Meu Amor Bandido
Meu Amor Bandido
Por: Ieda Lemos
capítulo 1°

" Vadia, vocês mulheres são como cadelas no cio! Vem! Vou te foder do jeito que você gosta!"— Octávio falava olhando a garota de programa gemer na sua frente, diante dos olhos curiosos dos seus seguranças "

Um jogo de interesses financeiros, sexo, sedução e um grande amor, em meio a tudo isso, lutando para sobreviver.

Nina usa a máscara de moça doce e indefesa, mas não passa de uma mulher fria e sanguinária. E no meio desse terrível mundo da Máfia, ela se apaixona pelo homem errado!"

***

Não é só a história de um apresentador jornalista investigativo que instiga a polícia e autoridades a tomar providências contra a máfia no Brasil, tinha um interesse pessoal e Don Salvatore percebia isso, o que ele não conseguia ver, era que a única filha delirava, há anos pelo seu maior inimigo diante da tela da tv.

Mas que segredo existia entre esses dois homens? O que os leva a criar uma rivalidade tão grande?

Vamos então descobrir se o amor determinado de Nina pode curar essas feridas e se esse segredo é capaz de ser perdoado e principalmente, se essa doce bambina conseguirá esconder de Valentim e Salvatore o seu segredo obscuro que corre despercebido pelas cúpulas mafiosas que existem em volta do seu amado pai e o homem de confiança a quem ela tem como aliado, também tem os seus segredos que o trouxeram da Itália para se infiltrar na casa de Salvatore.

***

Salvatore analisava a sua situação, enquanto assistia ao jornalismo na TV.

— Esse Valentim é o meu pior pesadelo! Se tem um inimigo perigoso para os meus negócios, ele se chama Valentim Dourado.

Gioconda concordava com a cabeça, enquanto observava a filha concentrada no notebook.

— Nina, não está na hora de ir para a faculdade?– a voz de Gioconda deixava transparecer preocupação e impaciência.

— Não estou afim — a moça respondeu naturalmente, sentada ao sofá, sem tirar os olhos do aparelho no colo.

— Como assim Nina, não vai hoje? Tem que frequentar a faculdade!— Gioconda insistiu com voz alterada.

Nina respondeu prontamente:

— Isso mesmo, mamma! Frequentar não precisa ser todos os dias!

Gioconda pôs as mãos na cintura e começou a falar nervosa:

— Eu não estou acreditando numa coisa dessa!

Nina fechou o notebook e disse:

— Mamma, você falou para frequentar a faculdade, para levar uma vida normal e não parecer suspeito. Então, faço tudo que os outros fazem!

— E o que pretende no futuro, hein Nina? — Gioconda quis saber.

— O mesmo que vocês!— Nina deu de ombros e respondeu subitamente:

— E o que nós fazemos?— Gioconda indagou curiosa.

A moça pronunciou sem que o som saísse dos seus lábios:

— Máfia!

Gioconda ficou boquiaberta e virou-se para o marido que estava distraído olhando para a TV.

Nina já tinha 22 anos e desde pequena já tinha noção do trabalho do pai. Sempre acompanhou todo o movimento ali, o entra e sai de pessoas no escritório do mesmo.

No começo, ela achava aquelas figuras muito estranhas, alguns cabeludos, outros muito tatuados, depois ela foi acostumando com os rostos e os recebe hoje com naturalidade.

Nina chegou ao Brasil com dois anos de idade, há 20 anos. O seu seu pai veio morar no Rio de Janeiro, escolheu morar na cidade maravilhosa, pois o mundo inteiro conhece o lado belo desta cidade, mas Salvatore não escolheu essa cidade à toa, ele foi orientado pela organização a que pertencia na Itália. chegando aqui, montou seu próprio exército. Hoje ele é Don Salvatore.

Os Bergamaschi eram perseguidos pelas autoridades italianas, depois de entrar em atrito com outra organização, onde uma família foi totalmente dissipada. Os Sorrentinos estavam a se vingar de todos que participaram de alguma forma daquela chacina e a família de Salvatore Bergamaschi se viu no meio do fogo cruzado. Já havia perdido parte da sua família por conta daquela briga entre as máfias inimigas e pediu ajuda para sair do país com o que sobrou do que podia chamar de sua linhagem. Partiu para o Brasil com a esposa, a filha de apenas dois anos e a sogra viuva.

