Capítulo 7

[ Visão de Carmem Stevens]

— No que está pensando? — meu marido questiona.

— Será que foi realmente uma boa ideia colocá-la lá? — perscruto, mas a pergunta é mais para mim do que para ele.

— Vamos deixar o tempo dizer, querida — segura minha mão, até hoje, sempre que sinto o seu contato, quente, me sinto a pessoa mais feliz do mundo, o melhor homem do mundo é meu.

Foi minha ideia colocá-la na empresa, eu queria que Juliana a visse conquistando as coisas, superando o abandono que sofreu, no entanto, depois de um ano e meio sendo uma funcionária exemplar, ela começou a sair com praticamente todos os homens da empresa, chegando a sair até com sócios. Eu nunca a questionei do porquê ela ter começado a agir dessa forma porque a vida é dela, no entanto, Iuri foi embora pedindo para que cuidarsemos dela porque ele a amava, e agora? Depois de sete anos, ele não encontrou nenhuma outra mulher, será que ele ainda é apaixonado por ela? Eu espero que não.

Durante os quatro anos que ela viveu com a minha família, quase fiquei com os cabelos brancos, e quase infartei quando Leandro entrou em contato pela primeira vez dizendo que ela estava no hospital, ela havia sumido o dia todo, mas descobrir que ela estava tentando cometer suicídio, aquilo realmente mexeu demais comigo, nunca tinha presenciado nada do tipo. Dois meses depois, ela contou que nesse dia havia encontrado com a mãe, que falou muitas coisas a ela e ela se culpou por tudo de ruim que estava acontecendo e que pensou que todos estariam melhor se ela não existisse mais. Quis bater muito em Juliana, mas me controlei e apenas a abracei.

Observar os prédios enormes, me faz refletir: Como será o ar no campo?

— Querido, que tal passarmos férias em alguma fazenda? Quero mudar os ares, conhecer um pouco do que é o campo.

— Então vamos, meu amor — me dá um selinho.

Não importa quantos anos se passem, eu serei eternamente apaixonada por meu marido. As lembranças do que vivemos sempre estarão vivas em minha memória, o amor é o sentimento mais lindo do mundo. Quero que meu filho viva um amor assim, sem sofrimento, sem arrependimentos, onde um fortalece o outro. Quero isso para o meu filho, e por mais que goste de Aya, não consigo sentir que ela é a mulher ideal para o meu filho.

— Amor? — o chamo.

— Sim?

— Por que Aya foi pedir para comprar o orfanato? — só agora que me toquei no que ela havia pedido, ela estava até chorando enquanto falava das crianças.

— Não sei dos maiores detalhes, Leandro falou que lá tem uma menina que ela quer muito adotar, mas que não pode por ser solteira.

— E você comprando ele, ela vai conseguir adotar?

— Não, mas o dono do parque comprou o lugar e as crianças serão remanejadas para outro lugar. Aquele orfanato foi abandonado pelo governo e a antiga diretora desviava o dinheiro e fazia perversidade com as crianças, uma coisa muito triste.

— Que absurdo! — como alguém é capaz de maltratar crianças?

— Sim, a nova diretora é a esposa de Leandro, uma pena que tenha ficado lá por apenas dois anos e meio.

— Sim...

Será que é por isso que ela saia com homens diferentes, em busca de algum que pudesse ser o pai dessa tal criança? Perdão Aya, eu cheguei a acreditar nos boatos que falavam mal de você.

Quantas vezes preciso levar na cara para aprender? Essa é a segunda vez que eu a julgo sem saber dos fatos, preciso melhorar esse defeito em mim.

[ Visão de Iuri Stevens]

Olho no relógio da parede e já são seis da noite, o último funcionário saiu a uma hora. Fiquei porque queria adiantar o máximo possível nas atualizações sobre a empresa. Preciso arrumar uma secretária, tive eu mesmo que agendar uma reunião com Lucas Philip, cansativo.

Afrouxando a gravata saio de minha sala e caminho para o elevador, o carro que vim para empresa com meus pais agora é meu, suspiro cansado, cheguei e ainda nem comprei um apartamento para mim, se eu tivesse uma secretária isso já estaria feito.

Entro no carro e dou partida, chego no restaurante meia hora antes do combinado.

— Boa noite, o senhor tem reserva?

— Sim, Iuri Stevens, fiz reserva para às dezenove horas.

— Por aqui senhor — ela anda em minha frente e me leva até minha mesa — Desejo que tenha uma ótima experiência aqui.

— Obrigado — me sento e ela sai.

Pego meu celular e começo a pesquisar apartamentos, não quero nada muito grande, acho um perfeito, e não fica muito longe da empresa, pego meu celular no bolso do paletó e digito o número do proprietário.

— Alô, com que falo? — a voz masculina fala do outro lado da linha.

— Iuri Stevens, quero comprar o apartamento imediatamente — falo logo de vez.

— É duzentos mil, se me der esse dinheiro agora, em meia hora eu...

— Me diga sua conta, irei transferir duzentos e cinquenta mil, quero que deixe o quarto principal e a cozinha prontos, tem meia hora para isso, acha que irá conseguir?

— Claro, mandarei por mensagem.

— Certo — desligo o celular.

Pelo menos já consegui um lugar para morar, guardo o celular e Lucas aparece, sorrindo.

— Olá, jovem empresário — ele fala se sentando.

— Olá, senhor Philip.

— Por que quis se reunir comigo?

— É sobre o local do orfanato que comprou.

— Ah, entendi, você quer que eu o contrate para demolir e construir o meu parque, não é? Mas sinto em lhes dizer, já contratei outra empresa e...

— Não — vejo a confusão em seu rosto, esse velho não tem cara de ser uma má pessoa — Eu quero comprá-lo.

— Por que? — questiona me olhando sem entender a razão. — Aquele lugar foi abandonado pela sociedade! E eu paguei uma quantia enorme ali.

— Te pagarei o dobro, eu quero que lá continue abrigando as crianças.

— E me pagará um milhão?

— Agora mesmo, só me dizer a conta para transferência.

— Garoto obstinado, prevejo muito sucesso em seu caminho — fala sorrindo.

— Também prevejo isso, e prevejo uma conta bancária bem gorda em questões de segundos.

Ele sorri, ponto positivo; foi até bem mais fácil do que imaginei.

— Aqui minha conta — ele me entrega um papel.

— Perfeito, amanhã quando eu assinar o papel que passa o local para meu nome te mandarei o dinheiro.

— Feito.

— O que vocês gostaria de pedir? — o garçonete chega.

— Quero o especial — respondo, nem olhei o cardápio.

— E para o senhor?

— Nada querida, já estou de saída — ele se levanta e me estende a mão, eu a aperto — Até amanhã às sete e meia, senhor Stevens.

— Até — e ele se vai.

Cinco minutos depois minha refeição chega. Observo a comida e mexo sem vontade, sem minha permissã, lembranças me veem a mente do dia em que pedi aos meus pais para cuidar dela:

"— Podem tomar conta dela? Eu... Eu a amo, não quero que ela sofra ainda mais... Ela não tem mais ninguém no mundo... Por favor... Tomem conta dela até ela poder se virar sozinha, eu só... Bem... Eu sempre quis ver o sorriso que ela me deu quando éramos crianças... Apenas mais uma vez... As lágrimas não combinam com ela." — Como eu era ingênuo.

Nunca imaginei que a menina doce raro de antes, se tornaria o petisco de hoje.

Leia este capítulo gratuitamente no aplicativo >

Capítulos relacionados

Último capítulo