Sara Ventura
O asfalto de São Paulo ainda estava úmido da garoa da madrugada quando o carro deslizou silenciosamente pelas ruas arborizadas dos Jardins. Eram pouco mais de quatro da manhã. A cidade, esse monstro de concreto que eu costumava domar antes mesmo do sol nascer, parecia estranhamente submissa sob a luz amarelada dos postes. No banco de trás, a mão de Gabriel permanecia firme sobre a minha, um lembrete constante de que a bolha de paz que construímos em Bora Bora não tinha estourado a