capítulo 4

***CAPÍTULO 4***

ELSA VALCUT NARRANDO

Alcancei minha bolsa depois que desliguei o laptop, a previsão meteorológica informa que irá nevar cair muita neve nas próximas horas, o aconselhável é sair cedo do trabalho para evitar trânsito nas estradas. Fiquei em pé e entrei na sala do advogado Douglas.

- Chefe, estou indo.

Me despeço dele.

- Bom descanso, irei sair em breve.

Ele falou concentrado no computador.

- Igualmente para o advogado.

Falei, saio da sua sala, vou diretamente para a recepção, chamei o elevador e aguardei.

- Advogada Elsa.

Não preciso virar para saber quem é.

- Advogado Nicholas.

Murmurei sem muito interesse em conversar, as portas abriram e nós entramos.

- O que acha de sairmos para jantar?

Franzi o cenho.

- Não obrigada pelo convite.

Dispensei.

- É um convite inofensivo.

Convite inofensivo? Eu não o conheço, quem convida desconhecidos para comer?

- Eu não te conheço.

Falei sem rodeios.

- Não vamos nos conhecer se não sairmos para comer, sei que é uma gulosa interessante.

Virei o rosto para seu rosto, Nicholas é um homem bonito, bom de olhar, bom de tocar e bom para exibir, mas, ele sabe disso, ele sabe que é lindo e provavelmente está acostumado a ter muitas calcinhas sobre seus pés a hora que quiser, o que não o torna interessante para mim.

- Eu sinto muito.

Falei calmamente, as portas do elevador abriram, sou a primeira a sair indo para o estacionamento, destravo às do meu carro e entrei, lentamente tirei meu carro do estacionamento e dirigi de volta para casa. Sou recebida pelo cheiro gostoso e familiar de comida, joguei minha bolsa no sofá e fui até a cozinha, mamãe sorriu para mim.

- Filha, você chegou.

Fui até ela, dei-lhe um beijo na sua bochecha, depois lavei às mãos para atacar tudo que encontrar pela frente.

- Como foi seu dia?

Mamãe perguntou, terminei de mastigar para a responder.

- Muito bem, um pouco puxado, mas nada que eu não esteja acostumada.

Informei beliscando pedaço de carne de perú.

- Tem certeza que foi uma boa ideia sair da outra Firma? Era mais prestigiada.

Eles nunca teriam me dado um espaço para crescer, diferente da nova Firma, eles não estão preocupados em competir entre eles, estão focados em resolver todos os casos que conseguirem, o que abre amplo espaço para crescer e me tornar advogada familiar respeitada.

- Tenho certeza, mãe, em menos de dois dias de trabalho, tenho um caso para trabalhar.

- Deus abençoe, isso é muito bom filha, eu e seu pai iremos comprar bolo de comemoração.

- Comida é sempre bem-vinda.

Puxei uma cadeira para sentar, estou morrendo de fome, depois eu vou tomar banho e descansar.

- Hoje irá nevar, não é bom que pegue estrada.

Aconselhei.

- Seu pai está a caminho para me buscar, não se preocupe conosco.

Papai dirige uma picape, é melhor opção no momento.

- Tudo bem.

Falei comendo, mamãe terminou de montar a geladeira e depois lavou às mãos, uma buzina ecoou, é papai, fiquei em pé e fui até a entrada da casa, está nevando.

- Mamãe se apresse.

Gritei.

- Oi pai.

Eu gritei, papai baixou vidro do carro e acenou para mim, a temperatura baixou consideravelmente nos últimos minutos.

- Filha, até domingo.

Mamãe disse passando por me, ela desceu às escadas correndo, e foi até o carro, está nevando, espero que cheguem bem em casa. De volta para o interior da casa, terminei de comer, lavei a louça, depois organizei a cozinha, verifiquei às portas e janelas antes de subir para meu quarto.

Na manhã seguinte, dei uma pausa no tribunal para entrar com o processo legal e me apresentar a polícia como advogada do caso de disputa de bens antes da separação. Cheguei no meu local de trabalho um pouco em cima da hora.

