O TRATO DA MINHA EX
O TRATO DA MINHA EX
Por: A. Beatriz
Prefacio

...Seattle, abril, há seis anos...

A chuva caía forte naquela noite, como se o próprio céu insistisse em acompanhar o desastre que estava prestes a acontecer. Valéria permanecia imóvel, com o coração batendo com uma força dolorosa contra o peito, enquanto olhava para ele, esperando que, talvez, tudo não passasse de um simples mal-entendido... um erro. Mas o olhar de Adrián para ela não deixava espaço para dúvidas.

Frio. Distante. Totalmente irreconhecível...

—Você não deveria ter vindo — disse ele, com uma calma que doía mais do que qualquer grito. E aquelas palavras atravessaram Valéria como uma ferida limpa e profunda.

—Eu precisava ouvir isso de você — respondeu ela, e sua voz mal conseguia soar firme, embora por dentro tudo estivesse desmoronando —. Diga-me que não é verdade.

Por um segundo, o silêncio tornou-se insuportável. Mas Adrián não hesitou e respondeu com uma frieza quase impossível de suportar.

—É verdade...

O mundo parecia ter parado. Valéria sentiu como se o ar abandonasse seus pulmões por um instante, como se, de repente, respirar tivesse se tornado impossível para ela, como se algo lhe oprimisse o peito com uma força indescritível. Seus dedos se fecharam com força em torno do casaco, buscando se apoiar em algo… em qualquer coisa.

—Então… —sussurrou ela—. Todo esse tempo em que estivemos juntos foi apenas uma simples mentira…

Ele não respondeu imediatamente. Apenas observou com aquela expressão fria que nunca havia demonstrado antes.

—Foi um erro —afirmou ele finalmente—. Aquilo foi…

“U-um erro? O que eu fui para ele durante todo esse tempo… foi apenas um erro?”

Aquela palavra pairou entre eles, pesada e definitiva. E, por um segundo, algo dentro de Valéria se partiu, mas ela não permitiu que as lágrimas escorressem. Não na frente dele. Não depois daquilo. Apenas assentiu lentamente, obrigando-se a permanecer de pé, a não desmoronar.

—Entendo —disse ela, embora não entendesse nada. E sim, doía mais do que qualquer outra coisa no mundo. Ela se obrigou a sustentar o olhar dele uma última vez, gravando-o em sua memória… como se nunca mais fosse vê-lo. E talvez… fosse assim mesmo. —Sendo assim… então não há mais nada a dizer. Só espero que, quando chegar a hora, você não se arrependa da sua decisão, porque quando esse dia chegar, eu não vou te perdoar... Não venha me procurar de novo, Adrián.

“Me arrepender…? Por que eu deveria fazer isso, Valéria Montiel? Foi você quem traiu a promessa que fizemos pelo nosso amor”

Desta vez foi ela quem falou. Ele não tentou detê-la, não disse nada, e isso doeu mais do que qualquer outra coisa. Valéria se virou antes de desmoronar completamente e começou a andar, sentindo cada passo mais pesado que o anterior, como se estivesse deixando para trás não apenas a pessoa que havia amado durante anos… mas também a vida que havia imaginado ao lado dele. A chuva encharcou seu cabelo, suas roupas, sua pele... mas não foi suficiente para esconder o vazio que crescia dentro dela. Porque naquele momento, embora ele não soubesse... Valeria não estava indo embora sozinha e, desta vez, não haveria volta.

........

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