Os três dias seguintes foram o pesadelo mais longo da vida de Helena.
Ela foi empurrada, insultada e até derrubada de propósito. Seus joelhos bateram no chão e ficaram cobertos de sangue.
Ninguém tratou seus ferimentos. Ninguém deu a Helena sequer um gole de água limpa.
Helena se encolheu em um canto e contou o tempo com os dentes cerrados.
Em três dias, estaria livre.
Na tarde do terceiro dia, a porta de ferro finalmente se abriu.
Leonardo estava parado na entrada, contra a luz. Helena não conseguia enxergar sua expressão.
Só quando se aproximou, o coração dele estremeceu de leve.
— O que aconteceu?
As roupas de Helena estavam tão sujas que já não dava para reconhecer a cor original. Seus braços e joelhos estavam cobertos de hematomas e escoriações, e havia sangue seco no canto da boca.
Bianca imediatamente segurou o braço de Leonardo e falou com suavidade:
— Helena deve ter se machucado de propósito para fazer você sentir pena.
Ela fez um gesto de desdém com os lábios.
— Foram apenas alguns dias presa. O que poderia ter acontecido?
Leonardo encarou Helena por alguns segundos. No fim, seu rosto ficou frio.
— Helena, você não vai parar nunca?
Helena puxou o canto dos lábios. Não tinha forças nem para se explicar.
Depois que voltaram para a mansão, Leonardo, pela primeira vez em muito tempo, não foi embora imediatamente.
Ele se sentou no sofá e anunciou com tranquilidade:
— De agora em diante, fico com você às segundas e terças. No resto da semana, fico com Bianca.
Helena permaneceu junto à escada, sem responder.
— Hoje é quarta-feira. Preciso ir ficar com ela. — Leonardo se levantou e pegou o casaco. — Não me incomode nos próximos dias.
Ao chegar à porta, acrescentou:
— Volto na segunda-feira.
Helena olhou para ele e respondeu com indiferença:
— Está bem. Adeus.
Era ridículo. Leonardo realmente achava que ela ainda estaria ali esperando por sua volta?
Ele franziu a testa, aparentemente surpreso com a atitude de Helena, mas não disse nada. Apenas se virou e saiu.
No instante em que a porta se fechou, o celular de Helena vibrou.
"Srta. Helena, o cancelamento do seu registro civil foi concluído."
Helena encarou a mensagem. Seus olhos ficaram úmidos, e o coração bateu tão forte que parecia prestes a saltar do peito.
Ela estava livre.
Helena pegou imediatamente a mala que já tinha preparado e saiu da mansão sem olhar para trás.
No aeroporto, seus pais já esperavam por Helena junto ao portão de embarque.
Assim que viu Helena, sua mãe abraçou a filha com força, com os olhos vermelhos.
— Meu bem, acabou.
Helena assentiu, também com os olhos vermelhos.
Sim. Tinha acabado.
Seis anos antes, em uma noite de neve, Leonardo tinha se ajoelhado diante da casa dela e prometido gravar Helena em sua própria vida.
Agora, era Helena quem arrancava aquele nome de dentro da sua.
Quando estavam prestes a embarcar, ela tirou o celular, removeu o chip e o partiu ao meio entre os dedos.
— Este é o seu cartão de embarque. — Disse a funcionária com educação.
Helena jogou o chip quebrado na lixeira, pegou o cartão e caminhou a passos largos para o portão, de mãos dadas com os pais.
Suas costas estavam retas, e não havia nenhuma hesitação em seus passos.
Daquele momento em diante, Leonardo não existiria mais em seu mundo.