Quando Marta começou a narrar, Camila percebeu que aquilo não era só uma história; era uma cicatriz viva, uma memória que Marta carregava como se fosse parte do próprio corpo.
— Miguel Silva… era esse o nome dele. — Marta respirou fundo, e as lágrimas surgiram nos olhos dela antes mesmo de outra frase, porque ali não existia teatro, existia uma verdade bastante dolorida. — Ele nasceu na periferia de São Paulo. Um pai alcoólatra, um homem que desaparecia por dias, que voltava para descarregar a