Alguns dias depois, Leonardo me mandou um endereço.
— Minha mãe te convidou para jantar, quer conversar sobre o casamento.
Digitei e apaguei várias coisas na tela, hesitando por um longo tempo, até finalmente responder com um simples [Tudo bem].
Mesmo já tendo decidido terminar, eu sentia que devia uma explicação pessoalmente à mãe dele.
Afinal, em sete anos de relacionamento, a mãe de Leonardo, Dionísia, sempre me tratou com carinho e cuidado.
Quando entrei na sala reservada do restaurante, Dionísia já estava lá.
Trocamos algumas palavras amáveis, e só então Leonardo chegou, atrasado e trazendo Norah a tiracolo.
— Mãe, essa é a Norah, minha colega da empresa vizinha e também melhor amiga da Fausta.
— O restaurante fica perto do trabalho, então eu aproveitei e a trouxe para jantar com a gente.
Dionísia pigarreou de leve, com o semblante um pouco fechado.
Leonardo, no entanto, agiu como se não tivesse notado nada. Pegou o cardápio e começou a fazer os pedidos direto.
Todos os pratos que ele escolhia eram os favoritos da Norah.
Ele e Norah amavam pimenta, mas eu não tolerava.
Toda vez que saíamos os três, eles se deliciavam com a comida apimentada, enquanto eu muitas vezes tossia sem parar depois de dar apenas duas garfadas.
Dionísia franziu a testa e olhou para mim.
— Leonardo, não peça tantos pratos apimentados.
Só então Leonardo pareceu se lembrar da minha existência e soltou com desdém: — Então pede essa sopa de castanhas. A Fausta gosta de coisas doces.
Senti uma pontada amarga no peito. Só no final dos pedidos ele me concedeu aquela migalha de consideração.
— Leonardo. — Norah olhou para ele com uma expressão de pena e depois para mim. — A Fausta tem alergia a castanhas.
Ao ser alertado, Leonardo finalmente demonstrou um pouco de pânico e começou a folhear o cardápio apressadamente: — Ah, então troca. Pede aquele...
— Não precisa se incomodar. — Levantei-me da cadeira, interrompendo-o.
Que piada.
Sete anos, e não foram suficientes para que ele conhecesse os meus gostos.
Até para lembrar das minhas restrições alimentares ele precisava que alguém o avisasse.
Olhei para Dionísia com um sorriso de desculpas e falei com a voz suave: — Me desculpe, mas eu não vou ficar para o jantar. O Leonardo e eu já terminamos.
Após dizer essas palavras, dei as costas e saí do restaurante.
Leonardo não veio atrás de mim.
Foi só no fim da tarde que Leonardo finalmente se arrastou até a porta do meu antigo apartamento.
Ele tocou a campainha várias e várias vezes, mas ninguém atendeu.
Assim que a impaciência começou a surgir em seu rosto, o vizinho do lado colocou a cabeça para fora:
— Pode parar de bater, rapaz, o apartamento está vazio. A moça que morava aí se mudou na semana passada.