Salvatore chegou de navio e já era esperado por alguns homens que mantinham contato com a máfia italiana a que fazia parte e foi morar num sítio, mas astuto como ele só, deu cabo dos homens que lhe acolheu e se apossou das terras. Logo conquistou a confiança de alguns homens que, por acreditar que ele era importante na Itália, se uniram a ele, fazendo-o crescer nos negócios escusos, onde tinha longa experiência. Na verdade, na Itália, Salvatore era apenas um dos capachos do poderoso Don Paolo Vincenzo, atuava mais como motorista, o que não deixava transparecer aqui no Brasil. Ele fingia estar em contato com a alta cúpula da máfia italiana e assim foi passando o tempo, até que se tornou poderoso e respeitado.

Entrava e saia de lugares luxuosos como se fosse uma figura política, importante, influente, mas era o seu alto padrão de vida que lhe proporcionava muita bajulação. Pagava sempre com dinheiro vivo e causava admiração a todos.

Viajava sempre na primeira classe, mas não passava nem perto do seu país de origem.

Nina parecia uma boneca de luxo. Tinha tudo o que desejava. As amigas da faculdade queriam andar no seu carro possante. Ela tinha pouca paciência com bajulações e não conseguia se interessar por nenhum garoto da sua idade.

Salvatore gostava do jeito da filha, não precisava se preocupar com quem ela estava se envolvendo e pensava que quando tivesse tempo, iria apresentá-la a alguém de confiança que naturalmente estivesse envolvido nos mesmo negócios que ele.

— Nina, ouça a tua madre e vá para a faculdade, como faz todas as moças da tua idade, ham? Dio mio!— Era nonna Giulia Ruggiero. Italiana de pulso firme, a quem Nina tinha muito respeito.

— Nonna, me deixe ficar em casa!— Nina implorava a avó.

— Giannina!— Nonna Giulia falava apontando para a escada já alterando a voz e não conseguia mais falar uma só palavra em português.

Nina subiu as escadas levando o notebook debaixo do braço, pisando firme sem olhar para trás.

Nonna Giulia respirou fundo antes de se retirar para a cozinha, onde chegou dispersando as criadas.

— Vai, andare! Si occupa de outras coisas que io vai cuidar dessa massa!— Giulia falava gesticulando muito e se esforçava para falar a língua da terra que pisava.

As duas criadas saíram resmungando e Giulia ouviu elas comentarem que Nina devia ter deixado a avó nervosa.

Nonna Giulia tinha os olhos muito vivos castanhos claros que brilhavam de nervoso naquele momento. Era uma mulher de quase setenta anos e muito bonita ainda. A neta se parecia muito com ela. Nina desde pequena era muito ligada à avó.

As duas eram elegantes, tinham cabelos castanhos claros e longos. Nina um pouco mais, pois usava tonalizantes e podia-se dizer que era quase loira.

Nonna Giulia usava os cabelos presos numa presilha de pedras que custavam uma fortuna, mas era só isso que lhe deixava elegante. Usava vestidos finos o dia inteiro e estavam sempre sujos de farinha, porque sempre estava a mexer na cozinha.

Como boa italiana, gostava de preparar massas e molhos. Servia o almoço e só depois se sentava à mesa e queria saber se a comida estava boa e ai de quem falasse que não.

Giulia estava preocupada com a neta, pois estava se tornando rebelde. Passou pela adolescência sem lhe dar qualquer trabalho, mas agora, ainda que tardia, estava a lhe deixar fora de si.

Gioconda percebeu que a mãe estava agitada na cozinha e foi acalmá-la.

Depois de dar uma volta ao redor da mesa, começou a interrogar Giulia:

— O que houve mamma? Por que expulsou as criadas da cozinha? Elas não lhe servem mais?

Nonna Giulia virou-se nervosa, deixando a massa descansar na mesa e começou a falar sem parar:

— Não percebe, filha mia? Nina não está bem! Precisa fazer algo filha!

Gioconda franziu a testa e cruzou os braços curiosa dizendo:

— Mamma, o que está querendo dizer?

Giulia olhou fixamente nos olhos da filha e respondeu:

— Nina precisa casar! Fala com tuo marido para arranjare um casamento urgente para ela, han?

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