# Capítulo 13: Uma Rachadura no Gelo
**Ponto de Vista: Neil Bodvan**
Eu observo das sombras. Tornou-se um hábito. O corredor do segundo andar tem uma vista discreta para a grande sala de estar, onde instalei um pequeno telescópio, não para as estrelas, mas para o meu próprio universo doméstico. É uma invasão de privacidade, eu sei. Patético para um homem do meu poder. Mas é a única maneira que conheço de me conectar com a vida que pulsa em minha própria casa sem contaminá-la com meu... vazio.
Hoje, a chuva transformou o mundo exterior em um borrão de cinza. Dentro, porém, algo diferente está acontecendo. Alice – a senhorita Coone, como insisto em chamá-la em minha mente – está sentada no chão com Loren. Não há brinquedos caros ou eletrônicos à vista. Apenas pedaços de papel. Aviões de papel.
Uma memória fantasma, afiada e dolorosa, me atinge. Annelise. Ela costumava fazer isso. Ela dizia que cada avião carregava um desejo. Lembro-me de um dia de verão nos Hamptons, o céu azul infinito