Mundo de ficçãoIniciar sessãoPov's Melanie Bieber.
Hospital/ Consultório. — Ela está viva. Ouvi-ló dizer isso, desperta uma esperança em meu coração. Passei sete anos da minha vida, vivendo um inferno, imaginando como estaríamos se não estivéssemos naquele carro. Agora, de repente, um turbilhão de emoção invade. — Não está falando isso, só para que eu me sinta melhor né? — Eu não inventaria algo tão sério, Melanie. A nossa menina está viva.— se emociona junto comigo, com o sorriso bobo. Avisto o brilho que destacam em suas orbes claras, chegando a iluminar a nossa troca de olhar. — Oh meu Deus! Onde ela está?— me animo.— Diga-me, onde você a deixou? A empolgação me toma. Fico tão ansiosa que nem escondo a felicidade ao me imaginar conhecendo o seu rostinho e ouvindo-a me chamar de mamãe pela primeira vez. — Não sei. Murcho. — Como assim não sabe?— desfaço o sorriso— Você acabou de dizer que ela estava aqui com a gente, Niall? O que mudou? Ele fica estranho rapidamente, como se voltasse atrás nas palavras. Noto-o cabisbaixo, com o semblante pensativo. — Não posso confiar em você, Melanie.— o seu tom de receio, me atinge. — Como assim, não confia em mim? — Eu lembro exatamente o que aconteceu naquela noite.— rebate, virando a atenção pro lado. Seu olhar ressentido alastra.— Você tentou me matar. É nessa hora, que desabo. — Eu sinto muito.— lamento.— Eu sinto mesmo.— me arrependo.— Não estava em sã consciência, Niall, eu estava entupida de remédios. Não lembro de tanta coisa, porque eu estava dopada. — Eu sei. — Se sabe, por que está me julgando? — Porque sua depressão pós-parto, acabaria matando a nossa bebê. — seu tom baixo soa— Eu te poupei do pior, Melanie. Eu poupei que uma tragédia acontecesse, caso ela estivesse naquele carro. Você havia tentado a matar mais cedo. — Não fale isso. Choro, ao recordar em flashs aquele dia tão horrivel da minha vida. — Eu interrompei. Mas não fui capaz de interromper.... quando você a jogou na rua.— levanto o meu olhar quebrado em direção a fala do próprio. — O caminho que estávamos fazendo naquela noite, era para ir buscar a nossa filha que você havia abandonado na rua. Mas infelizmente... O acidente aconteceu. Tenho uma crise de choro, sentindo o peso sobre a minha cabeça. Eu passei sete anos da minha vida o culpando, mas na verdade, quem causou toda tragédia fui eu. Levanto do sofá, indo pro banheiro. Me tranco, encarando a minha fisionomia deplorável em frente ao espelho. Será que eu sou monstro? — Melanie, abre essa porta!— ouço as batidas que defere.— Abre! — Me deixa em paz, Niall. — Vamos conversar. — Não, eu não quero conversar. — choramingo, me recusando— Me deixe sozinha. — Eu não vou te deixar sozinha nesse estado. Choro mais ainda, sentando no chão do banheiro. — Eu queria tanto saber como é o rosto dela. — Nós vamos encontrá-la, Melanie. Não vamos desistir.— do outro lado, me conforta. — E se ela tiver morrido nas ruas? Não gosto nem de pensar nessa hipótese. — Não pense. — Niall, você me odeia? — Eu não te odeio, Melanie. — Mas eu estraguei tudo. Choro tão alto, que o meu choro sai como um gemido. — Abre essa porta, Melanie, não faz isso— ele implora mais uma vez, ao me ouvir chorar. Resolvo ceder, puxando a maçaneta da madeira. Vejo-o sentado no chão frio. Meus olhos estão vermelhos por causa do choro. Assim que nos vemos, nos abraçamos tão fortemente que posso ouvir às batidas do seu coração. Senti-ló me abraçando assim, é tão bom. Estive tão sozinha nesse tempo e foi difícil não tê-lo ao meu lado nos piores momentos. — Vem cá.— nos soltamos do abraço e ele me puxa, levando-me até perto da maca da criança. A observamos dormir. — Essa menina tem mais ou menos a idade que a nossa filha teria.— entreolho pro rosto do mesmo, querendo entender onde queira chegar.— Poderíamos adotá-la. — Você quer substituir a nossa dor, colocando outra criança no lugar? — Não!— responde sério— Eu quero que possamos amar essa criança. E dá a ela uma segunda oportunidade de vida. Reluto ao concordar. Passa mil coisas pela minha cabeça e uma delas é: — Ela vai morrer e quando ela morrer, estaremos perdendo mais uma filha.— confesso, com muito medo. — Pelo menos tentamos, Melanie.— fico balançada com a ideia. E um pouco assustada. Niall segura na minha mão, com aquele olhar confiante. — Por favor... — Eu quero muito ter uma filha!— abro um sorriso fraco, em meio a tanta angústia.— Não importa o que aconteça, eu vou ser a melhor mãe para essa pirralha. — tomo a decisão, admirando-a dormir. Passo a mão pela sua testa; enquanto eu e o meu marido ficamos ao redor, nos sentindo prontos para sermos pais novamente. Eu vou adota-lá.






