Clara demorou quase duas horas para terminar o texto.
E, quando terminou, percebeu que não parecia uma carta.
Parecia uma confissão.
Ela releu tudo sentada à mesa da cozinha, enquanto a casa mergulhava no silêncio da noite. Marta já havia ido embora. Ricardinho dormia. A televisão estava desligada. Não havia mais nada para distraí-la da própria verdade.
As mãos tremiam.
Não porque estivesse mentindo.
Mas porque estava escrevendo sem tentar controlar a imagem que alguém teria dela.
O notebook il