Capítulo 3

Capítulo 3

No final do dia, Mark saiu de sua sala, despedindo-se educadamente das secretárias. Elena sentiu algo faltar no momento em que ele saiu.

Despediu-se da outra secretária e foi para o elevador. Achando que o patrão já havia descido, entrou às pressas, para não perder o tempo. E então... Ela se chocou contra ele.

Mark a segurou. Ela ergueu o olhar, assustada. Sentiu um arrepio percorrer todo o corpo, um calor inesperado se espalhando por sua pele. Sua respiração acelerou, e uma sensação íntima e perturbadora latejou, lá embaixo.

Sentiu-se imediatamente envergonhada com a forma como seu corpo reagiu, afastou-se com dificuldade murmurando:

— Perdão, achei que o senhor já tinha descido.

— Não se preocupe. Isso acontece — respondeu, num tom que parecia divertido.

— Qual andar vai descer?

— No estacionamento.

— Claro — disse, apertando o botão.

Elena desviou o olhar da mão dele, mas não conseguiu ignorar o que sentia. Por um instante, sua mente traçou imagens perturbadoras: as mãos dele percorrendo seu corpo.

Corou intensamente, amaldiçoando mentalmente a própria imaginação.

Como posso sentir isso? pensou, incrédula consigo mesma, excitada de forma inexplicável.

No estacionamento, Mark se despediu.

— Boa noite, senhorita Lancaster — disse, com um tom baixo, que fez o corpo dela estremecer mais uma vez.

Ele se afastou, o segurança foi logo atrás e entraram na limusine.

Elena permaneceu sentada no próprio carro, com as mãos no volante, incapaz de mover-se. Respirou fundo algumas vezes, tentando retomar o controle, mas os dedos apertavam involuntariamente ao redor do volante.

Só quando conseguiu relaxar um pouco, ligou o carro e foi para casa. O caminho pareceu longe demais com as sensações que ainda permaneciam em seu interior.

Ao chegar ao pequeno apartamento onde morava com o noivo, em um bairro afastado onde o aluguel era mais acessível, Elena ainda sentia os vestígios da excitação.

Ela desligou o carro, e murmurou para si mesma:

— Que diabos… aconteceu comigo hoje?

Elena entrou no apartamento, colocando as chaves no lugar certo e dando uma olhada ao redor. O lugar estava uma bagunça. A pia cheia de louça acumulada. Suspirou ao ver Rubens jogando vídeo game, todo largado no sofá, descalço, de bermuda, xingando alto cada adversário online.

— Rubens? — chamou, hesitante.

— Só um momento… — respondeu ele, sem desviar os olhos da tela.

Ela sabia que aquele “momento” poderia facilmente se arrastar por horas.

Deixou a bolsa na mesa e foi para a cozinha. Limpou a pia, organizou o espaço e colocou a lasanha que havia preparado no forno. Preparou uma salada rápida e, enquanto esperava, tomou uma ducha rápida.

De roupão, voltou à cozinha e desligou o forno.

— Vai jantar? — perguntou, tentando soar casual.

Ele nem se moveu, ainda estava vidrado na tela, atirando nos inimigos virtuais.

— Não, já comi — respondeu, distraído.

Elena balançou a cabeça. Ele vivia de miojo e comidas rápidas, e se continuasse assim acabaria doente. Suspirou, resignada, e começou a comer sozinha. A excitação que sentiu no elevador e na limusine havia finalmente passado após o banho.

Mas, devagar, enquanto lavava a louça, a sensação voltou, mais sutil. Fazendo o corpo ficar arrepiado.

Olhou para Rubens, mordendo o lábio. Talvez a sensação passasse se tentasse se satisfazer com ele. Aproximou-se do sofá e sentou devagar no colo do noivo.

— Rubens… — murmurou, baixinho, beijando o pescoço dele.

— Espera aí, Elena! Agora não dá! Sai, sai ou vou perder desses desgraçados! — Ele a empurrou.

Ela suspirou, derrotada, e se afastou. Na janela, um gato preto que os observava discretamente desapareceu pelo beiral.

Elena caminhou até o quarto, deixando o celular na mesinha ao lado da cama e fechou a porta. Sentou-se na beira, o corpo ainda estava inquieto. Uma lágrima deslizou pelo rosto. Faz meses que Rubens não a tocava, que não havia sequer um gesto de carinho verdadeiro, tudo se limitava ao vídeo game.

Suspirou profundamente e se deitou.

O instante em que encostou a cabeça no travesseiro, a excitação voltou com força, mais intensa e incontrolável do que antes.

Ela suspirou, não conseguiria dormir daquele jeito, tão necessitada. Então, fez o óbvio: afastou um pouco o roupão e colocou a mão entre as pernas. Deslizou os dedos suavemente pela pele quente, extremamente úmida, estava literalmente pingando. Então, concentrou-se no ponto mais sensível.

O gato, que se afastou antes, observava agora da janela do quarto. Com a mão livre, ela apertou um seio por cima do roupão, enquanto os dedos da outra mão esfregavam, com agilidade crescente, o núcleo de todo aquele calor. A respiração acelerou, e, em poucos instantes, seu corpo arqueou num gemido alto, enquanto a onda do clímax a inundava.

Agora, finalmente, Elena podia descansar. Seu corpo estava parcialmente satisfeito, e o cansaço, inevitável, começou a dominá-la. Fechou os olhos, deixando-se levar pelo sono.

O gato preto permaneceu na janela por alguns instantes, como um guardião de seu descanso, observando cada movimento, cada suspiro dela. Quando teve certeza de que Elena havia se entregado ao sono profundo, saiu e desapareceu na noite.

***

Enquanto isso, Mark andava descalço pelo quarto, vestindo apenas um roupão antigo e pesado. Entre os dedos longos, tinha uma taça de vinho tinto.

Ele se aproximou da janela, a brisa entrou suavemente, suspirou, olhando para o jardim e mais ao horizonte as luzes da cidade ao longe.

— Elena… — sussurrou, sua voz baixa, foi levada pelo vento, chegando até os ouvidos dela, que ainda estava adormecida.

Mesmo sonolenta, Elena mexeu-se entre os lençóis.

Ele sabia que mesmo à distância, sua voz tinha o poder de alcançá-la, de deixá-la inquieta, e por um instante, sorriu, satisfeito.

Mark tomou o vinho em um único gole, deixou a taça em algum lugar distraidamente enquanto saia do quarto e andava pelo corredor. Descalço, andou pela mansão, até as escadas de mármore.

Ao chegar à sala, abriu as vidraças e deixou o ar da noite envolver-se com a penumbra. Num instante, seu corpo se dissolveu em fumaça escura, leve, que se contorceu suavemente antes de atravessar o espaço até a borda da piscina externa.

Ali, a fumaça se condensou novamente em carne e osso, revelando Mark, parado, imóvel, olhando seu reflexo na água calma. O espelho líquido refletia o corpo idoso, marcado pelo tempo. E então, em segundos que pareceram uma eternidade, o reflexo começou a se transformar, rejuvenescendo gradualmente: a pele se alisando, os ombros se tornando mais largos, os cabelos escurecendo e brilhando com vida.

— Vlad… você deve retornar… — murmurou ele, se dirigindo à própria imagem de quando era jovem.

O reflexo assentiu, sereno e desapareceu, deixando apenas a forma atual de Mark refletida na superfície da água.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App