Capítulo 2

Mary Anne

Meses antes... 

Sangue cigano, liberdade, música e fogo… isso é o que me define. Aliás, é o que define toda a família Brown.

Sou Mary Anne Brown, nunca herdei o sobrenome do meu pai, porque minha mãe achava ele fraco demais para dar a mim seu sobrenome. Não o vejo desde pequena, mas sinceramente? Não sinto falta. O amor e acolhimento na família Brown é a característica mais forte que nós, descendentes de Romanis temos. Todos se amam incondicionalmente. Nós brigamos? Sim! E muito, mas ninguém de fora pode se meter à besta conosco, porque se mexeu com um, mexeu com todos.

Entro pelos portões da grande mansão Carmichael, em Greenwitch, estou ansiosa para pular para uma nova etapa da minha vida. Vim para Connecticut por causa de uma campanha publicitária. Três semanas de fotos, estúdios chiques e luzes quentes. Meu sonho de montar meu próprio estúdio de fotografia, que está cada dia mais próximo. Enquanto isso eu modelo, poso para fotos e ficarei na minha tia Magda, até encontrar um apartamento. Ela insistiu que eu ficasse na casa dela. “Família não paga hotel”, disse ela com aquele tom que não aceita discussão.

Hoje era noite das garotas, e estávamos reunidas para beber, comer e contar as últimas fofocas. Mas minha cabeça estava um pouco longe, eu ia fazer uma campanha que me renderia um bom dinheiro para montar meu estúdio de fotografia, finalmente esse projeto iria sair do papel. Mais duas campanhas boas e pronto.

A noite foi tranquila e divertida como sempre. Conheci Samantha e Benjamin, passei um tempo com a família depois de meses viajando a trabalho e uma estadia longa no Brasil.

— Esse Logan safado! Finalmente criou coragem! — gritei, vendo meu primo de trinta e seis anos ajoelhado no tapete persa da sala pedindo a namorada em casamento.

Foi bom ver meu primo se amarrando com alguém tão livre e feliz. Peguei Benjamin e fui para o quarto, ele pecisava brincar e os aduktos iam comemorar esse momento com champanhe. Brinquei um pouco com ele enquanto desfazia as malas e quando descemos, faço caretas e barulhos engraçados para Benjamin dar gargalhadas, ele é tão fofo e especial, que meu útero coça.

Chegando na sala de jantar me surpreendo com a presença de um homão da porra. Ele é branco bronzeado, alto, ombros largos veste uma camisa branca de linho aberta no colarinho, revelando um pedaço de pele bronzeada. Calça escura bem cortada, dando destaque as suas coxas grossas e volume bem avidente entre suas pernas... Seus cabelos são escuros com mechas grisalhas nas têmporas e barba bem aparada quase branca que o deixam absurdamente sexy. Um homem que parecia ter saído de um comercial de perfume caro. Porte atlético, queixo marcado, olhos azuis escuros qua pararou em mim.

— Clarke, essa é a minha sobrinha Mary Anne, ela é filha da irmã mais velha de Magda. — Meu tio me apresentou. — acho que não viu ela depois que cresceu.

— Ah, então ele é o padrinho de Logan? Ouvi falar muito dele, mas achei que era mais velho.

— Você quer dizer que achava que eu fosse um velhote como Tony? — Ele fala finalmente rindo, mas seus olhos ainda não desgrudam dos meus.

Ouvi Logan falar dele diversas vezes, mas só agora ele ganhava corpo e rosto. *Padrinho* de Logan. Morava na Itália, isso era tudo que eu sabia, mas me surpreendi como ele me olhava. Eu conhecia esse olhar, mas não esperava isso do padrinho do meu primo mais velho.

— Prazer em conhecê-lo, Clarke!

Ele estava hipnotizado que até eu… eu, Mary Anne Brown estava envergonhada. Eu não estendi a mão, não queria ficar ali. Seu olhar era insistente, cheio de segundas inteções. Então me despedi e fui para meu quarto, tomei banho, coloquei um pijama, mas não consegui dormir.

Ouvi passos no corredor, e me levantei para ver se era tia Magda. Mas assim que saí do quarto me esbarro numa parede dura e cheiroso. Ele segura a minha cinta para eu não cair.

Clarke.

— Oi, padrinho do Logan, eu pensei que era a tia Magda! — Falo sem ar.

— Mary Anne!

Sua voz grossa e rouca me causou arrepios.

— Esse é o meu nome! Por acaso está procurando o banheiro, tem um no final do corredor... — Falo me afastando dele e tentando me recompor.

— Acabei de encontrar o que eu queria!

Ele interrompe e fiquei embasbacada com suas palavras. Ele me devorava com o olhar, e juro que fiquei sem ação. Ele coloca meu cabelo atrás da orelha, e seu toque provoca choque na minha pele.

— Como nunca te vi antes, Mary? Eu juro que precisei inventar uma desculpa para vir até aqui, só para ter certeza de que você é mesmo real.

— Eu sempre estive por aqui, Eu que nunca te vi na vida...

— Eu garanto que isso vai mudar, Mary Anne! —Ele fala voltando para o corredor.

Entro para o quarto e fecho a porta rapidamente, respirando fundo. O que foi isso? Ele é padrinho do meu primo.

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