Lilly
Eu precisava respirar um pouco longe da tensão daquela conversa na Golden Gate, e talvez por isso tenha deixado escapar a ideia do jantar. Quando sugeri o restaurante ali perto, com vista quase lateral da ponte, James ficou naquela hesitação irritante dele, como se tivesse medo de qualquer coisa que pudesse aproximar a gente. Mas acabou aceitando, talvez por exaustão emocional, talvez porque não queria voltar pra casa com aquele silêncio pesando no carro.
O restaurante era aconchegante, luz amarelada, mesas de madeira escura e um cheiro irresistível de massa fresca misturado com vinho tinto. Pedimos rápido, sem pensar muito, e enquanto esperávamos, ficamos observando o movimento. Casais rindo, famílias discutindo sobre pedidos, turistas tirando fotos da ponte pela janela com entusiasmo exagerado. Eu queria aquilo: normalidade. Distância segura. Controle.
— Como estão seus pais? — pergunto, tentando puxar assunto neutro, algo que não encoste nem um fio naquilo que tínhamo