Capítulo 4
Alguns dias depois, Leonardo me mandou um endereço.

— Minha mãe te convidou para jantar, quer conversar sobre o casamento.

Digitei e apaguei várias coisas na tela, hesitando por um longo tempo, até finalmente responder com um simples [Tudo bem].

Mesmo já tendo decidido terminar, eu sentia que devia uma explicação pessoalmente à mãe dele.

Afinal, em sete anos de relacionamento, a mãe de Leonardo, Dionísia, sempre me tratou com carinho e cuidado.

Quando entrei na sala reservada do restaurante, Dionísia já estava lá.

Trocamos algumas palavras amáveis, e só então Leonardo chegou, atrasado e trazendo Norah a tiracolo.

— Mãe, essa é a Norah, minha colega da empresa vizinha e também melhor amiga da Fausta.

— O restaurante fica perto do trabalho, então eu aproveitei e a trouxe para jantar com a gente.

Dionísia pigarreou de leve, com o semblante um pouco fechado.

Leonardo, no entanto, agiu como se não tivesse notado nada. Pegou o cardápio e começou a fazer os pedidos direto.

Todos os pratos que ele escolhia eram os favoritos da Norah.

Ele e Norah amavam pimenta, mas eu não tolerava.

Toda vez que saíamos os três, eles se deliciavam com a comida apimentada, enquanto eu muitas vezes tossia sem parar depois de dar apenas duas garfadas.

Dionísia franziu a testa e olhou para mim.

— Leonardo, não peça tantos pratos apimentados.

Só então Leonardo pareceu se lembrar da minha existência e soltou com desdém: — Então pede essa sopa de castanhas. A Fausta gosta de coisas doces.

Senti uma pontada amarga no peito. Só no final dos pedidos ele me concedeu aquela migalha de consideração.

— Leonardo. — Norah olhou para ele com uma expressão de pena e depois para mim. — A Fausta tem alergia a castanhas.

Ao ser alertado, Leonardo finalmente demonstrou um pouco de pânico e começou a folhear o cardápio apressadamente: — Ah, então troca. Pede aquele...

— Não precisa se incomodar. — Levantei-me da cadeira, interrompendo-o.

Que piada.

Sete anos, e não foram suficientes para que ele conhecesse os meus gostos.

Até para lembrar das minhas restrições alimentares ele precisava que alguém o avisasse.

Olhei para Dionísia com um sorriso de desculpas e falei com a voz suave: — Me desculpe, mas eu não vou ficar para o jantar. O Leonardo e eu já terminamos.

Após dizer essas palavras, dei as costas e saí do restaurante.

Leonardo não veio atrás de mim.

Foi só no fim da tarde que Leonardo finalmente se arrastou até a porta do meu antigo apartamento.

Ele tocou a campainha várias e várias vezes, mas ninguém atendeu.

Assim que a impaciência começou a surgir em seu rosto, o vizinho do lado colocou a cabeça para fora:

— Pode parar de bater, rapaz, o apartamento está vazio. A moça que morava aí se mudou na semana passada.

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