Minha noite com ele

De repente a gritaria coletiva aumentou exponencialmente e uma música começou a se instaurar naquele lugar, as cortinas no palco caíram e lá estava ele! Fiquei hipnotizada pelo sorriso daquele homem, na minha mente não havia mais nada além dele ali

 Uma das meninas daquele grupo acabou me notando sozinha e imóvel ali no show e quando Peter deu um breve intervalo entre uma música e outra ela se aproximou e disse:

– Anima aí garota, é o Peter que tá ali, esquece o idiota que tá te causando essa cara de pateta!

Em seguida me puxou para perto do grupo dela e deu um sorriso, segurou a minha mão e ergueu para o alto junto com a dela e começou a balançar no embalo da música que Peter estava cantando. Essa situação me arrancou um sorriso, o cara que me deixava com cara de pateta estava ali no palco. Isso deveria ser óbvio para todo mundo. Continuei ainda meio absorta no meu íntimo, até que Peter começou a música que me fez ficar louca por ele, um sorriso bobo começou a tomar meu rosto. Meu pensamento: Tá meu Pitico, eu sou sua, só sua....Devo admitir, é bizarro como eu mudo completamente o meu comportamento quando o assunto é ele.

De repente Peter caminhou pelo palco e ficou bem na nossa frente! As meninas foram à loucura, começaram a gritar, uma delas chorava e tremia. E eu ali no meio delas, paralisada, olhando em seus olhos como se estivesse sob efeito do seu feitiço. Sim, ele era realmente lindo e fez meu coração acelerar. É claro que na minha fantasia ele era muito mais do que aquilo, mas não me importava. Ele estava ali a poucos metros de mim. Mas de repente fui tirada do transe por um tumulto que se formava à minha volta. E a culpa era de Peter, as pessoas perceberam que ele estava olhando para alguém daquela pequena parte. Ele cantava e apontava para alguém da multidão como se estivesse dedicando a música para a pessoa. As meninas rodavam os olhos em volta para descobrir quem era a sortuda, outras delas começavam a chorar achando que era a homenageada. Foi quando ele parou de cantar deixando só a melodia tocando pela banda no fundo e começou a falar:

— Estou vendo aqui na minha direção um grupo de garotas vestidas com blusas com o meu rosto e faixa nas cabeças. Garotas, vocês são demais, obrigada pelo carinho.

Pronto, elas piraram! Entre gritos e lágrimas elas pulavam emocionadas. E não era para menos né. Enquanto eu permanecia ali,imóvel, mas de boca aberta. A estratégia delas de serem notadas deu certo afinal.E em nenhum momento eu tinha pensado nisso. Quando todo mundo achou que ele ia continuar a cantar ele continuou falando:

— Uma de vocês não veio uniformizada de time do Peterzinho aqui, não sei se você veio para cá arrastada pelas suas amigas ou se foi seu namorado ciumento que te proibiu de vir vestida assim. Mas saiba que seus lábios vermelhos me chamaram a atenção e essa música é para você!

As garotas se olhavam indignadas e ao mesmo tempo começavam a me sacudir com euforia e aquela multidão começou a gritar e cantar junto com ele. Era de mim que ele estava falando?! Quais eram as chances daquilo acontecer? O show seguiu e foi incrível, mas eu não conseguia aproveitar como as outras pessoas, eu observava cada movimento dele naquele palco e me passou pela cabeça a possibilidade dele fazer mais gracinhas para outra pessoa naquela noite. Minha cara esquentou na hora, aquele homem só deu mais munição para as fantasias que aconteciam no meu mundinho criativo. Acabei notando ele se aproximar de um homem de terno preto que estava no canto do palco, falou algo no ouvido dele e o homem saiu de seu posto e sumiu. O homem era um  daqueles seguranças que sempre ficam ali prontos para tirarem as malucas que se atrevem a subir no palco para agarrar os artistas. Peter continuou cantando e começou a andar pelo palco novamente e parou na nossa direção de novo. Ele cantava, mas seus olhos pareciam procurar alguma coisa ou alguém na multidão, quando avistou o que queria deu um sorriso. Ah…e que sorriso aquele desgraçado tinha, atingia a todas as minhas expectativas. Afinal, quem mais aquele safado estava procurando? Ele ia fazer mais uma gracinha para quem? Fiquei ali devaneando na minha raiva e nem percebi quando ele pegou uma rosa, deu um beijo nela e jogou na direção em que eu e as meninas estávamos e foi aquele tumulto para pegar a rosa. Só pensei, serei pisoteada! Nunca tinha visto uma confusão generalizada como aquela, eu mal conseguia respirar. De repente senti uma mão me puxar me arrancando daquele bolo. Um braço forte me envolveu contra o seu corpo. Estava bem machucada, levei pisões, tinha arranhões e provavelmente alguns hematomas. Abraçada pelo meu salvador, fui andando em meio a multidão, ergui meus olhos e vi que era um segurança que estava me tirando dali e isso me acalmou.

