Mundo de ficçãoIniciar sessãoElara Narrando
O dia da grande festa de bodas da empresa finalmente chegou. Era um dos eventos mais importantes do ano para a Ashford. Além de comemorar mais um marco da multinacional, seria uma noite de discursos, premiações e da presença de investidores, empresários e convidados influentes. Tudo precisava estar impecável, e eu sabia exatamente o quanto Roger estava ansioso. Na verdade, eu também estava. O discurso que ele fará na noite havia sido escrito por mim. Passei dias organizando cada palavra, buscando um equilíbrio entre emoção, liderança e visão de futuro. Roger apenas fez alguns pequenos ajustes para que o texto tivesse ainda mais a personalidade dele. Durante a semana, ele esteve completamente mergulhado no trabalho. Entre reuniões, viagens rápidas e videoconferências, quase não conseguimos nos encontrar fora da empresa. Quando nos víamos, era sempre pelos corredores da empresa ou durante alguma reunião do conselho. Mesmo assim, ele fazia questão de me ligar antes de dormir. — Está com saudade de mim? Sorri ao ouvir sua voz do outro lado da linha. — Muita. — Prometo que depois da festa tudo volta ao normal. — Eu vou cobrar essa promessa. Ele riu baixinho. — Você sempre cobra. E eu adorava aquele riso. Na manhã da festa acordei mais animada do que o normal. Tomei um café leve e, logo depois, os profissionais de confiança da minha mãe chegaram em casa. Ela nunca confiava sua equipe de beleza a qualquer pessoa e, depois de tantos anos, aquelas mulheres já faziam parte da família. Meu cabelo foi o primeiro. Os fios longos e lisos receberam um tratamento para ficarem ainda mais brilhantes. Minha franja foi cuidadosamente modelada, enquanto o restante do cabelo ganhou um movimento elegante nas pontas, sem perder a leveza que eu tanto gostava. Depois veio a maquiagem. Queria algo sofisticado, mas delicado. A maquiadora valorizou meus olhos cor de mel com tons quentes e um delineado discreto. A pele ficou iluminada na medida certa, os lábios receberam um tom rosado elegante e, quando me olhei no espelho, mäl consegui esconder o sorriso. Em seguida fiz as unhas. Escolhi um tom clássico e sofisticado, que combinava perfeitamente com o restante da produção. Cada detalhe era pensado para que tudo conversasse entre si. Enquanto terminavam os últimos retoques, minha mãe entrou no quarto segurando uma caixa de veludo. — Está pronta? — Acho que sim. Ela sorriu. — Ainda falta isso. Dentro da caixa estavam as joias que ela havia separado para mim. Um delicado colar de esmeraldas cercadas por diamantes, brincos que combinavam perfeitamente e uma pulseira elegante que completava o conjunto. — Mãe, são lindas. — Você merece. Abracei-a com carinho antes de vestir meu vestido. Quando o tecido verde-esmeralda deslizou pelo meu corpo, tive a sensação de que aquela era exatamente a escolha certa. O vestido valorizava minha silhueta com elegância, possuía um caimento impecável e transmitia sofisticação sem exageros. Calcei um salto nude que alongava minhas pernas e mantinha toda a atenção voltada para o vestido. Por fim, borrifei meu perfume favorito nos pulsos e atrás das orelhas. Respirei fundo. Olhei meu reflexo mais uma vez. Pela primeira vez em muito tempo, senti que tudo estava exatamente como eu sempre sonhei. Essa noite, eu vou estar ao lado do homem que amo, assistiria ao discurso que eu mesma havia escrito para ele e celebraria mais uma conquista da empresa que também fazia parte da minha história. Sorri para meu reflexo. — Vai ser uma noite inesquecível. Naquele momento, eu acreditava nisso com todo o meu coração. Pouco antes do horário marcado, o motorista da empresa chegou para me buscar. Assim que entrei no carro, não consegui conter o sorriso. Enquanto observava a cidade pela janela, senti uma felicidade difícil de explicar. Daqui a alguns meses eu serei oficialmente uma Ashford. Tudo parecia estar caminhando exatamente como eu sempre sonhei. Durante o trajeto, ajeitei discretamente o vestido ve conferi minha maquiagem no espelho da bolsa. Estava tudo perfeito. Quando o carro parou em frente ao salão onde aconteceria a festa, meu coração acelerou. O motorista abriu a porta e, assim que desci, encontrei Roger me esperando na entrada. Ele usava um elegante smoking preto, perfeitamente ajustado ao corpo. Assim que nossos olhares se encontraram, ele sorriu. — Uau... Me aproximei dele. — O que foi? Ele segurou delicadamente minha mão. — Você está simplesmente deslumbrante. Senti meu rosto esquentar. — Você também está lindo. Roger deu um beijo carinhoso na minha testa. — Vamos? Hoje é uma noite importante. — Vamos. Entrelaçamos os braços e entramos juntos no salão. Os flashes dos fotógrafos começaram imediatamente. Cumprimentávamos empresários, acionistas e convidados enquanto caminhávamos pelo enorme espaço decorado com arranjos sofisticados, lustres de cristal e mesas impecavelmente organizadas. Muitas pessoas paravam para conversar conosco. — Senhorita Elara, parabéns pelo excelente trabalho no conselho. — Obrigada. Fico muito feliz em ouvir isso. Outros cumprimentavam Roger pelo crescimento da empresa. Era uma noite de celebração. Eu estava feliz. Muito feliz. Não demorou muito para que Liara, a secretária de Roger, se aproximasse. Ela caminhou apressada até nós. — Senhor Roger, preciso falar com o senhor por um instante. Roger olhou para mim. — Amor, já volto. Deve ser alguma coisa relacionada aos investidores que acabaram de chegar. Sorri tranquilamente. — Pode ir. Eu espero. Ele acariciou discretamente minha mão antes de acompanhar Liara. Continuei conversando com alguns convidados, completamente despreocupada. Os minutos passaram. Depois mais alguns. Comecei a reparar que Roger ainda não havia voltado. Foi quando meu sogro apareceu ao meu lado. — Elara, você viu o Roger? Franzi levemente a testa. — Ele foi resolver uma coisa com a Liara. Achei que estivesse com o senhor. Ele balançou a cabeça. — Não o vejo há um bom tempo. Aquilo me causou um pequeno incômodo. Conhecendo Roger, ele jamais demoraria tanto justamente na noite em que faria o principal discurso da empresa. Olhei discretamente ao redor do salão. Nada dele. Talvez tivesse surgido algum problema de última hora. Talvez precisasse da minha ajuda. Respirei fundo e sorri para o meu sogro. — Vou procurá-lo. Quem sabe ele esteja precisando de mim. Sem imaginar o que encontraria poucos minutos depois, comecei a caminhar pelos corredores reservados do salão, convencida de que estava apenas indo ajudar o homem que eu amo.






