem esforço haviam gravado uma marca em sua mente que ela não conseguia apagar. O encontro deixara um rastro de eletricidade em suas mãos e uma confusão mental que a impedia de focar no caminho. Ela se sentia flutuando naquele labirinto de sândalo e seda até que uma assistente do retiro, vestida com uma túnica de algodão cru, tocou levemente seu ombro.
— É hora do jantar — disse a mulher com um sorriso calmo. — Por aqui, por favor.
Camila foi conduzida a uma das alas laterais do palácio. A sala de jantar não possuía uma suntuosidade direta, mas estava longe de ser simplória. O ambiente era equilibrado, projetado para acolher. As paredes de tom ocre eram decoradas com tecidos de linho rústico que pendiam do teto alto, suavizando a acústica do local. Longas fileiras de velas de cera de abelha estavam dispostas em nichos escavados na própria pedra, projetando sombras longas e uma luz alaranjada que dançava sobre o mobiliário de madeira escura.
No centro, uma mesa retangular imensa e pesada ocupava quase toda a extensão do cômodo. Cerca de vinte mulheres já estavam acomodadas, o murmúrio de suas vozes criando um zumbido ansioso. Camila, alta e com sua postura aristocrática, sentiu-se observada. Seus seios grandes sob a túnica leve e suas coxas grossas faziam-na se sentir exposta naquele ambiente. Ela procurou um lugar vago, tentando evitar contato visual com seus olhos marrons expressivos que ainda carregavam a repressão de anos.
— Ei, aqui! — uma voz vibrante chamou.
Era Sofia. A jovem parecia perfeitamente em casa. Sua pele bronzeada brilhava sob a luz das velas e seus olhos verdes faiscavam com uma curiosidade que Camila invejava secretamente.
Camila sentou-se ao lado dela, tentando organizar os cabelos lisos e longos que teimavam em cair sobre o rosto de porcelana.
— E aí? Como foi com o "Grande Mestre"? — Sofia sussurrou, aproximando-se tanto que Camila sentiu o calor que emanava da pele da garota.
— Foi... intenso. Diferente do que eu esperava — Camila respondeu, a voz quase sumindo.
— Imagino. O Mahesh é o ápice da virilidade, não acha? — Sofia sorriu, e seus lábios, naturalmente úmidos e corados, brilharam. — Aquele peitoral entreaberto na camisa... é de tirar o fôlego de qualquer uma. Ele transpira sexo.
Camila sentiu o rubor subir instantaneamente por seu pescoço, manchando o rosto claro com um tom rosado. Antes que pudesse formular uma resposta, um som metálico e agudo cortou o ar.
Uma mulher do retiro, posicionada na cabeceira da mesa, havia batido um sino de bronze. O silêncio caiu sobre a sala como um manto pesado.
— Em fila, irmãs — instruiu a mulher. — Peguem sua sopa e seu pão. Voltem à mesa e comam em silêncio absoluto. Este não é apenas um jantar; é uma meditação sensorial. Prestem atenção em cada movimento da mandíbula. Sintam como o corpo reage ao alimento.
Camila seguiu na fila, sentindo o peso de seu próprio corpo. O aroma da sopa de lentilhas com especiarias indianas era forte e terroso. Ao retornar ao seu lugar com a tigela de barro e o pão integral quente, ela percebeu que o silêncio era frágil.
Lá no fundo da mesa, uma mulher começou a falar um pouco mais alto. Imediatamente, o sino foi batido com força: Dimm!. O grupo se encolheu, e o silêncio retornou, mais denso desta vez. O sino tocava sempre que alguém falava, até que todas ficaram quietas.
Camila levou a primeira colherada à boca. A comida era excelente. O caldo de lentilhas tinha uma textura aveludada, temperado com um equilíbrio perfeito de cominho, açafrão e um toque sutil de leite de coco que amaciava as especiarias. O calor do líquido contrastava com o frescor da sala, enviando ondas de conforto por seu corpo tenso. O pão integral era rústico, com uma casca crocante que exigia uma mastigação consciente, revelando um sabor de grãos tostados. Ela fechou os olhos, tentando seguir a instrução. Sentiu o picante do gengibre atingindo o fundo da garganta.
Sofia, ao seu lado, comia com uma naturalidade animal. Em certo momento, ela virou o rosto para Camila e abriu um sorriso largo, sem mostrar os dentes, mas com os olhos verdes brilhando em uma cumplicidade silenciosa que dizia sobre a estranheza da experiência.