Havia uma ambulância com uma equipe pronta para atender qualquer um que passasse mal durante o show, mas o homem passou direto comigo por ela e eu olhei para ele confusa. Ele apenas fez um gesto com a mão dizendo para eu ficar calma. Fui levada para os bastidores e ele me conduziu para uma sala muito arrumada e confortável e disse para eu aguardar ali que alguém iria ver meus ferimentos e saiu logo em seguida. 

 Minha cabeça doía demais e os arranhões que eu sofri estavam ardendo muito, estava toda suja e descabelada. Parecia que eu tinha acabado de sair da guerra, eu era um trapo humano. Ouvi a porta se abrindo e duas pessoas entrando, era um homem de branco bem afeiçoado que parecia ser médico ou enfermeiro e uma mulher loira com maquiagem forte que vestia um avental canguru cheio de pincéis de maquiar em seu bolso e nas mãos dela uma maleta.

O homem se aproximou de mim de maneira gentil perguntando se eu estava bem e começou a me examinar. Quando terminou ele sorriu e disse:

—- Não se preocupe, você se machucou um pouco mas não tem nada grave, esse remédio vai passar sua dor na cabeça. Por favor, tente não beber muito álcool nas próximas 12 horas, vou deixar você com a Kátia agora.

Eu agradeci ainda meio confusa, porque aquela maquiadora estava ali? E por que eu estava tendo um atendimento tão vip assim? Ela se aproximou com um sorriso irônico e já foi logo falando

—- É…esse é o “efeito Peter”, sinto muito que você tenha passado por isso. Você deve ter levado um baita susto — Disse ela já abrindo sua maleta de maquiagem e preparando os pincéis para começar seu trabalho.

— Sim, minha cabeça ainda tá rodando — Falei enquanto passava minha mão esfregando meus cabelos.

__ Você quer ligar ou avisar para suas amigas que você está bem, me dê seu telefone para que eu posso tranquilizá-las — Ela falou já metendo a mão no meu celular sem que eu pudesse reagir

Olhei sem reação e balancei a cabeça em negativa —- Eu vim ao show sozinha e em casa estão me esperando somente ao meio dia, tá tudo bem. Ela sorriu e colocou meu telefone em seu bolso do avental —- Ninguém do seu grupo de amigos curte o Peter né, eu sei como é isso. Uma vez eu fui ao cinema ver um filme francês que meus amigos faziam chacota. Não nasci colada com ninguém, fui sozinha. A gente não deve depender de ninguém para fazer o que gosta, não é mesmo? — Ela conversava de maneira descontraída enquanto arrumava meu cabelo e me maquiava.

—- Por que está me arrumando? —- Não é possível que todo mundo que saiu machucado dali ia ser atendido assim, fiquei sem entender.

 —-- Menina você estava um caco, imagina se você volta pro show parecendo uma mendiga? E quando o show acabar? Como você iria voltar para casa naquele estado deplorável?

Eu sorri para ela e agradeci, minha aparência era de dar dó mesmo, mas ela me deixou linda e ainda me passou um batom vermelho vivo destacando no meu rosto já que o resto da maquiagem era leve. 

—Nossa, estou melhor do que antes. Vocês vão atender todas as meninas que se machucaram? Acho que são muitas para dar conta.---- Ela deu um meio sorriso e ficando de pé.

 — Não se preocupe, todo mundo terá o atendimento que merece.

Ela falava enquanto arrumava suas coisas e quando terminou caminhou em direção a porta, se despediu e foi embora. Eu me distraí me olhando no espelho quando me dei conta de que ela havia levado meu celular, mais essa agora! E eu estava fazendo o que ali ainda? Fui em direção a porta e quando abri tinha um segurança do lado de fora que logo foi me abordando 

— Por favor, senhorita, aguarde mais um pouco aí dentro. Ainda tem muito tumulto aqui fora e está acontecendo uma entrevista na entrada dos bastidores. Assim que possível você será conduzida em segurança. —- Ele falava de maneira gentil, mas me senti intimidada.

 — Aquela moça que me maquiou está com o meu celular voc…— Fui rapidamente interrompida por ele

 —-Seu telefone está comigo e será devolvido quando você não estiver nas nossas dependências. Não se preocupe, é apenas um protocolo de segurança.--- Assenti com a cabeça, voltei para dentro da sala e me deitei naquele sofá, era só o que eu podia fazer. Provavelmente ia ficar ali por horas até tudo se acalmar. Mas que situação é essa em que eu fui me meter.

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