Capítulo 22
Assassino

O hospital tinha aquele cheiro irritante de desinfetante misturado com medo. Um odor que não sai da roupa nem da memória. Pessoas iam e vinham pelos corredores, passos apressados, vozes sussurradas, choros contidos. Médicos com jalecos amarrotados, familiares desesperados agarrados a qualquer centelha de esperança… e, ainda assim, ninguém reparava em mim.

Ninguém nunca repara.

Essa sempre foi a minha maior vantagem.

Dei um gole no café morno que comprei apenas para justificar minha
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