Alexandre Moretti
O relógio de parede marcava duas da manhã. O escritório estava impregnado com o cheiro de café forte e o calor dos servidores que processavam os dados que eu colhia sobre os Fontes. Eu estava debruçado sobre um mapa da mansão de Ricardo, marcando os pontos cegos das câmeras, quando a porta se abriu suavemente.
Não precisei olhar para saber que era minha mãe, Stella Moratti. A minha rainha.
Minha mãe tem um jeito de caminhar que é silencioso, mas carrega uma autoridade que até eu respeito sobre tudo.
Sabia que a sua visita não era de cortesia, minha mãe estava preocupada. Ela me conhecia bem demais para não se envolver.
— Alê, as luzes desta ala deveriam estar apagadas há horas — disse ela, aproximando-se da mesa. Ela não olhou para os gráficos financeiros, mas sim para a foto de Elena que estava presa no meu mural de cortiça.
Minha mãe era uma mulher forte, que teve um começo difícil, mas que com o meu pai, transformou a dificuldade em força.
— Você mal tem do