Mundo ficciónIniciar sesiónNa prestigiada Lincoln Academy, onde tradição e opulência andam de mãos dadas, Hanna tenta sobreviver às aulas entediantes e às rígidas regras vitorianas. Mas sua rotina ganha um novo capítulo — e alguns tropeços literais — quando cruza o caminho de Hyun Choi, o magnata jovem, brilhante e insuportavelmente charmoso por trás da maior empresa têxtil da região. Após um desastre digno de um romance cômico, Hanna teme que sua única chance de impressioná-lo e conquistar um estágio dos sonhos tenha ido por água abaixo. Mas se tem uma coisa que ela se recusa a aceitar, é o fracasso. Determinada a provar seu valor, ela embarca em uma jornada repleta de encontros desastrosos, diálogos afiados e reviravoltas inesperadas. Entre o luxo gótico da escola e a pressão de um futuro promissor, Hanna precisa tomar uma decisão: será que sua autenticidade é suficiente para conquistar o respeito de Hyun Choi? Ou a convivência forçada com ele irá despertar sentimentos que ela nunca imaginou? Um romance divertido e apaixonante sobre desafios, superação e o poder de um tropeço para mudar tudo.
Leer másEstava sentada no que só poderia ser descrito como uma cadeira de tortura medieval — aquelas cadeiras rígidas de madeira que parecem feitas especialmente para esmagar a alma de quem ousa encostar. O preceptor falava, ou melhor, declamava, uma ladainha sobre balanços e lucros, com a empolgação de quem narra o crescimento de uma planta.
Eu tentava prestar atenção, juro. Mas, como sempre, minha mente vagava. O relógio dourado na parede, relíquia da escola, parecia mover seus ponteiros em câmera lenta, quase de propósito, como se conspirasse contra minha liberdade. Ao mesmo tempo, minha amiga Sophie, do lado de fora da janela, gesticulava freneticamente. Ela parecia uma mistura de pássaro desengonçado e bailarina em apuros, e eu me perguntava se aquilo era um sinal. Talvez o universo estivesse tentando me dizer algo. Finalmente, o relógio badalou. O som ecoou pelos corredores da escola como um hino à liberdade. Levantei-me tão rápido que derrubei minha pena (sim, ainda usamos penas aqui, porque a escola é ridiculamente tradicional) e metade dos meus papéis no chão. — Hanna! — Sophie apareceu no corredor como um furacão, tentando ajustar suas saias e ao mesmo tempo me chamar. A Lincoln Academy era um espetáculo à parte. Imagine uma mansão vitoriana, com janelas góticas que pareciam olhar dentro da sua alma, e um jardim tão florido que parecia ter saído de um quadro. Claro, todo esse esplendor vinha com o preço de corredores frios o suficiente para você precisar de um cobertor. Algumas salas ainda tinham candelabros, e os pisos de madeira rangiam como se estivessem reclamando de cada passo. Resumindo: era um lugar perfeito para aprender ou, no meu caso, perder totalmente a concentração. — Hanna! Espere! Não pode ir embora agora! — Sophie gritou, correndo atrás de mim. — Sophie, o que foi dessa vez? — perguntei, ajustando minha bolsa de livros enquanto respirava o ar fresco do jardim. — Um eclipse solar? O Lorde Fitzroy pediu sua mão em casamento? O salão de chá está servindo biscoitos de graça? — Não brinque, é sério! Ele está aqui! Parei no meio do caminho. — Ele quem? — perguntei, olhando para ela com uma sobrancelha arqueada. — Ele, Hanna! O Hyun Choi. Se o nome soou como trovões para Sophie, para mim soou mais como um vento ligeiro. Claro, eu já ouvira falar dele. O magnata jovem, brilhante e incrivelmente bonito da Choi’s Manufactures, a maior empresa têxtil da região. Ele estava na escola porque, como em todos os anos, vinha recrutar alunos para um estágio na empresa. O que ninguém mencionou é que ele era um pedaço de mau caminho. Mas antes que eu pudesse responder algo espirituoso, meu destino se manifestou. Tropecei. Não foi um tropeço qualquer, daqueles que você consegue disfarçar com elegância. Foi um tropeço cinematográfico. Meu pé encontrou o degrau errado da escada, e, em segundos, lá estava eu, rolando escada abaixo com a graça de um saco de batatas. O universo, sempre com seu senso de humor peculiar, decidiu que eu não cairia sozinha. Não, eu precisava levar alguém comigo. Quando finalmente parei, estava estatelada no chão, e, para meu horror, quase esmaguei um homem que subia as escadas. Um homem alto, com um casaco que parecia mais caro do que minha vida inteira. Levantei o olhar, ainda tonta, e o encontrei. Ele não era apenas bonito; era perfeito. Seus olhos escuros brilhavam como carvão em brasa, e seu rosto tinha aquela simetria irritante que só existe em pinturas. E então percebi que ele estava me encarando com uma mistura de irritação e confusão. — Perdão! Perdão! — gaguejei, tentando me recompor enquanto ainda estava semi-deitada no chão. Ele estendeu a mão para me ajudar a levantar, mas seu olhar parecia dizer: “Será que devo ajudar, ou deixo essa criatura aprender uma lição?” — Está bem? — ele perguntou, finalmente, com uma voz rouca que fez minha mente divagar por dois segundos sobre o alinhamento astral dele. (Provavelmente um Escorpião, pensei.) Segurei sua mão e me levantei, tentando recuperar minha dignidade. — Sempre estou bem! — declarei, com um sorriso que esperava parecer confiante, mas que provavelmente saiu mais como um “socorro”. Sophie, que assistia à cena de longe, correu até mim, os olhos arregalados como pires. — Hanna, ele