CAPÍTULO 7
Helena ficou sentada sozinha no jardim até o anoitecer. Só então conseguiu acalmar o coração.

Ela se levantou e entrou na mansão. Rafael estava deitado sozinho no sofá, e os amigos dele já tinham ido embora.

Ele estava completamente bêbado. Mesmo dormindo, ainda chamava o nome de Beatriz várias vezes.

Helena ouviu em silêncio, tirou a tabela de pontos e descontou mais cinco.

Desta vez, ela não cuidou dele como sempre fazia. Em vez disso, começou a arrumar as malas.

Os presentes que Rafael tinha dado a ela, as fotos dele que ela guardava com tanto cuidado, os copos de casal, os chinelos...

Tudo que tinha relação com ele foi separado e jogado no lixo.

Helena passou a noite inteira arrumando tudo. Quando Rafael acordou no dia seguinte, viu a sala pela metade.

— Quando você recebeu alta? Por que tem tanta coisa faltando em casa?

— Ontem à noite. Não consegui dormir, então joguei fora algumas coisas que não usava mais.

Ao ouvir a resposta dela, Rafael olhou ao redor e sentiu que havia algo errado.

— Não usava mais? Tanta coisa assim deixou de servir?

Helena estava prestes a responder quando o celular dele tocou.

— Rafael, você tem tempo hoje para me acompanhar na consulta de retorno?

Rafael apenas confirmou, se levantou na mesma hora, foi se arrumar e saiu às pressas.

Olhando para ele atravessar a porta, Helena respondeu em voz baixa:

— Porque eu vou embora em breve. Então nada disso vai servir mais.

Nos dias seguintes, Rafael continuou sem dar notícias.

Mas, pelas mensagens que Beatriz enviava, Helena sabia que os dois estavam juntos, fazendo compras, comendo fora, vendo filmes.

Ela não se importou. Apenas se concentrou em embalar as malas e enviar suas coisas para a Cidade N.

No dia do aniversário de morte do pai, Helena vestiu preto, encomendou um buquê e estava prestes a sair quando Rafael, que acabava de voltar, a chamou.

— Hoje é o aniversário de morte do professor. Eu vou com você ao cemitério.

Nos últimos anos, os dois sempre tinham ido juntos prestar homenagem. Helena também não recusou e entrou no carro dele.

Durante todo o caminho, o carro ficou em silêncio. Ninguém falou nada.

Quando chegaram ao cemitério, os dois prestaram homenagem diante da lápide.

Olhando para o sorriso do pai na foto em preto e branco, Helena se ajoelhou e inclinou a cabeça com força algumas vezes.

— Pai, eu decidi me divorciar de Rafael e ir para a Cidade N correr atrás do meu sonho. Se o senhor soubesse, também ficaria feliz por mim, não ficaria? Antes de morrer, o que mais preocupava o senhor era eu, por isso pediu a Rafael que cuidasse de mim. Mas agora eu cresci. Já consigo cuidar da minha própria vida. Então decidi começar de novo e não depender mais de ninguém.

Depois de contar tudo o que estava guardado no coração, começou a chover.

Os dois não ficaram mais ali. Desceram a montanha juntos.

No caminho de volta, talvez por vê-la calada demais, Rafael tentou consolá-la.

— Eu sei que você sente muita falta do professor. Mas quem se foi não volta. Eu vou ficar ao seu lado. Se estiver triste, pode falar comigo.

Helena realmente queria conversar com ele.

Mas não sobre o pai que tinha morrido.

Ela queria falar sobre o divórcio.

Helena respirou fundo e ainda procurava as palavras quando o telefone de Rafael tocou.

— Sr. Rafael, aconteceu uma coisa! A Srta. Beatriz sofreu um acidente e está em atendimento de emergência no hospital!

No instante em que ouviu a notícia, Rafael freou bruscamente e se virou para Helena.

— Helena, pega um táxi e volta sozinha.

Ao ouvir a pressa e o pânico na voz dele, Helena baixou os olhos e abriu a porta do carro em silêncio.

Ela ficou parada sob a chuva com o guarda-chuva aberto, vendo o carro esportivo disparar para longe. Então pegou o celular para chamar um carro.

O vento ficou mais forte, virando o guarda-chuva para todos os lados. Ela mal conseguia segurar o cabo.

Helena abaixou a cabeça para escapar da chuva que batia de frente, mas não percebeu um carro vindo devagar logo adiante.

Com um impacto seco, o carro atingiu seu corpo em cheio e a derrubou no chão.

A chuva caiu forte sobre seu rosto, enquanto o sangue escorria sem parar.

Ela segurou o abdômen, tomado por dores contínuas. O rosto ficou pálido como papel, e sua consciência foi se apagando aos poucos...

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