Sara Moratti
O relógio de ouro que eu costumava consultar obsessivamente em Zurique estava guardado no fundo de uma mala. Pela primeira vez na vida, o tempo não era uma moeda de troca ou uma métrica de eficiência; ele era um oceano vasto, escuro e quente, exatamente como a lagoa que cercava a nossa villa em Bora Bora.
O ar estava tão saturado de umidade e perfume que parecia ter peso. Cada respiração era um gole de um coquetel inebriante de sal, flores de gardênia e o aroma terroso da vegetaçã