é o Hyun Choi! — sussurrou, como se o próprio rei da Inglaterra estivesse diante de nós. Se minha mente já estava bagunçada antes, agora era um pandemônio completo. Hyun Choi. O homem que poderia decidir meu futuro em um piscar de olhos. O homem que eu acabara de quase matar com minha habilidade única de ser um desastre ambulante. Ele, por sua vez, olhou para mim como quem avalia uma peça rara em um leilão. — Na próxima vez, senhorita, tente ser mais cuidadosa. E com isso, ele se virou e começou a subir as escadas. Mas, claro, não sem antes lançar um sorriso levemente sarcástico por cima do ombro. — Ah, e senhorita... cuidado para não fazer da escada sua residência permanente. Se o universo tivesse um rosto, eu o socaria naquele momento. — Sophie, você ouviu isso? Ele é insuportável! — exclamei, apertando os punhos. — Hanna, você acabou de arruinar sua única chance de entrar na Choi’s. — Arruinar? Ele que é um grosseirão! Sophie balançou a cabeça, claramente sem esperanças. — Hanna, você acredita em energia, certo? Então respire fundo e pense: O que o universo está tentando te ensinar? Respirei fundo. — Que eu preciso mostrar a ele quem eu realmente sou. Ele ainda vai me ver na Choi’s, Sophie. Vou provar que sou mais do que uma senhorita desastrada! Sophie soltou um suspiro exasperado. — Vamos começar com: não tropece mais.— Você está diferente.A voz de Sophie veio baixa, quase um sussurro, enquanto organizávamos os documentos sobre a mesa.Não levantei os olhos de imediato.— Diferente como?— Distraída.Soltei um pequeno suspiro, alinhando cuidadosamente as folhas diante de mim.— Talvez esteja apenas cansada.Sophie inclinou-se levemente na minha direção.— Ou talvez esteja pensando em alguém.Lancei-lhe um olhar rápido.— Sophie…Ela sorriu de canto, satisfeita.— Não precisa me contar nada — disse, voltando à sua pilha de papéis — mas, considerando que você passou metade da manhã sendo chamada ao escritório do Sr. Choi… eu diria que tenho minhas suspeitas.Meu coração traiu-me com uma batida mais forte.Voltei a atenção aos documentos, mas as palavras já não faziam sentido.— Foi apenas trabalho — respondi.— Claro.O tom dela dizia exatamente o contrário.Sophie era a única pessoa ali que realmente me conhecia.A única que sabia ler meus silêncios.— Hanna… — murmurou novamente, agora mais suave
Por um breve instante, não soube o que responder.A pergunta pairou entre nós como uma chama silenciosa.Sentiu minha falta?A maneira como ele disse meu nome… como se cada sílaba tivesse peso próprio… fez meu coração acelerar de forma irritantemente perceptível.Endireitei discretamente a postura.— O senhor esteve ausente por motivos de trabalho — respondi, com a voz o mais firme possível. — Naturalmente, sua presença faz falta à companhia.O silêncio que se seguiu foi… perigoso.O canto dos lábios dele se curvou levemente.Não era exatamente um sorriso.Era algo muito mais consciente.— À companhia — repetiu ele, pensativo.Seus olhos não deixaram os meus por um segundo sequer.Então ele caminhou até a mesa e apoiou-se levemente na borda, cruzando os braços com uma elegância natural.— Vejo que continua habilidosa em evitar perguntas diretas, senhorita Hanna.Corei involuntariamente.— Não creio ter evitado nada, senhor.— Não?Ele inclinou a cabeça, analisando-me como um estudioso
O sono demorou a chegar naquela noite.Virei-me algumas vezes na cama, ouvindo o suave tic-tac do relógio sobre a cômoda. A casa já estava mergulhada no silêncio, interrompido apenas pelo estalar ocasional da madeira aquecida pelo lampião.Amanhã.A palavra parecia pairar no ar do quarto.Quando finalmente adormeci, meu descanso foi leve e inquieto, povoado por lembranças e pressentimentos.Acordei antes mesmo que Clara batesse à porta.A luz suave do amanhecer atravessava as cortinas e desenhava faixas douradas sobre o assoalho. Permaneci sentada na cama por alguns instantes, tentando organizar meus pensamentos.Era apenas mais um dia de trabalho.Nada mais.Levantei-me e escolhi com cuidado um vestido apropriado para o escritório: azul-claro, de corte simples, com mangas discretas e cintura bem marcada. Prendi os cabelos em um coque baixo e alinhado, embora tivesse de refazê-lo duas vezes até ficar perfeitamente apresentável.Observei meu reflexo no espelho.Respirei fundo.Precisav
Assim que Ivy nos encontrou, ela apareceu radiante, de braços dados com um cavalheiro alto e muito bem-apessoado, enquanto outro, um pouco mais baixo, caminhava logo atrás, claramente encantado com sua companhia.— Ah, aqui estão vocês! — disse, sorrindo. — Espero que tenham aproveitado sem mim, mas duvido que tenham se divertido tanto quanto eu!Troquei um olhar com Sophie.— Tenho certeza de que a senhorita encontrou formas bem interessantes de se entreter — respondi, arqueando uma sobrancelha.— Oh, Hanna, não seja tão séria! — Ivy revirou os olhos, soltando-se dos cavalheiros com um sorriso. — Mas agora, podemos ir? Estou exausta de tanto ser cortejada.— Exausta, é? — Sophie riu. — Que sofrimento o seu.Ivy piscou para nós, divertida, antes de se despedir de seus admiradores com uma leve inclinação de cabeça. Logo depois, voltamos para a carruagem, onde o cocheiro nos aguardava pacientemente.O caminho de volta foi tranquilo, mas Sophie, como sempre, não perdeu a oportunidade de










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