Era para ser o dia mais feliz da minha vida. Amei Algustus por dez anos e, finalmente, tive a oportunidade de tê-lo de verdade.
Aqui estava eu, vestida de noiva, o véu banhando meu corpo. Olhava-me no espelho, admirando o próprio reflexo, com um sorriso impecável e largo. Meu coração estava eufórico pela conquista.
Se eu pudesse voltar atrás... Hoje, exatamente no dia do meu casamento, teria fugido para o mais longe possível. Teria abandonado esse amor obsessivo.
Mas não. Naquele dia, eu só conseguia pensar nele.
Algustus Wolter.
E no meu imenso amor por aquele homem...
Antes
Pérola, minha amiga de infância, era filha de uma grande amiga da minha mãe. Crescemos juntas – ela, Algustus e eu.
Aos dezesseis anos, Pérola começou a namorá-lo. E quando o relacionamento terminou, eu fui a primeira pessoa a consolá-la.
— Ele é um homem horrível! Como pôde fazer isso comigo? — soluçava, inconsolável.
— Você tem certeza que ele fez isso? Ele não seria capaz... — murmurei, recusando-me a acreditar.
— Eu vi, Maitê! Vi com meus próprios olhos! Ele estava na cama com outra garota na festa do Ronald!
Pérola estava desolada, mas eu me recusei a aceitar. Conhecia Algustus o suficiente para saber que ele não faria algo assim... ou pelo menos queria acreditar nisso.
Mesmo indo contra todas as evidências, mergulhei ainda mais nesse sentimento.
Dias depois, encontrei-o na empresa de nossos pais, já que ambos eram sócios.
— Algustus... oi! — cumprimentei, sorrindo e colocando uma mecha do meu cabelo ruivo atrás da orelha.
— Maitê... — respondeu ele, sem muita empolgação.
— O que faz aqui?
— Meu pai está me treinando para ser seu sucessor. Ele pretende se aposentar.
— Nossa! Então vai ser um homem de negócios cedo!
— Pois é.
Não me deu muita atenção. Olhou o relógio e suspirou.
— Preciso ir, tenho um compromisso.
Ele se virou para sair, mas, num impulso, segurei seu braço.
— Espera...
Ele me encarou com intensidade.
— Soube que terminou com a Pérola.
— Ela já te contou... — comentou, abrindo um sorriso pequeno.
— Não dava mais certo?
Ele acenou, confirmando.
— Bom, vou indo...
Antes de se afastar completamente, inclinou-se e beijou meu rosto, tão próximo à minha boca que minha respiração falhou. Então, segurou meu queixo por um instante e disse:
— Você ainda é só uma menina.
Fiquei confusa, mas ele sorriu de forma maliciosa e simplesmente se afastou, deixando-me ali, sozinha e atordoada.
Eu não era mais uma menina. E ele só tinha três anos a mais do que eu. Naquele momento, com seus dezenove anos, Algustus já era um homem feito... e eu não conseguia parar de desejá-lo.
....
Os anos se passaram, e meu fascínio por Algustus só crescia. Eu alimentava esse sentimento secreto há anos, observando-o de longe enquanto ele seguia sua vida. Vi tantas mulheres passarem por seus braços enquanto eu me tornava uma mulher.
Ele assumiu o lugar do pai e começou a trabalhar ao lado do meu. Eu inventava desculpas para visitar a empresa, apenas para vê-lo.
Bati na porta de sua sala e entrei sem esperar resposta. Mas, naquele dia, me deparei com uma cena que me paralisou.
Algustus estava nu da cintura para baixo, entre as pernas de sua secretária, completamente entregue ao ato.
— Porra...
Ele saiu de dentro dela num movimento rápido e puxou as calças às pressas, me olhando contrariado.
— Maitê!
Meu olhar se voltou para a mulher, reconhecendo-a de imediato. Senti meu rosto esquentar e meu coração martelar dentro do peito.
— Desculpa!
Saí da sala atordoada, um sorriso nervoso escapando dos meus lábios enquanto minhas mãos tremiam.
Ouvi a voz dele soar irritada logo atrás de mim.
— Vamos... saia!
A porta se abriu, e a mulher saiu cabisbaixa. Meu olhar voltou para Algustus, que agora fechava o cinto, negando com a cabeça.
— Isso será um segredo nosso.
Ele deu um passo à frente, seus olhos fixos nos meus. Meu corpo enrijeceu quando ele se aproximou.
— Me diga, Maitê...
Seu olhar percorreu meu rosto, como se procurasse algo.
— Nenhum homem já te tocou?
Meu coração disparou. O atrevimento em sua voz, a intensidade no olhar, tudo nele me instigava.
— Por que diria isso a você?
O encarei com desafio. Ele pressionou os lábios, um sorriso ladino surgindo.
— Por querer saber… somos amigos, não?
Amigos. Esse era um título que eu não queria carregar.
— Não ao ponto de dizer essas coisas!
Ele riu de forma debochada. Antes que pudesse responder, a porta da sala se abriu.
— Ah… filha!
Virei-me e vi meu pai entrando.
...