O dia demorou a passar, mas não de um jeito comum. Era arrastado, pesado, como se cada minuto exigisse mais esforço do que o anterior. Giulia tentou manter a rotina, tentou se apoiar no que sempre foi natural — o piano, os alunos, o ritmo das aulas — mas nada parecia encaixar do mesmo jeito.
As notas escapavam.
Pequenos erros.
Nada que alguém de fora apontasse com facilidade, mas o suficiente para ela perceber. E isso bastava.
Porque não era falta de técnica.
Era falta de espaço na cabeça.