Mundo de ficçãoIniciar sessãoNolan Kingston
Merda, nem em um milhão de anos imaginei que estaria aqui agora, sendo o protagonista de mais um escândalo, quando sabia que isso era tudo o que deveria evitar se não quisesse perder mais contratos. A verdade, no entanto, era que quebrar a cara de Brody estava entre as coisas preferidas na minha lista secreta de desejos, e foi por essa merda que não perdi a oportunidade de revidar.
O soco que o desgraçado acertou não fez sequer cócegas no meu queixo, mas bastou que meu punho o acertasse para que respingos de sangue deixassem o nariz do infeliz. Quando alguns caras do time se enfiaram entre nós dois, tive certeza de que não teria conseguido parar sozinho. O encarei, ainda ofegante, com os punhos cerrados, tremendo de ódio. Queria acreditar que nossa rivalidade acontecia porque sempre nos dávamos mal nas reuniões, ou pela fama de filho da puta que o desgraçado tinha com as mulheres, mas desonesto não estava entre os meus defeitos, e isso fez com que eu encarasse a culpada por tudo.
Não que ela soubesse que eu odiava Brody porque conseguiu não apenas namorar a minha ex melhor amiga, mas tomá-la de mim, porra.
Andei até Angélique quando percebi que estava tremendo. Os olhos azuis intensos me encaravam de um jeito assustado que eu odiava. — Você está bem? — Questionei.
Foi surpresa que ela tenha estendido as mãos para tocar meu queixo, mas foi ainda mais intenso sentir os dedos macios deslizarem pela minha mandíbula, num hematoma que só agora começava a latejar. — Eu quem deveria estar perguntando isso... — Sussurrou.
Porra, se estava bem? Claro que não. Como eu estaria, quando tudo o que conseguia pensar era em agarra-la no meio daquele salão cheio de pessoas nos encarando e tirando fotos?
Como um babaca hipnotizado, não consegui desviar os olhos dela. Angel sempre foi excepcional com o cabelo em uma confusão de ruivo e loiro e olhos azuis, mas parecia diferente agora. Não era mais a menina que eu conhecia e que parecia inocente demais para o mundo em que desejávamos na época. Era mais mulher, mais linda e, para a minha desgraça, infernal de tão atraente.
— Nolan? Você ouviu algo do que eu disse?
— Merda, desculpe. Pode repetir?
As sobrancelhas franzidas da infeliz deixaram o rostinho confuso quase irresistível.
Qual a porra do meu problema? A última coisa de que preciso é me envolver de verdade com a única mulher com quem eu não deveria. Se no passado tive medo de estragar nossa amizade, agora havia bem mais a perder.
Nunca fui um cara ruim, mas estava longe de ser o melhor namorado do mundo. Magoar mulheres era algo que eu parecia fazer bem, embora nunca fosse essa a intenção. Não era minha culpa se elas não entendiam o que sexo casual significava, e, ainda assim, quando começava a notar os sinais, já tinha um novo nome na lista, apenas esperando para me difamar na mídia, claro.
— Nossa, vamos sair daqui. Você não está bem. — Angélique murmurou, mas era ela quem estava pálida.
Olhei uma última vez para o Brody, que agora dava uma entrevista coletiva improvisada, enquanto todos no salão pareciam interessados no que o infeliz tinha a dizer.
Agarrei a cintura da Angel e a puxei comigo para o lado oposto ao que ela estava tentando me arrastar.
— Nolan, o que você... o que está fazendo? Ficou doido?
Não respondi, porque não precisava.
Disse a Angel que nosso acordo era irrevogável e não estava brincando.
Senti o corpo tenso quando paramos praticamente ao lado do infeliz. Por alguma razão, não saber as reais emoções que ela sentia com relação ao ex-namorado me deixou mais incomodado do que deveria.
— Aparentemente ela estava me traindo, e eu... — Brody fazia seu clássico drama de vítima, assim como quando nós o derrubávamos no campo. — Droga, me desculpem... mesmo tendo seguido em frente, isso ainda é bem difícil para mim.
Percebi que Angélique engolia em seco, calada de um jeito como só via quando estava ao lado dos pais conservadores. Aquela merda estava indo longe demais, e eu não estava disposto a deixar que ele continuasse despejando aquelas porcarias sobre ela na mídia.
— Eu e Angélique estamos apaixonados e juntos há dois dias. Tenho certeza de que é um intervalo razoável, considerando que terminaram há um mês, mas olhe, com certeza não foi o suficiente para que eu pudesse engravidá-la Então tirem as conclusões de quem é a vítima nessa merda de situação.
— Senhor Kingston, está dizendo que foi o senhor Vance quem traiu a Barbie primeiro? — Os olhos do infeliz chegaram a brilhar diante da ideia de que teria mais um escândalo para estampar as capas de revistas de fofocas.
— Se Brody quer ser corno, o problema é dele. — Olhei o infeliz com um sorriso de deboche preso em meu rosto, e logo depois as câmeras. — Não estou aqui para falar do relacionamento da Angel com ele, porque essa merda já nem existe mais. Ela tem um homem de verdade agora. Alguém que sabe valorizar o que tem ao lado e que não vai trocá-la por uma bijuteria barata. Boa noite.
— Senhor Kingston, só mais uma palavra...
Não esperei por mais perguntas. Espalmei a mão na base da coluna da Angélique e a tirei daquele ambiente. O rosto dela estava pálido, e os olhos levemente arregalados começaram a me deixar bastante preocupado.
— Merda, está tudo bem com você?
Ela não respondeu de imediato, e isso só aumentou ainda mais a minha apreensão.
Do lado de fora do evento, esperei que o manobrista trouxesse o carro. Tirei o terno quando percebi que ela tremia ao meu lado, e, mesmo sem saber se era por ainda estar sob o efeito do que aconteceu lá dentro ou do clima, eu a cobri, notando como minhas roupas provavelmente ficariam enormes nela, quando sabia que isso era a última coisa que deveria pensar naquele momento.
— Você não está bem. Me diga o que está sentindo. — Exigi, segurando-a pelos ombros, enquanto tocava as laterais do rosto delicado.
— Eu... eu não sei. Eu estou um pouco tonta. Eu...
Angel não conseguiu terminar, e nem foi preciso. Seu corpo se inclinou para a frente e ela despejou tudo o que aparentemente havia comido naquele evento.
Não me importei que tivesse manchado o sapato, mas com a ideia que surgiu na minha cabeça quase de forma automática Uma que eu me recusei a aceitar até que ela simplesmente deslizasse da minha boca, deixando um gosto tão amargo que me surpreendeu.
— Angélique, você está grávida daquele filho da puta?







