CAPÍTULO 8
Os três dias seguintes foram o pesadelo mais longo da vida de Helena.

Ela foi empurrada, insultada e até derrubada de propósito. Seus joelhos bateram no chão e ficaram cobertos de sangue.

Ninguém tratou seus ferimentos. Ninguém deu a Helena sequer um gole de água limpa.

Helena se encolheu em um canto e contou o tempo com os dentes cerrados.

Em três dias, estaria livre.

Na tarde do terceiro dia, a porta de ferro finalmente se abriu.

Leonardo estava parado na entrada, contra a luz. Helena não conseguia enxergar sua expressão.

Só quando se aproximou, o coração dele estremeceu de leve.

— O que aconteceu?

As roupas de Helena estavam tão sujas que já não dava para reconhecer a cor original. Seus braços e joelhos estavam cobertos de hematomas e escoriações, e havia sangue seco no canto da boca.

Bianca imediatamente segurou o braço de Leonardo e falou com suavidade:

— Helena deve ter se machucado de propósito para fazer você sentir pena.

Ela fez um gesto de desdém com os lábios.

— Foram apenas alguns dias presa. O que poderia ter acontecido?

Leonardo encarou Helena por alguns segundos. No fim, seu rosto ficou frio.

— Helena, você não vai parar nunca?

Helena puxou o canto dos lábios. Não tinha forças nem para se explicar.

Depois que voltaram para a mansão, Leonardo, pela primeira vez em muito tempo, não foi embora imediatamente.

Ele se sentou no sofá e anunciou com tranquilidade:

— De agora em diante, fico com você às segundas e terças. No resto da semana, fico com Bianca.

Helena permaneceu junto à escada, sem responder.

— Hoje é quarta-feira. Preciso ir ficar com ela. — Leonardo se levantou e pegou o casaco. — Não me incomode nos próximos dias.

Ao chegar à porta, acrescentou:

— Volto na segunda-feira.

Helena olhou para ele e respondeu com indiferença:

— Está bem. Adeus.

Era ridículo. Leonardo realmente achava que ela ainda estaria ali esperando por sua volta?

Ele franziu a testa, aparentemente surpreso com a atitude de Helena, mas não disse nada. Apenas se virou e saiu.

No instante em que a porta se fechou, o celular de Helena vibrou.

"Srta. Helena, o cancelamento do seu registro civil foi concluído."

Helena encarou a mensagem. Seus olhos ficaram úmidos, e o coração bateu tão forte que parecia prestes a saltar do peito.

Ela estava livre.

Helena pegou imediatamente a mala que já tinha preparado e saiu da mansão sem olhar para trás.

No aeroporto, seus pais já esperavam por Helena junto ao portão de embarque.

Assim que viu Helena, sua mãe abraçou a filha com força, com os olhos vermelhos.

— Meu bem, acabou.

Helena assentiu, também com os olhos vermelhos.

Sim. Tinha acabado.

Seis anos antes, em uma noite de neve, Leonardo tinha se ajoelhado diante da casa dela e prometido gravar Helena em sua própria vida.

Agora, era Helena quem arrancava aquele nome de dentro da sua.

Quando estavam prestes a embarcar, ela tirou o celular, removeu o chip e o partiu ao meio entre os dedos.

— Este é o seu cartão de embarque. — Disse a funcionária com educação.

Helena jogou o chip quebrado na lixeira, pegou o cartão e caminhou a passos largos para o portão, de mãos dadas com os pais.

Suas costas estavam retas, e não havia nenhuma hesitação em seus passos.

Daquele momento em diante, Leonardo não existiria mais em seu mundo.

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