O telefone fixo começou a tocar.

- Assistente Elsa Valcut...

- Advogada, ele foi embora, ele saiu de casa sem me pagar.

A cliente do outro lado da linha parece bem desesperada.

- Mantenha a calma, você conseguiu alguma prova?

Perguntei, a instruí a gravar as conversas, já que o acordo deles foi verbal, preciso de uma prova que o dinheiro foi um empréstimo e não dado.

- Sim, eu gravei ele afirmando que não ia devolver o dinheiro emprestado pois ele pagou por me aturar e horas de sexo.

- Perfeito, não se preocupe, não o procure, não entre em contato sem minha autorização, você terá seu dinheiro de volta junto com um pedido de desculpas.

Confirmei, liguei meu laptop, irei pressionar o juiz encaminhado do caso, eu quero entregar a intimação pessoalmente para o idiota.

- Meu dinheiro.

- Não se preocupe, mantenha a calma.

- Deixo com você.

Ela encerrou a ligação, rapidamente iniciei o relatório do caso, quanto mais cedo eu resolver este problema, melhor, antes que ela perca a paciência e me faça perder o caso por agressão.

Fiquei em pé e fui à recepção entregar o relatório para que fosse enviado ao tribunal de imediato.

- Advogada Elsa, Assistente Ju do Advogado Nicholas, ele mandou-me entregar este caso.

- Não sou Advogada criminal.

Respondo sem interesse no caso.

- É uma caso de ambas questões, assassinato e questão familiar.

- Não defendo assassinos.

Sou direta.

- Douglas disse mesma coisa, vocês advogados familiares são dramáticos.

Ela murmurou insatisfeita com minha resposta.

- É para auxiliar senhor Nicholas a não cair numa armadilha familiar.

Franzi o cenho.

- Quem matou quem?

Perguntei curiosa.

- A madrasta supostamente assassinou o marido, no relatório diz que é suicídio, a filha insatisfeita insiste que é homicídio, a fortuna gira em torno de 5 milhões de dólares.

- Ela matou ou não?

Ergo meu corpo para entender.

- Sem provas.

- Fácil, diga a viúva Negra chorar em frente ao juiz e rotule a enteada como a má da história, sempre funciona, façam uma negociação cerrada, não deixem brecha para outra parte ter tempo para pensar, o resto o juiz estará ao vosso lado pelas lágrimas de crocodilo da viúva.

Falei.

- Se a enteada perder o controle e insultar a madrasta.

Dei uma dica, ela balançou a cabeça entendendo o que quero dizer, questões familiares podem ser um desafio para um advogado criminal, ele está acostumado a lidar com provas e cenas de crime, distorcer a investigação e ganhar o caso, enquanto conflito familiar envolve paciência, pulso firme, provas e fotos. Provar que ele foi um bom marido é fácil, que ele foi infiel é muito difícil, por isso às fotos em flagrante e conversas com amantes pesam forte no tribunal.

- Obrigada pela ajuda.

- Disponha.

Continuei concentrada no meu laptop, quando vejo uma sombra ao meu lado, levei um susto quando percebi que era Advogado Nicholas, ele trocou de perfume? Não senti a fragrância impactante que arrasta todo o corredor.

- Pelo seu semblante, meu perfume não denuncia minha presença.

Ele sorriu satisfeito.

- Como posso ajudar?

Minha atenção voltou a tela do laptop.

- Convidá-la para almoçar.

- Aguarde Advogado Douglas, está a caminho a essa hora.

Advogado Douglas está no tribunal desde cedo para um caso de divórcio, é provável que neste momento esteja entrando no prédio.

- Isso é um não?

- Acho que não fui educada o suficiente para dispensa-lo.

Eu suspirei fundo.

- Não, obrigada pelo convite.

Quando eu achava que ele estava começando a perder a paciência..

- Nicholas, vamos almoçar, estou morrendo de fome.

Advogado Douglas disse, estampei um lindo sorriso no meu rosto só para o irritar propositadamente.

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