Seguindo a localização que Jared havia compartilhado nas redes sociais, peguei um táxi até um hotel à beira-mar.
Assim que entrei no carro, recebi uma notificação da nossa conta bancária conjunta.
Jared havia gastado uma quantia de cinco dígitos, e o estabelecimento era uma joalheria.
Ao mesmo tempo, ele atualizou novamente o perfil. A mulher estava com a mão estendida, exibindo uma pulseira de diamantes reluzindo em seu pulso.
A legenda dizia:
"Uma mulher deve ser tratada como uma princesa."
Baixei os olhos para o meu próprio pulso. Havia uma cicatriz discreta ali.
No inverno passado, Jared teve uma dor de estômago. Levantei no meio da noite para fazer uma sopa de galinha para ele e acabei queimando a mão na borda da panela.
Quando viu que eu havia me machucado, ele ficou arrasado. Segurou minha mão e soprou delicadamente sobre o ferimento por um longo tempo.
— Tasha, vou cuidar desse tipo de coisa daqui para frente.
Mais tarde, ele realmente aprendeu a fazer sopa de galinha.
Mas não foi para mim.
Nas redes sociais, havia uma foto dele sentado ao lado da cama daquela mulher enquanto ela estava doente. Era ele quem dava sopa de galinha na boca dela.
A ternura que eu achava ter perdido nunca havia desaparecido.
Ela apenas havia sido entregue a outra pessoa.
Assim que saí do táxi, Jared me enviou uma foto de um ursinho de pelúcia.
"Amor, não é fofo? Vou comprar para você."
Abri a foto.
No vidro da vitrine ao lado do ursinho, metade do rosto daquela mulher aparecia refletida. Ela estava apoiada no ombro de Jared, com os cabelos esvoaçando ao vento enquanto sorria docemente.
Guardei o celular e entrei no hotel.
Uma festa particular estava sendo realizada no salão de eventos. Na entrada, havia rosas brancas e torres de taças de champanhe.
Uma faixa dizia:
"Feliz terceiro aniversário ao Sr. Jared Jackman e à Srta. Yvette Lane."
Em uma tela, fotos de Jared e daquela mulher passavam repetidamente. Em todas elas, ele sorria com felicidade.
Fiquei parada na entrada, sentindo-me como uma intrusa que havia invadido a felicidade de outra pessoa.
De repente, me lembrei de que, no mês anterior, eu havia pedido a ele para fazermos um ensaio fotográfico de casal.
— Amor, eu não gosto de tirar fotos — ele havia dito.
Mas agora, em todas as fotos exibidas naquela tela, ele sorria diretamente para a câmera.
Foi então que uma mulher de vestido branco saiu correndo do elevador, com Jared logo atrás.
Ela segurava uma coroa de aniversário torta na mão e ria enquanto tentava escapar dele.
— Não chega mais perto! Você vai estragar minha maquiagem!
Jared a alcançou e ajeitou a coroa com uma naturalidade que demonstrava prática.
— Jared.
Minha voz trêmula atravessou o salão, misturando-se à brisa do mar.
No instante em que Jared me viu, o pânico surgiu em seu rosto. Ele soltou imediatamente a mão de Yvette.
Yvette olhou para mim e perguntou:
— Jared, quem é ela?
Sua voz era suave, quase assustada.
Jared baixou os olhos imediatamente para tranquilizá-la.
— Ela é só uma amiga.
Passamos sete anos juntos — mais de três mil dias e noites repletos de incontáveis discussões e momentos em que encontrávamos o caminho de volta um para o outro.
E, no fim, eu não passava de uma amiga para ele.
Achei que choraria.
Mas, estranhamente, nenhuma lágrima caiu.
Talvez, quando a dor se tornasse grande demais para suportar, uma pessoa simplesmente não tivesse forças nem para emitir um som.
Peguei o celular e abri minha galeria.
— Sou a namorada do Jared há sete anos — declarei, erguendo a tela.
A primeira foto era da nossa orientação na faculdade. Jared estava no palco tocando violão e, assim que terminou de cantar, declarou seus sentimentos por mim diante de todos.
A segunda era do ano em que nos formamos. Ele havia gastado todo o seu primeiro salário em um colar para mim. Ficou atrapalhado enquanto o colocava no meu pescoço e prometeu que me daria a vida que eu merecia.
A terceira era de quando tive uma febre de quarenta graus. Ele me carregou nas costas até o hospital, com uma expressão desesperada de preocupação.
A quarta era da última véspera de Ano-Novo. Ele estava na cozinha da minha família, ajudando a preparar o jantar, com as mãos cobertas de farinha.
— Não se preocupem. Eu vou cuidar bem dela pelo resto da vida — disse aos meus pais.
Os vídeos foram passando um após o outro, e o rosto de Jared ficava cada vez mais pálido.
Yvette também estava atônita. Ela olhava para o Jared mais jovem na tela do meu celular enquanto as lágrimas escorriam por seu rosto.
— Você não disse que vocês tinham terminado há muito tempo? — perguntou ela a Jared.
Ele engoliu em seco, incapaz de dizer qualquer coisa por um longo momento.
Alguém por perto finalmente reagiu e tentou amenizar a situação, sem jeito.
— Senhorita, relacionamentos não se resumem a quem chegou primeiro.
— Exatamente. Jared e Yvette passaram por muita coisa nesses últimos três anos. O que eles têm é amor verdadeiro — acrescentou outra pessoa.
— Se você realmente ama o Jared, deveria deixá-lo ser feliz — alguém mais se intrometeu.
— E daí que vocês ficaram juntos por sete anos? Se ele nunca tornou o relacionamento de vocês público, então quem está se intrometendo é você, não é?